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Paulo Briguet

Paulo Briguet

“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Resistência ao mal

André Mendonça, o homem que disse NÃO

O poder tirânico não deixará de fazer o mal enquanto ninguém o impedir. Só parará de cometer atrocidades quando alguém disser NÃO. (Foto: ChatGPT sobre foto de Rosinei Coutinho/STF)

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Quando Jesus chegou à terra dos gerasenos — uma região predominantemente pagã —, veio ter com Ele um homem dominado por um espírito imundo, que morava nos sepulcros. O Filho de Deus lhe pergunta:

— Qual é o teu nome?

— Meu nome é Legião, somos muitos.

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Essa passagem nos mostra que um ditador — mesmo que exerça o seu domínio sobre a alma de uma única pessoa — nunca age sozinho: ele necessita de uma rede de apoiadores, cúmplices, comparsas. Todo tirano depende de uma cadeia de comando formada por indivíduos que obedeçam às suas ordens.

Neste fim de semana, assisti a um filme perturbador, indicado pelo meu amigo e leitor Douglas Correia: “Speak No Evil” (Não Fale o Mal), que mostra as ações de um casal de psicopatas contra uma família dinamarquesa. O diálogo que mais me deixou estarrecido se deu quando uma das vítimas pergunta ao agressor:

— Por que vocês estão fazendo isso conosco?

— Porque vocês deixaram.

Essa resposta nos ensina que o psicopata, uma vez imbuído de poder e meios de ação, não deixará de fazer o mal enquanto ninguém o impedir. Ele só vai parar de cometer atrocidades quando alguém disser NÃO.

Alexandre de Moraes é uma prova viva das duas teses que acabei de expor. Há sete anos e meio, desde a abertura do Inquérito do Fim do Mundo, esse ditador inspirado pelas profundezas comete o mal em série, tendo destruído a vida de milhares de pessoas e sepultado o império da lei no país. As ações desse personagem maligno resultaram na completa inversão ontológica da realidade no Brasil, como bem apontou o ministro André Mendonça na decisão que determinou o afastamento do chefe da Stasi de Lula, Andrei Rodrigues:

“Diante do quadro ora apresentado, que mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell em sua célebre distopia, intitulada “1984”, verifica-se, a mais não poder, que [a] a produção dos ‘relatórios de inteligência’ em questão, [b] o fato de sobre eles ter sido dada ciência prévia ao Ministro Alexandre de Moraes e [c] a posterior divulgação desses “documentos”, revelam fatos de extrema gravidade, com repercussões não apenas no plano institucional, mas também quanto à segurança e integridade pessoal de integrante deste Supremo”.

André Mendonça teve a coragem de dizer NÃO ao ditador — e de punir um de seus principais cúmplices. Esse NÃO deve agora ecoar por todo o Brasil diante das decisões ilegais do atual regime. Brasileiros, é hora de dizer NÃO aos assassinos da liberdade e da lei em nosso país. Só assim venceremos essa legião do mal absoluto que se instalou no poder em 2002.

“A superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência’ publicizados pelo Ministro Alexandre de Moraes impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas.”

(André Mendonça, 8 de setembro de 2026)

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