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Você consegue acompanhar o mar de anúncios bombásticos, operações da Polícia Federal, áudios “vazados”, descobertas, escândalos, denúncias, disse-que-disse daqui e dali? Coincidência? Nada disso: é a operação engana-trouxa a todo vapor e o brasileiro, coitado, está, de novo, à beira de cair no golpe.
Governos passam três anos sem fazer nada de bom, mas agora lançam toda semana uma nova benesse, entregam obras inacabadas ou requentam as mesmas promessas emboloradas de décadas atrás. Políticos posam de bonzinhos, moderados, preocupados com o país, boa gente. Só que não. Na outra ponta, denúncias, escândalos, corrupção, troca de favores, negociatas, perseguições, fim do Estado de Direito e da liberdade de expressão, tudo bem acobertado, escondido por baixo do tapete. O segredo é desviar a atenção do observador.
Não esqueçamos que, para os poderosos de plantão, somos sempre burros de carga, crianças que precisam de bonequinhos para votar bem, serezinhos simplórios que se encantam com o colorido dos fogos de artifício, enquanto temos os bolsos surrupiados
Para os astutos prestidigitadores, o segredo de qualquer truque não está naquilo que o público não vê, mas, sim, naquilo que ele está vendo com toda atenção. Enquanto olhamos atentos aos anúncios bombásticos, aqueles que querem nos passar a perna ficam livres para fazer o que quiserem. Quanto mais ficamos tentando explicar o que estamos vendo, mais suscetíveis estamos de não ver o que acontece ao nosso redor.
Não esqueçamos que, para os poderosos de plantão, somos sempre burros de carga, crianças que precisam de bonequinhos para votar bem, serezinhos simplórios que se encantam com o colorido dos fogos de artifício, enquanto temos os bolsos surrupiados. Não podemos deixar que eles nos enganem, nos desviem daquilo que realmente importa.
Há escândalos gravíssimos no país que jamais foram devidamente esclarecidos, como o do INSS e do Banco Master, que correm o risco de serem soterrados no mar de esquecimento e não darem em nada – como é praxe nas terras brasileiras, infelizmente. Nossas eleições, que deveriam servir para que o povo – e apenas ele – escolhesse seus representantes, já começam a dar sinais de que acabarão sendo estrategicamente “higienizadas” pelo supremo poder, que, lembremos, em outras ocasiões já deu o ar de sua graça durante as campanhas, limitando discursos e a divulgação de informações e posicionamentos de candidatos ou, depois das eleições, simplesmente cassando, sem base legal, políticos eleitos legitimamente.
Os supremos poderosos, como vêm fazendo há anos, continuam dando as cartas do país, ao seu bel-prazer, alheios a qualquer controle externo. Têm orgulho de moldar o país da forma como bem entendem, tomam o lugar do Legislativo, destroem direitos, acabam com liberdades. E continuam a entoar a mesma ladainha de que criticá-los é um ataque institucional, que só fazem o que fazem por zelo à Constituição e para o nosso bem.
Enquanto perdemos tempo com os fogos de artifício ardilosamente lançados de tempos em tempos, eles riem da nossa ingenuidade.








