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A diferença entre o jornalismo e a literatura é que o jornalismo fala das coisas que aconteceram, e a literatura fala das coisas que acontecem. Lula foi estúpido; isso é algo que os jornais mostram todos os dias, mesmo que alguns tentem passar pano. Mas só a literatura será capaz de fixar a estupidez permanente de Lula no imaginário das pessoas.
Desta vez, em Catalão (GO), o ocupante da Presidência declarou sobre seus inimigos políticos:
— São vendilhões da pátria, traidores. Por menos que isso, Joaquim Silvério dos Reis, delator de Tiradentes, foi enforcado em praça pública. O que merecem os traidores da pátria?
Todos conhecem a monumental incultura de Lula, mas, desta vez, é preciso dizer que ele se superou. Joaquim Silvério, o delator da Inconfidência Mineira, não foi enforcado. Ao contrário, ele foi premiado por delatar o líder da insurreição, cujo estopim foi a cobrança do “quinto dos infernos” sobre o ouro pela Coroa Portuguesa (ou seja, 20% de impostos). Morreu de causas naturais, no Maranhão, 30 anos após a condenação de Tiradentes à forca.
No clássico “Romanceiro da Inconfidência”, a grande Cecília Meireles dedica versos mordazes ao traidor e delator do movimento (uma espécie de Mauro Cid da época):
“Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério:
que ele traiu Jesus Cristo,
tu trais um simples Alferes.
Recebeu trinta dinheiros...
— e tu muitas coisas pedes:
pensão para toda a vida,
perdão para quanto deves,
comenda para o pescoço,
honras, glória, privilégios.
E andas tão bem na cobrança
que quase tudo recebes!”
Não consigo deixar de ler os versos que falam sobre a “comenda para o pescoço” e “honras, glória, privilégios” sem pensar no dia em que Lula condecorou Alexandre de Moraes exatamente quando Clezão, vítima da ditadura luloalexandrina, era enterrado na Bahia.
Os inconfidentes se revoltaram contra o quinto e foram traídos por Joaquim Silvério; hoje, temos no Brasil quase metade da renda nacional afanada dos cidadãos comuns pela criminosa carga tributária do regime.
De 1500 a 1822, Portugal levou do Brasil cerca de 1,5 mil toneladas de ouro, o que equivaleria, em números atualizados, a R$ 550 bilhões. Isso representa 19% do que o governo Lula arrecadou no ano passado. Ou seja, a Coroa Portuguesa levou 322 anos para retirar aquilo que o Estado brasileiro surrupia em dez semanas.
Só no último mês de abril, o regime luloalexandrino sugou R$ 278 bilhões dos brasileiros — o que equivale à metade do ouro do Brasil levado durante o período colonial
Essa vampirização das forças vitais da sociedade, acompanhada da gastança e da corrupção generalizada do setor público, está levando o país ao abismo fiscal: o país consegue a proeza de bater recordes de arrecadação (R$ 3 trilhões) e de dívida pública (R$ 10 trilhões). Ao mesmo tempo, mais de 80% dos brasileiros estão negativados.
Um governo catastrófico como este precisa fazer o que os governos catastróficos sempre fazem: impedir a divulgação da verdade e eliminar os críticos. Por isso, é necessário “enforcar” os adversários, mesmo que, para isso, seja preciso inverter a história e semear o ódio entre as fileiras da militância histérica (não por acaso, Lula fez seu discurso no ambiente controlado de uma universidade federal).
Quando Lula fala em “enforcar” adversários, ele não está fazendo uma metáfora, mas sim uma metonímia. É a revelação de uma parte do que ele pretende fazer — e já está fazendo — com um país que o rejeita. Seu objetivo claro é conduzir o Brasil à destruição completa para então reinar sobre as ruínas e sobre uma população de dependentes do auxílio estatal. Este sempre foi o projeto de poder da esquerda.
O Brasil já sabe que o verdadeiro traidor da Pátria está sentado na cadeira presidencial. Por isso, Lula está furioso com o fato de não conseguir diminuir seu índice de rejeição, mesmo adotando as mais onerosas medidas eleitoreiras. Em sua visão invertida da realidade, Lula considera que traição é classificar os “seus” criminosos como terroristas; é denunciar que o seu regime é construído inteiramente sobre os pilares do roubo, da mentira e da censura; é a possibilidade, cada vez mais evidente, de encerrar sua carreira com uma derrota vergonhosa, para que um dia alguém venha escrever sobre ele o que Cecília escreveu a propósito de um outro traidor:
“Melhor negócio que Judas
fazes tu, Joaquim Silvério!
Pois ele encontra remorso,
coisa que não te acomete.
Ele topa uma figueira,
tu calmamente envelheces,
orgulhoso e impenitente,
com teus sombrios mistérios.
(Pelos caminhos do mundo,
nenhum destino se perde:
há os grandes sonhos dos homens,
e a surda força dos vermes.)”
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