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Paulo Briguet

Paulo Briguet

“O Paulo Briguet é o Rubem Braga da presente geração. Não percam nunca as crônicas dele.” (Olavo de Carvalho, filósofo e escritor)

Ilusões perdidas

Choque de realidade: a moça de Paris e o eleitor do Lula

A ativista de Paris descobriu as consequências de suas ilusões; no Brasil, muitos ainda esperam que o Desajustado tenha bom coração. (Foto: Imagem criada utilizando Chatgpt/Gazeta do Povo)

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Vocês viram o rosto da moça francesa que teve a loja saqueada por bandidos na Paris socialista, durante os protestos do último fim de semana? Aquela é a expressão de todo militante do amor quando se vê diante das consequências de seus próprios atos. Só mesmo um grande trauma pode fazer alguém abandonar suas ilusões mais queridas.

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No conto “É difícil encontrar um homem bom”, de Flannery O’Connor, uma família em viagem sofre um acidente e é encontrada por criminosos foragidos liderados por um sombrio Desajustado, um assassino em série. A avó reconhece o assassino e sela o destino de todos. Enquanto os parentes são levados um a um para serem executados no mato, a velha senhora tenta comover o psicopata até o último suspiro, repetindo que ele é um homem de bom coração: “Você é uma das minhas crianças, um dos meus filhinhos!”. O Desajustado dá três tiros no peito da idosa e, com frieza absoluta, limpa os óculos.

A primeira vez que li esse conto, em um velho exemplar emprestado da Biblioteca Municipal, foi em 2002, o ano em que morreu Celso Daniel e Lula ganhou sua primeira eleição.

Na época, ainda não vivíamos em um país totalmente dominado pelo narcoterrorismo e governado por organizações criminosas. Ainda não havíamos conhecido o Mensalão, nem o Petrolão, nem a recessão da Dilma, nem o Inquérito do Fim do Mundo, nem a farsa do 8 de janeiro, nem o roubo do INSS, nem o golpe do Master, nem o escândalo Lulinha, nem o afundamento geral da nação. Na Presidência da República, não havia ninguém que já tivesse sido condenado por corrupção e lavagem de dinheiro; jamais se imaginaria que um tal Desajustado viesse a lançar uma candidatura e a ser proclamado presidente. Mas já havia muita gente com o mesmo discurso da velha senhora do conto:

“Sei que o senhor é um homem bom, não é uma pessoa qualquer!”

Votar em Lula é esperar que, desta vez, o lobo poupará suas vítimas

Eis que os anos se passaram e o Partido dos Desajustados não apenas chegou ao poder no Brasil, como o devastou completamente, a ponto de ser quase impossível discernir onde termina o Estado e começa o crime.

Votar em Lula, hoje, depois de tudo, é reproduzir o comportamento daquela senhora estúpida e da moça francesa simpática aos bandidos. É esperar que, desta vez, o lobo poupará suas vítimas. É acreditar que agora, finalmente, o Desajustado será bonzinho e revelará que tem um coração.

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