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Durante décadas, o desenvolvimento econômico e imobiliário brasileiro esteve concentrado nas capitais. Mas os dados mais recentes do Censo Demográfico mostram que essa lógica está mudando. Entre 2010 e 2022, o Brasil ganhou 12,3 milhões de habitantes, e cerca de dois terços desse crescimento ocorreu em cidades médias, com população entre 100 mil e 500 mil moradores.
O fenômeno ajuda a explicar o protagonismo crescente de municípios como Londrina e Maringá, no Norte do Paraná, que vêm registrando expansão econômica, valorização imobiliária e aumento da demanda habitacional acima da média nacional. Mais do que uma tendência regional, o movimento reflete uma mudança estrutural no mapa do desenvolvimento urbano brasileiro.
Segundo os resultados do Censo 2022, as cidades médias cresceram proporcionalmente mais do que muitas capitais e grandes centros urbanos, impulsionadas pela diversificação econômica, melhoria da infraestrutura e busca por qualidade de vida. No Paraná, Londrina e Maringá simbolizam essa transformação.
Londrina ultrapassou a marca de 555 mil habitantes e alcançou PIB de R$ 27,9 bilhões em 2023, consolidando-se como a principal economia do interior paranaense. Maringá, por sua vez, possui população estimada em aproximadamente 430 mil habitantes e movimentou R$ 27,8 bilhões em sua economia no mesmo período, figurando entre as maiores economias do Sul do Brasil.
O dinamismo econômico vem sendo acompanhado pelo fortalecimento do mercado imobiliário. Dados da Brain Inteligência Estratégica apontam Maringá entre as cidades brasileiras com maior valorização imobiliária, enquanto Londrina registrou o maior Valor Geral de Vendas (VGV) de sua história, alcançando R$ 3,3 bilhões em comercializações imobiliárias.
Para Beto Justus, CEO da Blendi Empreendimentos, o desempenho das duas cidades não é um fenômeno isolado.
"As cidades médias passaram a oferecer uma combinação difícil de encontrar nos grandes centros: geração de empregos, infraestrutura urbana, mobilidade, serviços de qualidade e custo de vida mais equilibrado. Isso faz com que elas atraiam tanto moradores quanto investidores e empresas", comentou Justus.
A mudança também está relacionada ao perfil da população brasileira. Com 87,4% dos brasileiros vivendo em áreas urbanas, cresce a demanda por cidades capazes de oferecer oportunidades econômicas sem os desafios típicos das metrópoles, como longos deslocamentos, congestionamentos e elevado custo habitacional.
No mercado imobiliário, esse cenário tem impulsionado especialmente o segmento econômico e os empreendimentos voltados ao primeiro imóvel. Em Londrina, aproximadamente um quarto das famílias ainda vive em imóveis alugados, demonstrando o potencial de expansão da habitação própria. O programa Minha Casa, Minha Vida também tem contribuído para ampliar o acesso ao crédito e sustentar o crescimento da demanda.
A Blendi é uma das empresas que acompanha de perto esse movimento. Fundada em 2019, a incorporadora soma mais de 3 mil apartamentos lançados e mais de R$ 500 milhões em Valor Geral de Vendas acumulado, com atuação concentrada em Londrina, Maringá e Apucarana.
Para Luã Brandalise, COO da empresa, a tendência deve se intensificar nos próximos anos.
"Estamos observando uma descentralização gradual do desenvolvimento imobiliário brasileiro. Cidades médias com economias fortes, planejamento urbano e qualidade de vida tendem a ganhar cada vez mais protagonismo. O Norte do Paraná reúne todos esses fatores e deve continuar atraindo investimentos e novos moradores."
Na avaliação de especialistas do setor, a próxima década poderá consolidar uma nova geografia imobiliária no país, com cidades médias assumindo papel cada vez mais relevante na geração de riqueza, atração de talentos e expansão habitacional. Nesse cenário, Londrina e Maringá surgem como exemplos de uma transformação que já está em curso: a ascensão do interior como protagonista do desenvolvimento brasileiro.









