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Procuram-se brasileiros decentes. No Executivo federal, eles não existem. No Legislativo, são minoria. No Supremo Tribunal Federal, há apenas dois... A sessão de ontem no STF deixou isso claro. O presidente Edson Fachin fez jus ao tratamento que recebe nos bastidores, confirmou que é mesmo “Frachin”... Quem conduziu os trabalhos foi a tropa de choque de Alexandre de Moraes. Flávio Dino encarnou um “Rolando Lero” do mal. Gilmar Mendes foi o cão raivoso. Alexandre de Moraes, o rei do cinismo, do desvirtuamento. Cristiano Zanin, quieto quase o tempo todo, provavelmente agiu de forma incansável nos bastidores, como grande especialista na famigerada guerra jurídica. A gangue do mal criou o mais covarde tumulto, com manobras vis, falação desconectada da realidade, mentiras descaradas, agressões imperdoáveis. O único consolo é imaginar que o velório do STF deve ser também o velório de Lula.
De cara, a participação de Paulo Gonet, o procurador-geral da República também implicado no relatório da Polícia Federal sobre as mensagens de Daniel Vorcaro, deveria ser tratada como inconcebível. Alexandre de Moraes não ter sido impedido de votar, mesmo numa questão de ordem, é também enlouquecedor. A covardia de Nunes Marques, que foi ameaçado pela tropa do mal e se retirou do plenário, representou a primeira grande derrota do dia. E o que se estabeleceu foi a estratégia de não permitir que se decidisse sobre o mérito: Moraes deve ser investigado? Para isso, ministros que têm rasgado as leis, ou as interpretado conforme seus interesses, se entregaram a redescobrir o devido processo legal, o juiz natural, a ampla defesa, a imparcialidade, a cautela na produção de provas... Chegamos ao ponto de Moraes ter reclamado da atuação de André Mendonça, sem a provocação do Ministério Público ou da Polícia Federal... “De ofício”, ele disse. E repetiu: “de ofício”, ainda empunhando parte do seu principal instrumento de perseguição, o inquérito do fim do mundo.
As evidências contra Moraes são vastas e gravíssimas, mas querem livrá-lo e ainda implicar justamente o ministro que teve a coragem de expor as suspeitas sobre o colega
A confusão tomou conta de tudo, como se a tropa de choque de Moraes fosse a grande defensora do que é correto, da Constituição, tão agredida nos últimos sete anos e meio justamente por essa gente. A cara de pau criminosa não pôde ser camuflada... Na sessão de ontem, Moraes “completou sua cartela”... Ele conseguiu atuar em todos os papéis do Direito. Desde 2019, é vítima, acusador, investigador e julgador. Agora, também surge como suspeito e defensor... O que Moraes cobra para si é tudo o que negou aos perseguidos políticos. Seus falsos argumentos são uma agressão a todos os advogados que tentaram atuar nos inquéritos ilegais tocados por ele... Os defensores dos perseguidos nunca tiveram acesso total aos autos e nunca tiveram tempo hábil para analisar aquilo que puderam acessar.
Flávio Dino foi mesmo o autor dos maiores absurdos. Ele perguntou por que Alexandre de Moraes estava ali... E ele mesmo respondeu: “Porque os facínoras do 8 de Janeiro não gostam dele... Porque os assassinos da Marielle Franco não gostam dele... Porque o Donald Trump e o Elon Musk não gostam dele... Porque algumas pessoas não gostaram da atuação dele à frente do TSE na campanha de 2022”... E Dino ainda citou Thomas Hobbes, Juscelino Kubitschek, Aristóteles – de forma grotesca, aliás –, o cantor Chico César e o comediante Fábio Porchat. Vai ver que todos eles, mesmo os mortos – e Jair Bolsonaro, claro –, de alguma forma, obrigaram Moraes a se ligar a Daniel Vorcaro, a encaminhar a assinatura de contratos entre o Banco Master e o escritório de advocacia da família dele... Sim, a sessão, em horas e horas, nunca se aproximou de verdade de analisar e decidir se Alexandre de Moraes deve ser investigado por suas ligações com um banqueiro criminoso. As evidências contra ele são vastas e gravíssimas, mas querem livrá-lo e ainda implicar justamente o ministro que teve a coragem de expor as suspeitas sobre o colega, que se diz “vítima de uma vingança por defender a democracia”.
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Cármen Lúcia só se pronunciou no fim da sessão, para votar na questão de ordem. E fez um pedido de desculpas. É pouco, muito pouco. Ela contribuiu para chegarmos ao caos total, aprovou inquérito ilegal, autorizou censura, chamou todos os brasileiros de “pequenos tiranos”... Mesmo que agora reconheça parte de seus pecados, a ministra permanece no partido que defende as ilegalidades. Do outro lado estão os brasileiros decentes, que defendem o respeito às leis, que estão profundamente envergonhados com o que foi promovido ontem no plenário do Supremo. E são eles a esperança do Brasil, são eles que entendem que Moraes é Lula e Lula é Moraes. São eles que não querem permitir que o petista possa indicar mais quatro ministros para o STF, concluindo o aparelhamento da corte. São eles que sabem que não podemos mais esperar, que o ponto de virada é agora, que não dá mais para passar longe das soluções para o país.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Luís Ernesto Lacombe é jornalista há 37 anos. Trabalhou nas principais emissoras de televisão do Brasil. Recebeu o Troféu Imprensa e, por duas vezes, o Prêmio Comunique-se. Hoje, comanda a Revista Timeline e produz conteúdo para suas redes sociais, que reúnem quase 10 milhões de pessoas. É autor best-seller, com cinco livros publicados, de gêneros variados: poesia, literatura, romance e crônica. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



