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Francisco Razzo

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Francisco Razzo é professor de filosofia, autor dos livros "Contra o Aborto" e "A Imaginação Totalitária", ambos pela editora Record. Mestre em Filosofia pela PUC-SP e Graduado em Filosofia pela Faculdade de São Bento-SP.

A arte de jogar videogame

  • Francisco RazzoPor Francisco Razzo
  • 20/01/2021 00:01
A arte de jogar videogame
| Foto: Reprodução

Eu compreendo que neste atual momento de pandemia haja muitos outros assuntos que poderiam ser qualificados como “mais urgentes e extremamente relevantes” do que o assunto banal que trago hoje aqui. Entretanto, sinceramente, até para espairecer um pouco, gostaria de responder a uma pergunta que esses dias me fizeram: por que eu jogo videogame?

Jogar videogame tem sido um dos meus entretenimentos favoritos, principalmente durante este ano de pandemia. Jogo desde a época do Atari, meu primeiro console. Fui – e isso não é exclusividade minha – fã incondicional de jogos como River Raid, Frostbite e Enduro, verdadeiros clássicos da década de 80, que esses dias instalei no smartphone pra apresentar pro meu filho, que se divertiu por 20 minutos e nunca mais voltou a tocar no assunto.

Fiz muitos amigos e troquei insultos com outros por causa de jogo do Atari. Sou, em suma, da época de pegar cartuchos emprestado e não devolver. Que atire a primeira pedra quem nunca quebrou um joystick de um primo folgado ou fez gambiarra com aqueles famosos e atualmente desnecessários adaptadorzinhos de televisão...

Os bons jogos de videogame podem ser elevados a verdadeiras experiências artísticas, tal como apreciar uma obra de arte

Dos anos 80 pra cá, muita coisa mudou. Digo, muita coisa mudou assombrosamente. Em todos os níveis de qualidade. Quem acompanhou, mesmo que de longe (tipo: namorar a irmã de alguém que gostava de videogame), a evolução dos consoles e dos PCs sabe do que estou falando. Do Nintendo 64 ao Master System, de Mario Bros. a Sonic, o incomensurável desenvolvimento da tecnologia de processadores proporcionou uma sofisticação temática sem precedentes na construção de novos jogos e formas de jogar.

E não digo só a respeito da construção de cenários, da qualidade gráfica, do som e da jogabilidade; mais do que isso, o que me chama atenção é a possibilidade de criar narrativas complexas, com enredos dramáticos e filosoficamente sofisticados; trata-se de um oceano que tem sido explorado pelas mentes mais criativas e geniais – shakespeareanamente falando. Nenhuma tecnologia tem sido capaz de oferecer tantos recursos técnicos para bons roteiristas e artistas.

Para quem já se aventurou nessa nova era dos games, dos jogos com mapas abertos, aperfeiçoamento de habilidades e perfil de caráter ao longo do jogo, sabe que a principal qualidade de jogo é a “imersão”, que significa a experiência de se sentir parte de construção narrativa. Quanto mais um jogador consegue se “unir” ao personagem e ao mundo que o rodeia, mais imersivo é um jogo. Não se trata, portanto, só de estar numa experiência de simulação dentro de um espaço virtual, mas de ser parte ativa das decisões que constroem o enredo e a própria personalidade do protagonista. Aliás, alguns jogos já utilizam inteligência artificial que “ensina” o ambiente e personagens antagonistas a se adequarem à forma como cada jogador joga.

Tornei-me um entusiasta desse tipo de experiência depois de jogar Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, do grande criador Hideo Kojima. Costumo usar o seguinte exemplo para explicar a experiência de imersão: imagine se você pudesse controlar as decisões do protagonista de uma série de tevê ou de um livro? Isso é a imersão. Agora, some essa possibilidade de tomar decisões morais num espaço geograficamente bem construído, com efeitos sonoros extremamente ricos em detalhes e inspiradoras trilhas sonoras?

Jogar videogame, nesse sentido, ultrapassa a experiência lúdica, do mero divertimento, para propiciar uma experiência estética completa, incluindo possibilidades éticas das mais exigentes, já que você é chamado a tomar decisões num ambiente de exigências morais épicas. O mais impressionante é que tais decisões moldam o caráter do próprio protagonista e suas relações sociais — um caso explorado com maestria em Red Dead Redemption 2, com a jornadas espirituais de Arthur Morgan e John Marston.

Vistos por este aspecto, os bons jogos de videogame podem ser elevados a verdadeiras experiências artísticas, tal como apreciar uma obra de arte. Jogar videogame envolve muito mais do que um passatempo. Trata-se de arte, por sinal, bastante completa, na medida em que consegue vincular experiência musical, poética, fotográfica e narrativa. Enfim, espero poder conversar mais sobre essas aventuras aqui com vocês.

Conteúdo editado por:Marcio Antonio Campos
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Comentários [ 14 ]

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  • M

    Manuela Mourão

    ± 52 minutos

    Foi um texto maravilhoso de se ler. Faz um bom tempo que não tenho experiências com jogos, ainda mais os atuais. Entretanto, estou sempre namorando com outras pessoas jogando e principalmente seus comentários também. Dá uma saudades daquelas e devo concordar bastante com você, professor. No meu velho PS2, apesar da tecnologia estar bem avançada agora, eu já podia sentir todas essas emoções. Ainda espero voltar a jogar e, por favor, compartilhe quantas vezes quiser sobre esse assunto. É muito agradável e útil também, não pense o contrário. Deus te abençoe, professor!

