Filipa Pato, de fortes ligações com Curitiba e o Paraná, foi eleita Enóloga do ano em sua terra, Portugal.| Foto: Divulgação
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É como se fosse um prêmio para todos nós.

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Realmente, de uma maneira ou de outra, essa premiação da Filipa Pato como enóloga do ano em Portugal mexe com a gente por aqui. Primeiro, por ser ela muito querida; segundo, por ser demais de competente; terceiro, por ter fortes laços de relacionamento com Curitiba e o Paraná.

Não só por ter uma prima morando em Curitiba e com quem, algumas vezes, já foi às praias paranaenses, mas também pela relação que ela tem com a gastronomia local, graças ao perfeito meio de campo feito pelo pessoal da importadora Porto a Porto, responsável pela comercialização de seus vinhos no Brasil.

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Há pouco menos de dois anos tive a honra de poder participar, ao lado dela e do marido, o sommelier belga Willian Wouters, de um momento de reconhecimento a um dos seus melhores vinhos, o Nossa Calcário – 2015, o primeiro vinho da Bairrada a superar a marca de 95 pontos Parker (escrevi sobre isso aqui).

Melhor enóloga

E agora ela tem novamente a oportunidade de comemorar – e nós, por tabela, também. No ano em que comemora 20 anos de sua vinícola, Filipa Pato é eleita a Enóloga do Ano 2020 pela Revista de Vinhos, publicação conceituada de Portugal. Seus vinhos também atingiram excelentes pontuações na revista Wine Advocate, do crítico Robert Parker, e estão no Top 100 da publicação.

O resultado é o merecido prêmio para quem arriscou muito, quando acreditou ser possível trabalhar com biodinâmica na Bairrada e também quando apostou na casta Baga (típica da região) em exclusividade nos tintos, para o que fazia sentido na filosofia de vinhos autênticos, sem maquiagem. Foi resiliente durante muitos anos e o resultado chegou com o reconhecimento pela imprensa, nacional e internacional.

A enóloga elabora vinhos que demonstram a forte identidade com o local onde são produzidas as uvas, com um refinamento que conquistou o consumidor e os críticos internacionais. Seu mais recente lançamento no Brasil é o Dinâmica branco, que ela elabora junto com William Wouters, que é presidente da ASI (Associação Internacional de Sommeliers).

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Trata-se um branco que mistura as uvas Bical (80%) e Arinto (20%), também duas típicas da Bairrada. Todo o processo de elaboração é minucioso e artesanal: a colheita é manual, a prensagem dos cachos de uvas acontece com eles inteiros, a fermentação ocorre com as leveduras da própria uva e 10% é fermentado em barricas de carvalho francês (500 – 600 litros).

Para Filipa Pato, um vinho bom começa a ser elaborado no vinhedo, com os cuidados que a planta recebe, e que nenhuma das características do produto deve ser maquiada. O vinhedo (fez questão de me mostrar todos quando estive lá nessa última vez), aliás, é a dedicação primordial dela, onde passa 70% do meu tempo, pois acredita que, com uvas saudáveis, tudo se torna mais fácil na adega, sem a necessidade de maquiar as uvas.

Willian Wouters e Filipa Pato, o casal que revolucionou a produção de vinhos na Bairrada, pondo a sustentabilidade em prioridade. | Foto: Foto: Divulgação

Sustentabilidade

Desde 2014 os vinhedos estão em processo de conversão à biodinâmica e ela não usa herbicida desde 2009. O resultado tem sido excelente, com a utilização de animais nas vinhas.

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É é o caso das ovelhas, que ficam por lá entre novembro e fevereiro, quando ainda não há folhas nas videiras. Elas comem a erva toda em torno dos pés ainda secos. E também servem para fertilizar naturalmente o solo.

Na primavera, na altura em que há o natural o ataque dos caracóis, vão para o vinhedo as galinhas.

Como curiosidade, Filipa Pato é química de formação, mas nas suas vinhas e nos seus vinhos não há produto químico. Até as rolhas que vedam todos os vinhos da vinícola são de cortiça natural, de floresta biológica.

O novo vinho

O nome Dinâmica do vinho representa a dinâmica entre a videira, a fauna e a flora ao seu redor. No conceito dela, mostra que nestas vinhas, ao contrário da maioria das regiões do mundo, não há monocultura. Existem oliveiras, pinheiros, figueiras e arbustos, que protegem a videira e atraem animais de várias espécies.

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A biodiversidade é sempre uma prioridade e cria uma dinâmica especial e única. Os vinhos ali produzidos são o reflexo desse ecossistema criado ao longo dos anos, durante os quais a enóloga, o marido e os parceiros de trabalho se dedicaram à revitalização e à preservação das espécies autóctones, sem disfarces de herbicidas ou pesticidas.

Não tive a oportunidade de provar ainda, mas, pelo que li e pelo que me contaram, o resultado é um vinho branco extremamente elegante, que sugere aromas de frutas brancas, como peras, com notas de iodo e tomilho. Seus sabores são refinados, com muita mineralidade e uma espécie de salinidade, devido à proximidade ao Oceano Atlântico.

Trata-se de um vinho seco, frutado e com acidez persistente. Sugere-se harmonizar com queijos frescos de cabra e ovelha, peixe cru, marinado ou marisco, aves grelhadas e cozinha mediterrânea.

O Dinâmica Branco (tanto quanto o tinto) está com preço final de consumidor, nos pontos de venda - Festval, Adega Brasil e Armazém 71 -, em torno de R$ 155.

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