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Sei que pode não parecer, caro leitor, mas hoje estamos em situação muito melhor. Bem melhor do que há sete anos atrás, quando exasperados víamos a todos, inclusive aos nossos amigos, um a um tornarem-se presas da ideologia pérfida do apocalipse democrático. Eles acreditaram que era preciso fazer de tudo, qualquer coisa, para salvar a democracia – inclusive destruir as suas próprias bases.
Como num pesadelo, nós buscávamos algum amigo prudente e mais isolado, julgando que ele teria resistido à lavagem cerebral e à tentação da propaganda autoritária, mas quando o cutucávamos, logo se via: eles se viravam para nós e lá estavam os olhos vermelhos de zumbi, revelando que ali havia mais um androide repetidor de clichês e que, mesmo sem cérebro autônomo, pensava que precisava nos perseguir para salvar a democracia.
O Mal hoje está revelado, e sobram poucos androides e zumbis que conseguem repetir, com o desassombro tranquilo de quem dá bom dia, os clichês mais tirânicos contra a direita e a república
Esse sentimento de pesadelo, essa maldade cometida em nome do clichê, essa tortura sádica do totalitário que pensa estar promovendo a utopia, tudo isso me parece que passou: nós vencemos essa batalha cognitiva, pelo menos por ora. O Mal hoje está revelado, e sobram poucos androides e zumbis que conseguem repetir, com o desassombro tranquilo de quem dá bom dia, os clichês mais tirânicos contra a direita e a república.
Como demonstram as grandes obras da religião e da cultura, não é fácil vencer o Mal. Vejam o problema da verdade: a despeito da existência de certa diversidade na interpretação dos fatos, a verdade é uma só. A mentira, por outro lado, pode ser infinita, limitando-se apenas à capacidade imaginativa e ao tamanho da empáfia do mentiroso. E é assim que, na luta do Bem contra o Mal, do Certo contra o Errado, eles estão e estarão sempre em vantagem. A capacidade de produção de mentiras será sempre mais rápida do que a nossa capacidade de as desmontar e de asseverar a verdade.
Há cerca de vinte anos, com a massificação do uso das redes sociais, as vanguardas que lideravam as instituições tradicionais da república – governo, mídia, academia, ONGs etc. – assustaram-se com um mundo em que a sua posição passou a ser questionada. Quem esse povo acha que é para nos criticar? Que história é essa de que qualquer um acha-se no direito de falar o que bem entende?
E com isso as elites revoltaram-se, e passaram a empreender uma guerra contra o povo e o seu putativo assalto contra o poder que as elites julgavam exclusividade sua. Nessa guerra, a primeira batalha é sempre cognitiva, ideológica, informacional; se precisar ser má e sádica, a vanguarda institucional o será; mas se ela puder resolver tudo apenas manipulando as pessoas com propaganda e ilusão, melhor ainda.
Por pelo menos setes anos promoveu-se, assim, uma grande corrupção do ecossistema de informação do Brasil, formado por academia, mídia, governo, ONGs e outras instituições, para promover a história de que havia uma direita, um movimento “nacional-populista”, que estava buscando derrubar a democracia e restabelecer uma ditadura no país. Para evitar esse problema, era preciso conceder poderes excepcionais a qualquer um que estivesse disposto a conter (leia-se perseguir) a direita.
A primeira batalha na guerra contra esse Mal teve de ser, portanto, uma longa batalha cognitiva, ideológica, informacional, para demonstrar para as pessoas que não era o Bem (salvação da democracia), mas sim o Mal (a destruição da democracia) que estava dominante no cenário político do país. Há sete anos temos esperado por este momento, em que finalmente alguma massa crítica de pessoas despertou-se do delírio e percebeu a destruição institucional que ajudaram a promover. Como o nosso entendimento da realidade costuma guiar as nossas ações, isso já é um bom começo.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

Gustavo Maultasch é diplomata e autor do livro "Contra toda Censura: Pequeno Tratado sobre a Liberdade de Expressão", lançado pela Avis Rara. É formado em direito pela UERJ, mestre em diplomacia pelo Instituto Rio Branco e doutor em administração pública pela Universidade de Illinois-Chicago. Foi Network Fellow do Centro de Ética de Harvard (2013-2014). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



