A primeira sensação é muito estranha. Para quem durante anos frequentou aquela casa, a imagem que vem à mente é do Giovanni Luchini à frente do enorme forno a lenha, preparando suas pizzas inigualáveis. Ou da Mia, indo pra lá e pra cá, para conversar de mesa em mesa sobre os serviços e o que estava sendo servido.
Bons tempos do Sapor Italia, um restaurante inigualável e que sempre me cativou. Mas Giovanni se cansou, a idade pesou e, depois de 19 anos, decidiu fechar a cantina no início do ano (o Bom Gourmet registrou o fato).
A bela casa antiga, tombada pelo Patrimônio Histórico, ficou lá por uns tempos, fechada, como se tivesse encerrado sua história no circuito gastronômico de Curitiba. Até que o proprietário do imóvel fez o convite ao empresário e restaurateur Nelson Goulart para que aproveitasse o local. A experiência dele décadas do restaurante rural Pasárgada, em Colombo, e, mais recentemente, com a bem sucedida experiência no Ibérico Restaurante, no Água Verde (Curitiba), foram os atributos que levaram ao contato e à proposta.
Para aceitá-la, Goulart decidiu estudar a fundo a cozinha italiana. Mas não os sabores toscanos, pois estes eram a assinatura do proprietário anterior, toscano de Viareggio – às margens do Mediterrêneo -, que, sabe-se, seriam insuperáveis. Então decidiu ir para o outro lado do país, para a outra costa da Itália, para a província de Abruzzo e, mais especificamente, para a cidade de Pescara, ali na frente do Mar Adriático.
A variedade do seu território, que oferece tudo, desde o mar até as montanhas das colinas para as cidades de arte, da cozinha genuína ao vinho fino, faz de lá um território agradável e tranquilo. As raízes de Abruzzo também influenciaram a culinária rica em pratos simples, mas deliciosos, feitos de legumes, carne, queijo, peixe e tudo muito rico em sabores. Uma boa gama, portanto, com pratos quase sempre acompanhados por um Montepulciano d’Abruzzo, o rei dos vinhos da região, cuidadosamente fermentado e de ótimo resultado final.
Nelson Goulart ficou por uns tempos lá e voltou convicto de sua opção: seria um restaurante italiano com foco naquela região. E assim, nada mais lógico do que denominá-lo Pescara, referência à principal cidade da província, com seus pouco mais de 130 mil habitantes.
Funcionando
Abriu em junho (conforme noticiou o Bom Gourmet), entregando a cozinha ao chef Francisco Koeler, que já havia trabalhado com Goulart e passou pelos hotéis Mabu e Deville. Entre as entradas que concebeu e executa, estão o Carpaccio de polvo (R$ 25), servido com radicce roxo e páprica, a Torre de legumes ao forno (R$ 20) – abobrinha, berinjela, tomate e cebola grelhados, que queijo parmesão e pesto – e a Linguiça de cordeiro com maçã (R$ 20) – linguiça artesanal de cordeiro grelhada ao vinho tinto sobre pão especial e maçã caramelizada com especiarias.
Os pratos principais estão divididos entre mar e terra, para levar à mesa os contornos da região. Do mar, entre outros, um Peixe do dia na crosta de sal, com pimentões e batatas assados (R$ 90, dependendo da disponibilidade do dia), Pappardalle com camarões (R$ 64) ou um Raviolone de ostras do Pacífico (R$ 49). E agora, também, uma Cauda de lagosta grelhada com risoto de beterraba (R$ 59, que experimentei e é deliciosa), que entra como atração da casa no Festival Bom Gourmet, a se iniciar na próxima sexta-feira.
Da terra (do monti), uma gama bem mais vasta, com a tradicional Saltimbocca (R$ 69), a Canela (stinco) de cordeiro com fusilloni de grano duro ao molho do próprio assado (R$ 69), a Pancetta di Pescara (R$ 59) – pancetta suína fresca, marinada em ervas, cravo e vinho branco, enrolada e assada, guarnecida com batata ao forno com alecrim, molho de tomates frescos e muçarela de búfala – e o Coelho Al’Abruzzo (R$ 79), pernil, paleta ou lombo do coelho marinados ao vinho branco com ervas e especiarias em cocção lenta por seis horas e guarnecidos com purê de batata-doce e molho do próprio assado com toque de mostarda de Dijon. Também tem o prato do Bom Gourmet, o Ossobuco black angus feito em baixa temperatura por seis horas, com Pappardelle feito na casa, com farinha de semolina de grano duro (R$ 59), servido com demi glace da própria carne.
De sobremesa, clássicos, como o Tiramisù (R$ 18), Panna cotta com geleia de morangos de Colombo* (R 18) e a Palha italiana trufada, com sorvete de limão siciliano, estas duas últimas na promoção especial do Festival Bom Gourmet.
O resultado todo da nova casa é encantador e recompensador. Nelson Goulart conseguiu manter toda a ótima energia italiana da casa, preservando a imagem de memória do antigo local (foram pouquíssimas as modificações, desde uma passagem aberta no balcão até os novos e bem-acabados banheiros) ao mesmo tempo que oferece uma personalidade própria e muito saborosa no cardápio que propõe oferecer.
A adega conta com 50 rótulos, especialmente vinhos italianos, mas o cliente pode levar seu próprio vinho, pois não se cobra a rolha.
É para ir e voltar inúmeras vezes, com certeza.
*Em Colombo
A geleia de Colombo se explica, pois é lá que funciona – como já disse acima -, o Pasárgada, de onde ela vem. Pasárgada aliás, que, para minha agradável surpresa, resgatou a memória italiana do Sapor Italia. Nas toalhas de mesa, nos pratos personalizados (com a inscrição Sapor Italia Da Giovanni) e nos posters que antes ornamentavam as paredes do antigo restaurante e hoje estão expostos em novo e aconchegante ambiente.
(Para os próximos dias prometo um post com sobre esse tradicional restaurante que mantém vivas as origens italianas em Colombo.)
Pescara Cucina Italiana
Avenida Iguaçu, 1270 – Rebouças
Fone: (41) 3042-8004
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