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    • G

      Gustavo Cardoso

      ± 1 horas

      Agradeço pelo texto, Francisco. Jogo desde o Nintendinho. Desde sempre, tanto quanto possível, os jogos procuraram oferecer esse tipo de experiência, mas faltava capacidade técnica. Porém isso foi mudando com a impressionante evolução que vc mencionou. Sempre procuro frisar isso e, se possível, jogar alguma coisa muito boa na frente de quem nunca jogou e ainda hoje acha que videogame é coisa de criança. É óbvio que é uma forma de arte. Pense na produção: atores, diretores, roteiristas, dubladores, trilha sonora (original, muitas e muitas vezes) etc. Com a experiência única da imersão.

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      • J

        JULIANO RIBAS DEA

        ± 5 horas

        Melhor artigo da Gazeta nós últimos tempos.

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        • D

          Danilo Bernardo dos Santos

          ± 6 horas

          Red dead redemption 2, esse jogo é incrível. Resume bem a imersão.

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          • M

            Marcos Rodrigues

            ± 7 horas

            "Da hora" ver esse tema por aqui. Quem nunca quebrou um controle jogando decathlon?

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            • W

              Willian Cardoso de Souza Jesus

              ± 9 horas

              Compactuo 100% com a visão do colunista. Inclusive no interesse por jogos de TODAS as gerações, desde o Atari, que jogava quando criança, até os video games atuais (atualmente, tenho o PS4). É incrível ter acompanhado de perto toda essa evolução tecnologica dos games e consoles, que implicou em torná-los algo bem semelhante a PCs, e, no caso dos games, jogos cada vez mais próximos da realidade, que te fazem muitas vezes mergulhar em histórias incríveis, com personagens e jogabilidades GENIAIS. Não à toa, também é meu hobby preferido, desde criança, para fazer em casa.

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              • F

                Felipe

                ± 11 horas

                Ótima visão apresentada pelo autor. Creio que o mundo oriental, principalmente o Japão, saiu na frente nessa visão artística imersiva no mundo dos jogos. Infelizmente ainda hoje há preconceito, mas a sociedade tem observado o potencial que pode ser utilizado pelo mundo dos jogos virtuais na construção artística, cultural e até educativa. Além disso, temos grandes artísticas brasileiros em diversas produções mundiais. Acho que poderíamos incentivar ainda mais grandes artísticas nacionais.

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                • A

                  Aruan Baccaro de Freitas

                  ± 11 horas

                  Muito interessante sua análise. Entretanto, os jogos são exatamente isso - jogos. Eles tem uma finalidade, uma meta, regras. E as obras de arte? Elas nem sempre possuem uma meta definida, clara, objetiva. Regras, menos ainda. Mas a aproximação é interessante.

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                  1 Respostas
                  • M

                    Marcos Rodrigues

                    ± 7 horas

                    Jogos nem sempre tem uma finalidade, metas ou regras. Assim como muitas obras de arte tiveram a sua finalidade. E não da pra confundir a finalidade da obra com a manifestação artística em si.

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                • L

                  LIVIO MOZARTH MENDES MARCAL

                  ± 13 horas

                  Tenho 40 anos. Jogo videogame basicamente todos os dias. Classifico muitos jogos como obras de arte. Journey por exemplo. The last of us. Ghost of Tisushima. Série Souls então.....existe um preconceito besta com isso. Mas quem critica não faz a menor ideia do que está perdendo.

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                  • A

                    Alexsandro Gonçalves Bueno da Silva

                    ± 13 horas

                    Ótimo Artigo. Um ponto de vista interessante sobre o games na ótica da arte. Por sinal, meus jogos favoritos são da franquia Metal Gear do gênio Kojima.

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                    • R

                      Ricardo Goedert

                      ± 14 horas

                      Excepcional ver o seu ponto de vista sobre este tema, ainda mais vindo de alguém com o seu background. Concordo plenamente com tudo o que foi dito, e digo mais, nunca tinha pensado neste ponto de vista de apreciar uma arte, o que de fato é a coisa mais "óbvia" em grande parte dos jogos modernos de hoje em dia. Tenho 41 anos e vim desde a época do Atari, pelo visto seremos a 1ª geração a levar o videogame até a vida idosa. Vai ser quase impossível não envelhecermos jogando. A 1a geração de velhinhos de cabelo branco disputando partidas no Fifa e terminando jogos incríveis como The Last of Us, Red Dead 2, Assassins Creed e muitos outros.

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                      • I

                        Indiomar Selau

                        ± 15 horas

                        Acho muito legal ter uma coluna que trate com mais profundidade os games, pois falta isso no Brasil. O que temos por aqui são os tradicionais reviews que tratam basicamente das qualidades técnicas dos jogos. Essa discussão mais aprofundada poderá ajudar inclusive os desenvolvedores de games no Brasil, cuja produção aumenta ano a ano.

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                        • B

                          BDSC

                          20/01/2021 20:14:22

                          Muito legal! nunca tinha pensado por esse lado.

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