
Ouça este conteúdo
Quando Jesus chegou à terra dos gerasenos — uma região predominantemente pagã —, veio ter com Ele um homem dominado por um espírito imundo, que morava nos sepulcros. O Filho de Deus lhe pergunta:
— Qual é o teu nome?
— Meu nome é Legião, somos muitos.
Essa passagem nos mostra que um ditador — mesmo que exerça o seu domínio sobre a alma de uma única pessoa — nunca age sozinho: ele necessita de uma rede de apoiadores, cúmplices, comparsas. Todo tirano depende de uma cadeia de comando formada por indivíduos que obedeçam às suas ordens.
Neste fim de semana, assisti a um filme perturbador, indicado pelo meu amigo e leitor Douglas Correia: “Speak No Evil” (Não Fale o Mal), que mostra as ações de um casal de psicopatas contra uma família dinamarquesa. O diálogo que mais me deixou estarrecido se deu quando uma das vítimas pergunta ao agressor:
— Por que vocês estão fazendo isso conosco?
— Porque vocês deixaram.
Essa resposta nos ensina que o psicopata, uma vez imbuído de poder e meios de ação, não deixará de fazer o mal enquanto ninguém o impedir. Ele só vai parar de cometer atrocidades quando alguém disser NÃO.
Alexandre de Moraes é uma prova viva das duas teses que acabei de expor. Há sete anos e meio, desde a abertura do Inquérito do Fim do Mundo, esse ditador inspirado pelas profundezas comete o mal em série, tendo destruído a vida de milhares de pessoas e sepultado o império da lei no país. As ações desse personagem maligno resultaram na completa inversão ontológica da realidade no Brasil, como bem apontou o ministro André Mendonça na decisão que determinou o afastamento do chefe da Stasi de Lula, Andrei Rodrigues:
“Diante do quadro ora apresentado, que mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell em sua célebre distopia, intitulada “1984”, verifica-se, a mais não poder, que [a] a produção dos ‘relatórios de inteligência’ em questão, [b] o fato de sobre eles ter sido dada ciência prévia ao Ministro Alexandre de Moraes e [c] a posterior divulgação desses “documentos”, revelam fatos de extrema gravidade, com repercussões não apenas no plano institucional, mas também quanto à segurança e integridade pessoal de integrante deste Supremo”.
André Mendonça teve a coragem de dizer NÃO ao ditador — e de punir um de seus principais cúmplices. Esse NÃO deve agora ecoar por todo o Brasil diante das decisões ilegais do atual regime. Brasileiros, é hora de dizer NÃO aos assassinos da liberdade e da lei em nosso país. Só assim venceremos essa legião do mal absoluto que se instalou no poder em 2002.
“A superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência’ publicizados pelo Ministro Alexandre de Moraes impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas.”
(André Mendonça, 8 de setembro de 2026)
Canal Briguet Sem Medo: Acesse a comunidade no Telegram e receba conteúdos exclusivos.

Paulo Briguet é escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias de comunicação no Paraná. Foi colunista da Folha de Londrina e editor-chefe do jornal Brasil Sem Medo. Publicou diversos livros, dentre eles: “Nossa Senhora dos Ateus”, "Coração de mãe", “O Mínimo sobre Distopias” e “Diário de Moby Dick”. Já escreveu mais de 2 mil crônicas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



