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Luís Ernesto Lacombe

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Campanha

Só levaremos a sério candidatos comprometidos com o fim dos abusos do STF

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Romeu Zema (em foto de 2023) tem batido de frente com Gilmar Mendes após escândalo do Banco Master. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

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Em época de eleição, fica muito evidente uma característica dos políticos brasileiros: quase nada do que eles fazem é para o bem do Brasil e do povo. Os interesses particulares, partidários, ideológicos, corporativistas, mercadológicos costumam definir as ações. Até que se aproxima a hora de os eleitores voltarem às urnas. Aí parece que os candidatos passam a pensar no que realmente importa. É uma postura transitória, invariavelmente, um movimento oportunista para caçar votos dos desinformados, daqueles que não têm senso crítico e capacidade de registrar e guardar na memória grande parte do que já vivemos.

O exemplo mais evidente disso vem do atual ocupante do Planalto. De repente, Lula resolveu demonstrar preocupação com o endividamento recorde dos brasileiros. Nunca o país teve tantos inadimplentes. Nunca essa gente deveu tanto. Quase 82 milhões de pessoas têm, hoje, dívidas que não conseguem pagar, dívidas que somam R$ 539 bilhões. E esse quadro não surgiu de uma hora para outra. Se o petista agora considera esse tema importante, isso obviamente tem a ver com a queda dele nas pesquisas eleitorais e de popularidade.

Os três principais opositores de Lula precisam ter um compromisso inabalável com a defesa da Constituição, das leis, da liberdade, do devido processo legal

Governos petistas sempre incentivaram o endividamento das pessoas, de várias formas. E, ao mesmo tempo, são especializados em produzir seus próprios déficits, rombos e suas dívidas. Diante disso, um Banco Central comprometido com o controle da inflação não pode baixar a taxa básica de juros. Hoje, a Selic está em 14,75% ao ano, e é apontada por economistas como o principal fator do endividamento do povo. Lula gasta demais e gasta mal. Ele tem empurrado o país e a maior parte da população para o buraco, impedido a queda dos juros, e finge que não tem nada a ver com o problema, mas com a solução, que, partindo dele, certamente, nunca virá.

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema agora surgiu como um grande crítico de abusos, arbítrios e ilegalidades praticados por ministros do Supremo Tribunal Federal. É um comportamento que surgiu justamente com o fim de seu segundo mandato à frente do estado e o início da pré-campanha presidencial. Ao longo de seus dois mandatos como governador, sua postura foi predominantemente pragmática. Não há registros de críticas sistemáticas, confrontos diretos ou denúncias públicas consistentes contra os inúmeros absurdos que partiram do Supremo. O Partido Novo, sim, fazia críticas pontuais à censura e ao Inquérito do Fim do Mundo, mas Zema não liderou ou amplificou esse discurso.

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Ele tem apresentado propostas boas para tentar moralizar o Supremo, mas a pergunta é: essa atitude está ligada apenas a um interesse eleitoral? Os embates com Gilmar Mendes têm favorecido o ex-governador mineiro... Uma das pesquisas indica que Zema saiu de quase zero para 7% das intenções de voto em poucos dias. Sim, ele é um bom gestor, já provou isso. Sim, seu foco era a administração estadual, mas os embates nacionais com a maior corte do Judiciário não podem mais ser evitados, e também não podem ser passageiros, apenas peça de propaganda política.

Só podemos considerar candidatos a presidente sérios aqueles que assumirem posição contrária aos desmandos de ministros do Supremo como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, eles principalmente. É preciso haver, de alguma forma, um compromisso inabalável com a defesa da Constituição, das leis, da liberdade, do devido processo legal. É isso que se espera dos três principais opositores de Lula: Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado – que, infelizmente, no ano passado, entregou a Toffoli, Gilmar e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o Título Honorífico de Cidadania Goiana... Que a campanha eleitoral indique o correto, o que deve ser feito, aponte para aquilo que importa mesmo ao Brasil, e que ninguém se desvie jamais desse caminho.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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