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10 de julho de 1856, Smiljan, Croácia. Há exatos 170 anos nascia ali o homem que veio para iluminar o mundo e moldar nossa vida como ela é hoje. Apesar de tudo o que ele fez, o mundo não estava preparado para a genialidade de Nikola Tesla. A meu juízo, o maior gênio de todos os tempos, mas que em vida foi injustiçado pelas sombras da ignorância e da inveja.
Nikola Tesla não nasceu para a época em que viveu. Ele pertencia a um futuro tão radical, tão livre da ganância e das amarras do poder, que o mundo a seu redor se sentia profundamente desconfortável. Consta que um dia perguntaram a Albert Einstein qual era a sensação de ser o homem mais inteligente de todos os tempos, ao que Einstein respondeu: “eu não sei, perguntem ao Tesla”.
Eu fiz o ensino fundamental em uma pequena cidade rural no interior do Paraná; em seguida fiz o ensino médio e, já morando em Londrina (PR), cursei Ciências Econômicas na universidade estadual. Até então, eu nunca tinha ouvido o nome “Nikola Tesla”. Hoje, após ler três biografias e vários artigos sobre Tesla, sua assombrosa genialidade e seus 600 inventos, eu me pergunto como foi possível o mundo esconder esse homem.
Enquanto o mundo estava ocupado envolvendo cidades em uma teia de fios de cobre e aplaudindo Thomas Edson (1847-1931) por acender lâmpadas em uma rua de cada vez, Tesla estava em seu próprio universo, silenciosamente construindo máquinas que poderiam levar energia a cidades inteiras sem fios e mover navios sem uma gota de combustível.
Apesar de tudo o que ele fez, o mundo não estava preparado para a genialidade de Nikola Tesla
A lista das maravilhas saídas da mente genial de Tesla é assustadora. Sistema polifásico de distribuição de energia elétrica, corrente alternada (padrão mundial para distribuição de eletricidade), bobina emissora de fluxos de energia elétrica (usada em rádio, televisão e equipamentos eletrônicos), teleautômato (base para o controle remoto, a robótica e os drones), turbina de Tesla (usada em pesquisas de biomedicina e energia eólica), primeira imagem de raio-X nas Américas, motor de indução elétrica, lâmpadas fluorescentes, rádio (Tesla é o inventor do rádio, e não Marconi) etc.
Tesla projetava um sistema que não precisava de fios, mas que usava a própria terra, o ar e o mar como uma vasta autoestrada para energia. Para a maioria, isso soava como magia, coisa impossível, mas para Tesla era apenas ciência, esperando pacientemente para ser compreendida. Até 35 anos atrás, ninguém acreditava que poderia haver telefone sem fio, quando Tesla já havia projetado o que é hoje o telefone celular.
Dando um salto em sua trajetória, a genialidade de Testa teve explosão a partir de 1884, quando chegou a Nova York, com 28 anos de idade e pouco mais que uma mala cheia de esboços, com um único audacioso objetivo: apresentar a Thomas Edison sua invenção revolucionária, um sistema de motor de corrente alternada (AC), que ele via como o futuro inevitável da eletricidade.
Edison, que havia investido todo seu capital e reputação no sistema de corrente contínua (DC), discordava veementemente. A relação de trabalho, que mal começou, azedou rapidamente; após uma amarga disputa financeira, os dois gigantes se separaram. Começava ali a infame Guerra das Correntes.
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Nesse cenário, surge o visionário industrial George Westinghouse (1846-1914), que enxergou em Tesla o gênio científico que Thomas Edison, em sua teimosia, ignorou. Westinghouse decidiu financiar as ideias de Tesla e seus motores de indução por corrente alternada. Esses dispositivos silenciosos e eficientes iriam revolucionar a vida urbana até hoje.
Mas a genialidade de Tesla o levaria bem mais longe. Em 1896, ele projetou o sistema hidrelétrico nas Cataratas do Niágara, usando sua tecnologia de corrente alternada para iluminar cidades distantes. A corrente alternada havia vencido. Mas Tesla queria mais.
Ele apresentava ao mundo uma característica que deixava seus professores atônitos: ele observava, meditava, pensava e desenhava as soluções, máquinas, motores e sistemas em sua mente, sem nenhum papel. Quando ia para o papel, ele desenhava tudo do começo ao fim, pronto e acabado. Isso praticamente o impediu de se formar em Engenharia, pois ele estava muito além de seus professores.
Seguindo, ele logo se dedicou a fazer um oscilador, um sistema que convertia a eletricidade em ondas de rádio de alta frequência, sonhando com a transmissão de energia sem fio, coisa que todos que dela tomavam conhecimento diziam ser apenas acessos de loucura de Tesla. Ocorre que Tesla não se deixava abater, e não raro os céticos se tornavam assustados admiradores.
Tesla pertencia a um futuro tão radical, tão livre da ganância e das amarras do poder, que o mundo a seu redor se sentia profundamente desconfortável
Em seu laboratório em Colorado Springs, ele assombrou o mundo e os cientistas em 1899, ao alimentar 200 lâmpadas sem fio a mais de 40 quilômetros de distância, usando apenas a Terra como condutor. Quando moradores das localidades nesse trecho relatavam, assustados, zumbidos estranhos e arcos de luz dançando no chão, a reação geral foi de ceticismo; a ignorância do mundo não o aplaudiu, embora Tesla estivesse ali, criando o futuro.
