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Psicografia

Do Além, Rui Barbosa fala sobre sessão do STF: “Luiz foi ameaçado”

RUI BARBOSA
Sem acreditar no que o Luiz fez e não fez na sessão do STF, Rui Barbosa conclui: "Foi ameaçado". (Foto: Domínio Público/ Wikipedia)

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Luiz foi ameaçado. É o que se cogita aqui no Além. Não, não sei quem ameaçou. Tampouco sei qual foi a ameaça. Luiz foi ameaçado. Os anos de docência não permitiriam incompreensões sobre o regimento, quais as qualificações jurídicas do que é um voto como ato jurídico perfeito, seguido por um contraditório pedido de vistas daquele que já votou. Luiz foi ameaçado. A experiência de décadas como procurador do Estado não permitiria o desconhecimento do que fazer quando aquele que votou e depois pediu vista devolveu a ele, Luiz, a pergunta sobre como computar o que tinha ocorrido.

Luiz foi ameaçado. Sua história não permite ignorar que, ao se presidir um colegiado, não se pode delegar a presidência a um dos componentes nem se pode permitir que um integrante interrompa os demais quando e como quiser. Luiz foi ameaçado. Não sei qual a ameaça. Não sei quem ameaçou. Só sei que não é possível imaginar que o antes advogado experiente e experimentado nos Tribunais não teria previsto que, às vésperas do julgamento, tentariam fragilizar os membros da Corte que fossem potencialmente refratários ao consórcio governamental, que novas denúncias, novas mensagens surgiriam, com o objetivo de obstruir a decisão que o Brasil esperava, tinha todo o direito de esperar e continua esperando.

Isto ele não é

Luiz foi ameaçado. Não se sabe qual a ameaça ou quem ameaçou. Talvez tenha ocorrido nos quarenta minutos de atraso para começar a sessão; talvez tenha ocorrido na noite anterior. O magistrado literato não poderia deixar de compreender o que queriam lhe dizer quando desferiram a acusação direta de que ele, jurista, teria convocado uma sessão desastrosa, que o condenaria a ter de convocar outras tantas sessões iguais, e de jogar a imagem da Corte na latrina em rede de televisão e internet.

Luiz foi ameaçado. Como não reagir a um pedido de vistas que foi justificado na omissão de ele mesmo, presidente, proteger a corte? Nenhuma palavra em sua própria defesa? Por qual razão o silêncio? Luiz foi ameaçado. Não se sabe qual a ameaça, nem tampouco quem ameaçou. Se Luiz não tivesse sido ameaçado, ele não seria um professor, e sim um ignorante para o direito, um despreparado para a função ou simplesmente um covarde. Isto ele não é.

Rui Barbosa (1849–1923) fui jurista, político, diplomata, escritor e um dos maiores intelectuais brasileiros do meu tempo. Conhecido pela erudição e pela oratória exuberante, fui também um dos mais célebres defensores da República e do direito no Brasil. Modéstia à parte, claro.

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