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Reação fisiológica

Gilmar Mendes me dá nojo

GILMAR MENDES NOJO
O nojo é uma resposta emocional básica e uma reação fisiológica adaptativa do corpo humano. (Foto: Rosinei Coutinho/ STF)

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Por dever de ofício, estou aqui revendo o Gilmar Mendes na sessão do STF. Aquela sessão. E a cada manifestação, cada absurdo, cada confissão de que se trata de uma alma perdida para esse lamaçal de orgulho e autossuficiência, meu rosto se contorce todo numa expressão que só posso chamar de nojo. Indisfarçável nojo. “O que houve? Tá passando mal?”, minha mulher acabou de entrar aqui e me perguntar. Não, só estou escrevendo uma frase sobre Gilmar Mendes e interpretando o nojo que sinto. “Ah, tá”.

Coisa feia, sentir nojo de alguém. Mesmo que esse alguém seja Gilmar Mendes. Diante de tanta nojeira, porém, como evitar? Gilmar Mendes que que o tempo todo (o. tempo. todo.) racionaliza suas más intenções, numa tentativa nauseabunda de envernizar com tons de virtude e legalidade aquilo que é evidentemente vício. Tá na cara que é vício. Uma sequência de vícios. Um amontoado de vícios que chamei de lamaçal, mas talvez esteja mais para um poço de areia movediça no qual caiu o país e não há jeito de ele escapar. Pelo menos eu não enxergo uma saída.

Não consigo evitar

Nessas horas, me lembro de S. Josemaría. Vivemos uma crise de homens santos. Mas esse era o olhar de quem via a escassez num mundo que demandasse bondade. No caso de Gilmar Mendes, acho que é o contrário. É uma crise decorrente da abundância de homens maus. Sim, eles estão por todos os lados. Homens dispostos a fazer e propagar o mal num mundo que demanda o mal. Mais, mais, mais. O mal que o tempo todo seduz os tolos com suas promessas de paz (à força), prosperidade (que em geral é só ganância mesmo), e o que chamam de liberdade, mas é apenas escravização pelo prazer.

Vejo Gilmar Mendes e vejo os outros vendo Gilmar Mendes e cada vez menos entendo quem fica indignado. Porque o nojo se encerra em si, enquanto a indignação pressupõe desejo de mudança. E quando penso nessa mudança estou pensando, sim, na política, mas também na mudança pessoal. Em exame, confissão, arrependimento e redenção. No limite, a indignação pressupõe a crença numa intervenção divina capaz de mudar um mundo (e um homem) que já me parece incapaz de distinguir o bem do mal. Daí meu espanto. Não entendo. É podridão demais. Imundície. Gilmar Mendes me dá nojo. É uma reação fisiológica. Que me desculpem os ofendidos, mas não consigo evitar. Eca.

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