A verdade é que o mundo não estava pronto, além do que a genialidade de Tesla o tornava uma ameaça para as corporações que haviam investido fortunas construindo usinas e instalando medidores de energia em cada casa. Os exemplos e a via sacra da genialidade de Tesla são tão grandes que não cabem em um texto pequeno.
Menciono agora um projeto que, embora morto, está sendo ressuscitado. Trata-se da Torre de Wardenclyffe, também conhecida como Torre de Tesla, um de seus projetos mais ambiciosos. Iniciado em 1901, esse projeto visava à construção de uma torre que pudesse transmitir energia elétrica sem a necessidade de fios condutores, solução na qual nenhuma viva alma acreditava.
Tesla insistia que a torre seria capaz de transmitir energia pelo ar, permitindo assim o acesso à energia em qualquer lugar do mundo. O meio científico seguia na mesma descrença de quando Tesla, bem antes, construiu um barquinho a motor e o controlava com um “teleautômato”, leia-se: controle remoto.
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No início, o projeto da Torre de Wardenclyffe obteve apoio financeiro do famoso banqueiro J.P. Morgan. Mas esse apoio não prosseguiu após Morgan perguntar a Tesla onde seria colocado o medidor, recebendo como resposta que não haveria medidor, pois seu sistema com energia sem fio seria livre e gratuito.
O banqueiro desapareceu, o financiamento foi cortado e a reputação de Tesla ficou manchada. Em 1917, o cientista estava falido. A torre foi demolida, após o que Tesla mergulhou numa espécie de exílio silencioso e melancólico. Ele passou, então, a vagar pelos corredores de hotéis em Nova York (Tesla não se casou e não teve filhos), preenchendo cadernos com ideias que o mundo se recusava a ver, até seu falecimento, em 7 de janeiro de 1943.
Após sua morte, sozinho, em seu quarto de hotel, agentes federais invadiram o local e levaram documentos, notas, projetos e, segundo consta, 80 baús com rascunhos. Tudo isso foi confiscado em nome da segurança nacional, e há quem diga que há pelo menos 30 baús até hoje nos arquivos secretos do FBI ou em algum cofre do governo dos Estados Unidos.
Mas, como diz o apresentador Ivan Lima, quase um século é muito tempo para se manter um segredo enterrado; e o mundo atual, que se vê diante de uma crise climática e o problema dos combustíveis fósseis, entra em busca desesperada por energia limpa e, ao olhar para trás, o nome de Tesla ressurge das cinzas.
A genialidade de Tesla o tornava uma ameaça para as corporações que haviam investido fortunas construindo usinas e instalando medidores de energia em cada casa
Uma multidão de cientistas independentes, engenheiros e técnicos passaram a vasculhar livros, biografias, diários e todo material que encontraram sobre Tesla, incluindo mais ou menos 350 patentes de seus inventos oficialmente registrados. Estão tentando reconstruir o material de Tesla.
Nessa batalha, um grupo de engenheiros, numa velha garagem, se dedicou a recriar um dos motores mais misteriosos de Tesla: o Liberty Engine, um motor que Tesla dizia funcionar continuamente sem combustível. Quando ligaram o inacreditável motor, ele girou e continuou girando, extraindo energia do próprio ambiente.
Tesla afirmava que o planeta é como um grande motor, que pode conduzir energia pelas ondas de rádio, pela terra e pelo mar. Ele chamava isso de “energia radiante”. Ou seja, numa época em que a humanidade está focada em veículos elétricos, com seus altos custos ambientais e humanos para a extração de lítio, níquel e cobalto, a volta triunfante de Tesla parece cada vez mais próxima.
Em 2012, uma campanha on-line comprou o local original da Torre de Wardenclyffe para transformá-lo em museu. Mas, recentemente, algo mudou, a partir do movimento de entregas de equipamentos estranhos, aumento da segurança etc. Ou seja, lá dentro alguém está fazendo mais do que honrar o passado de Tesla: está secretamente testando seu futuro.
Tudo o que temos hoje – eletricidade, geladeira, televisão, rádio, micro-ondas, máquina de lavar, telefone celular, ressonância magnética, tomografia computadorizada – tem o dedo de Nikola Tesla
Boatos começaram a se espalhar, até que surgiu agora o nome de Christian von Koenigsegg, engenheiro automotivo e empresário sueco de 53 anos. Nos bastidores da indústria automotiva circula o boato de que Koenigsegg e seus 49 engenheiros estão trabalhando em um carro novo que não precisa ser conectado a nenhuma tomada – algo como o Liberty Engine, o motor de Tesla.
Se funcionar, o sonho da energia sem fio e de graça poderia se tornar realidade justamente no lugar onde foi esmagado. O Liberty Engine começou como uma centelha, mas agora está se espalhando. A verdadeira questão não é se ele funciona; é quem está pronto para deixá-lo funcionar. E o que aconteceria se a energia realmente se tornasse livre e gratuita?
Uma palavra final: tudo o que temos hoje – eletricidade, geladeira, televisão, rádio, micro-ondas, máquina de lavar, telefone celular, ressonância magnética, tomografia computadorizada etc. – tem o dedo de Nikola Tesla. E parece que, mesmo tendo falecido em 1943, Tesla continuará dando à humanidade algo que está escondido no fundo de seus baús de notas, projetos e desenhos.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos








