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Trinta de abril de 2026: dia da votação da derrubada do veto da dosimetria no Congresso Nacional e, feliz coincidência, dia do encerramento da minha participação como colunista da Gazeta do Povo por força da legislação eleitoral. Da mesma forma como comecei, concluo este período: agradecendo ao veículo que abrigou meus artigos neste período de mais de três anos pelo espaço. E um acréscimo: agora preciso agradecer também aos leitores que acompanharam, semanalmente, minhas opiniões. Muito obrigado!
Escrevo num dia feliz não apenas em virtude da derrubada pelo Congresso do veto do presidente Lula à redução das penas dos condenados do 8 de janeiro, mas também por causa da rejeição no Senado da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de quarta-feira (29). Momento histórico pelo fato em si - há 132 anos que isso não acontecia - como também pela circunstância em que ocorre: a poucos meses das eleições mais importantes da nossa geração.
Muito obrigado à Gazeta do Povo, não apenas por este nobre espaço mas, sobretudo, pelo competente e corajoso trabalho jornalístico que realiza. E, reitero, muito obrigado a cada um dos leitores que, junto comigo, tem esperança por um Brasil em que sejam retomadas nossas liberdades
Como disse-me um servidor da Câmara que trabalha há quarenta anos no Congresso Nacional, o momento é de regozijo porque demonstra que o Parlamento ainda vive. “Estive aqui na Constituinte, vi Ulysses Guimarães presidente da Câmara, impeachment do Collor e da Dilma e, até ontem, achava que nunca mais veria algo de tamanha dimensão aqui. Me enganei”, falou sem esconder o sorriso e explicando a razão da felicidade. “Era muito importante que o Senado demonstrasse que não é apenas um carimbador do Executivo, ainda mais agora”.
Foram 42 votos contrários à indicação de Messias, um número que não deixou qualquer margem para discussão. Depois de indicar seu advogado pessoal e seu ex-ministro da Justiça neste mandato, Lula perdeu a quebra-de-braço com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e a oposição, e o Brasil fica livre, por ora, de mais um ministro que aparelharia ideologicamente o Supremo como já havia feito enquanto ministro na Advocacia-Geral da União (AGU).
Apesar de ser um excelente sinal de mudança de ventos no Brasil, ainda há muito pela frente. A defesa da anistia aos perseguidos políticos brasileiros continua na pauta, assim como o impeachment e a punição dos abusadores de autoridade - dos quais também sou uma das vítimas.
Foi nesta última semana, no início da tarde de terça-feira (28), que recebi a intimação do Supremo Tribunal Federal por ter sido denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por um discurso que fiz na tribuna da Câmara denunciando um policial federal por má conduta. No mesmo dia, também foram intimados por suas opiniões os deputados Gustavo Gayer (PL-GO) e Gilvan da Federal (PL-ES). Horas depois de ter sido intimado pelo judiciário, o relator do Conselho de Ética, deputado Moses Rodrigues (União-CE), recomendou a suspensão por dois meses do meu mandato e dos deputados Zé Trovão (PL-SC) e Marcos Pollon (PL-MS) pela ocupação da Mesa Diretora, quando defendemos a votação da anistia, em agosto passado.
São incontáveis os parlamentares, dos mais diversos partidos da direita e do centro, que têm sofrido perseguição do Consórcio PT-STF. E, mesmo assim, o Congresso Nacional nesses dois dias demonstrou reação. A intimidação já não dá mais o mesmo resultado e a mudança está próxima. Para que essa mudança seja possível, o papel da imprensa livre é essencial. E, por isso, esta coluna, que nunca foi tutelada pelo editor e sempre abrigou minhas opiniões sem qualquer interferência da Gazeta, exatamente como me foi prometido, cumpriu sua função e deu sua contribuição neste período para jogar luzes sobre as trevas e fazer barulho quando poderosos queriam nosso silêncio.
Novamente, muito obrigado à Gazeta do Povo, não apenas por este nobre espaço mas, sobretudo, pelo competente e corajoso trabalho jornalístico que realiza. E, reitero, muito obrigado a cada um dos leitores que, junto comigo, tem esperança por um Brasil em que sejam retomadas nossas liberdades, recuperada nossa democracia e onde haja justiça de fato. Nosso futuro é nosso e, por isso, está em nossas mãos. Até logo!
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos








