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Semana passada, enquanto estávamos entretidos com a proibição da escala 6x1, a sabatina de Lula no Jornal Nacional e mais revelações pornográficas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, a Tesla exibia para o mundo o Roadster, um carro esportivo que simplesmente é capaz de realizar manobras no ar. Isso mesmo: um carro voador. Coideloco. Assustador e ao mesmo tempo... emocionante. E um tantinho deprimente, levando em conta a primeira frase desta crônica.
Criar. Fomos feitos para isso, mas parece que aqui abaixo da linha do Equador preferimos ceder à esterilidade e à preguiça das discussões inúteis ou protelatórias. Tudo aquilo que parece importante e definitivo, mas você vai ver de perto e meh. Não é nada disso. Daqui a três meses ninguém mais lembra. Indolência & morte – esse deveria ser o mote da nossa bandeira. Porque é disso que se trata a infinita disposição nacional para a inércia, a apatia e a indiferença. Discutimos tudo; não criamos nada já faz um tempinho. (Desculpe, tô revoltado).
Teletransporte
Cara, o carro fica paradinho na vertical. Depois, aciona uns negócios de ar comprimido e faz manobras no ar. Voa de ponta-cabeça e tudo. Na prática, o Roadster ainda é apenas uma brincadeira e não serve para nada além de atiçar a imaginação de quem está no meio de um congestionamento, aciona os propulsores e, pum!, continua preso no congestionamento, só que mais à frente. Ah, se eu tivesse um Roadster agora. Também não vi muita utilidade nessa coisa de o carro ficar na vertical. Mas que é legal de ver, lá isso é. E quem discordar é um chato.
A mim as imagens de demonstração das capacidades acrobáticas do Roadster me levaram à infância. Para aquela época em que os carrinhos eram capazes dos feitos os mais absurdos nas mãos de um menino entediado. E também às horas diante da televisão, assistindo ao delicioso futuro dos Jetsons. Um futuro no qual, apesar da tecnologia, os dramas humanos continuam exatamente os mesmos dos Flintstones. O que dá o que pensar. Agora fico à espera da invenção do teletransporte. Alguém pergunta ao Elon Musk se falta muito, por favor.

Paulo Polzonoff Jr. é jornalista e escritor, não necessariamente nessa ordem. Já foi também tradutor, mas agora não tem tempo. Na Gazeta do Povo, escreve sobre política, cultura, filosofia e assuntos da atualidade. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



