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Escrevi no Twitter a razão do meu otimismo em relação à situação do Brasil. Principalmente quanto ao STF autoritário. Especificamente sobre o nosso líder master, Alexandre de Moraes. É um motivo simples. Reconheço que até meio tolo. Beira a loucura. Mas é meu: “(...) talvez não seja agora, mas uma hora Alexandre de Moraes vai tropeçar na soberba e mexer com gente realmente mais poderosa do que ele. E vai levar um pé no traseiro. Vai ser bonito”.
Se eu realmente acredito nisso? Hoje sim. Amanhã, não sei. Meu otimismo é instável. Tem horas em que me lembro que todos os tiranos do tipo tiveram um mesmo destino: o lata de lixo da história. Aí uma voz me sussurra que nem todos, Paulo, nem todos. Tem hora em que evoco o velho ditado que diz que a soberba sempre precede a queda. Aí a mesma voz me sussurra que nem sempre, Paulo, nem sempre. Ou melhor, sempre, mas não na hora em que eu quero e tu queres. Isto é, agora. Aliás, queremos.
Verdadeiros titereiros
É complicado. Mas me recuso a ceder ao pessimismo que tomou conta daqueles que comentaram meu humilde tuíte, muitos dizendo que não existe ninguém mais poderoso do que Alexandre de Moraes e que ele conseguiu derrotar até o presidente dos Estados Unidos e o homem mais rico do mundo. Sim, é verdade. Mas quando falo em “mexer com gente realmente mais poderosa do que ele” não penso em Trump nem Musk. Penso em líderes que atuam nos bastidores. Nos verdadeiros titereiros do país.
Sem falar que existe o poder que não é deste mundo. Aquele que a gente teima em esquecer. O poder do improvável. Do Imponderável de Almeida. Do acaso. Daquilo que não está no nosso radar e de repente, pá, acontece De repente surge alguém, ué! Daquilo que não ousamos imaginar. É uma esperança frágil? É. Mas me deixa! Só por hoje, estou convicto de que um dia verei Alexandre de Moraes saindo do STF pela porta dos fundos e, se você não consegue imaginar essa cena neste momento, tudo bem. Só não vale destruir a esperança do coleguinha. Nem tentar convencê-lo de que seu (no caso, meu) otimismo é errado.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



