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Blog que discute ideias em economia política

O fim do mito do pré-sal vendido a preço de banana

  • Por Guido Orgis
  • 08/11/2019 12:24
O fim do mito do pré-sal vendido a preço de banana
| Foto: Stéferson Faria/Agência Petrobras

Até os dois últimos leilões de campos de exploração no pré-sal, era comum o argumento de que o governo estava vendendo petróleo a preço de banana. Por que pedir R$ 106 bilhões, no caso do leilão de óleo excedente da capitalização da Petrobras, quando a estimativa é de que o óleo no fundo do mar vale mais de R$ 1 trilhão?

Esse é um tipo de pergunta que inverte a lógica de como o mundo real funciona, algo provado pelo fato de os blocos não terem sido todos arrematados pelo "capital estrangeiro". O valor do petróleo embaixo de uma camada de 2 mil metros de sal é zero até que alguém o retire dali. Partindo dessa lógica, já podemos perceber que a concessão da exploração não é uma venda de óleo. É a permissão de uma atividade com riscos que não são para qualquer um.

O leilão de óleo excedente realizado na quarta-feira (06) tinha muitos riscos. Além da questão tecnológica da exploração em águas superprofundas, que naturalmente limita a competição para cerca de uma dúzia de grandes empresas, havia dúvidas sobre volume (o intervalo do potencial dos blocos era alto) e a respeito da indenização devida aos investimentos já feitos pela Petrobras. Fora o fato de o investimento inicial na concessão ser bilionário.

O modelo de exploração também não ajuda muito, como mostra o leilão da quinta-feira (7), em que foi arrematado um dos cinco blocos oferecidos. Embora com menos riscos do que no leilão de excedentes (em que foram vendidos dois dos quatro blocos), o preço cobrado das empresas parece ter afugentado as grandes petroleiras.

O fato de o sucesso dos leilões ter ficado abaixo do esperado não significa um fracasso do país no pré-sal. Essas reservas ainda são valiosas para o setor e farão o Brasil estar entre os maiores produtores de óleo nas próximas duas décadas. Mas isso ocorrerá em um mercado com crescimento mais fraco e sob a sombra de uma transição energética provável nos próximos 35 anos, duração dessas concessões.

O Brasil pode estar, na verdade, cobrando mais do que o momento da economia global permite. Na quarta-feira, depois do leilão dos blocos de óleo excedente, começou um movimento no governo e no Congresso para mudar o marco legal do pré-sal. Hoje, a Petrobras tem ainda o direito de preferência para ser operadora (já foi uma obrigação, retirada dois anos atrás) e o modelo de partilha não é o preferido das empresas do setor - ele exige a presença de outra estatal, a PPSA, que recolhe parte do petróleo para o governo.

A partilha foi instituída no novo marco legal do petróleo criado no segundo governo Lula e atende a um discurso de nacionalização dos recursos naturais. Ele faz com que a exploradora fique apenas com parte do óleo retirado, o que reduz o retorno esperado nos projetos e aumenta o risco. Sobre o que fica com a petroleira também incidem royalties. O modelo bem-sucedido na Bacia de Campos é todo sem partilha e poderia ser facilmente adaptado para o pré-sal caso não haja uma mudança no médio prazo na tendência de preços.

O governo vai oferecer novamente ao mercado os blocos não arrematados. Poderá ajustar os lances iniciais ou mudar o modelo da concessão para acelerar os investimentos necessários para o pré-sal de fato se tornar um dos principais fornecedores de petróleo do mundo. O mais importante é fazer isso de forma ordenada e com uma perspectiva de uso correta dos recursos que começarão a entrar no caixa dos governos em quatro ou cinco anos.

No pacote fiscal apresentado na terça-feira, o governo prevê repassar 70% dos recursos de royalties do pré-sal para os municípios. É uma nova postura que vai dar fôlego financeiro durante muitos anos para que as cidades invistam nos serviços básicos. Por isso, não é justo dizer que o pacote tira dinheiro de serviços à população (na verdade, o corte é no funcionalismo), ou que os leilões desta semana significam que os repasses serão menores do que o previsto (o dinheiro de royalties só cai quando há produção e esses blocos serão viabilizados em outros leilões).

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Comentários [ 6 ]

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  • C

    Cidadão Brasileiro

    ± 4 horas

    Ontem o presidente da Petrobrás deu entrevista dizendo que é viável para a empresa explorar o pré-sal num horizonte de preços de US$45/barril. O ponto é q as estrangeiras não conseguem competir com a Petrobrás quando se trata de extrair óleo em plataformas flutuantes e poços até 7000m abaixo, simplesmente porque não dominam a tecnologia. Quando o petróleo foi descoberto pela Petrobrás fizeram chacota de sua capacidade de vir a produzir nessas condições, mas os excelentes engenheiros da empresa fizeram essa mágica, e em 10 anos 2/3 do petróleo sai do pré-sal, e a produção dobrou. E é totalmente justo a empresa ser compensada pelo mérito de ter localizado as jazidas.

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  • A

    alex

    ± 9 horas

    Mais um patrimonio entregue de bandeja.

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    • F

      Flavio Teixeira

      ± 2 horas

      E mais um bbk a comentar...

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  • G

    Giancarlo Bento Antoniutti

    ± 16 horas

    Nosso pais é tão bom que onde o Walmart tinha 5% do seu faturamento mundial igual a U$7bi, era o mesmo o local onde detinha 80% das ações trabalhistas. Nos temos apenas um Banco estrangeiro operando em larga escala no pais, enquanto países como Hong Kong, Singapura, Chile e outros tem uma infinidade. Citibank e HSBC abandonaram o barco. Enquanto não virar e desligar a chavinha estatizante/intervencionista e ligar a chavinha livre mercado/livre associação dando liberdade para as pessoas resolverem os problemas das outros com soluções onde possam ganhar seu dinheiro sem necessidade de um pequeno feudo garantido pelo estado esse pais ainda vai continuar sendo 10% do que é seu potencial.

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    • E

      Eduardo Prestes

      ± 10 horas

      Perfeito Giancarlo. O maior entrave para a economia latino-americana é a esquerda. Quem vai investir bilhões num país onde, de uma hora para outra, o governo pode desapropriar tudo ? Onde gente com esse tipo de idéia ganha eleições ? A Petrobras investiu bilhões na prospecção e produção de gás na Bolívia. Em uma canetada do governo de lá, logo no início da produção, a Petrobras foi escorraçada e expulsa da Bolívia, perdendo os investimentos bilionários. O mesmo pode acontecer no pré-sal, basta a eleição de um doido bolivariano.

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  • F

    FABRICIO

    ± 1 dias

    Ótimo artigo, parabéns.

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