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Até quando o mercado ficará irracional?
| Foto: Scott Heins/Getty Images/AFP

Perdemos as referências. É assim que posso classificar os últimos dias dos mercados em geral. Bolsas nos EUA, Europa, Japão, outros países desenvolvidos e aqui no Brasil estão visualizando algo ou jamais visto, ou não tão próximo da história recente. Em 2008, no auge da crise financeira do subprime nos EUA, acompanhamos “o fim do mundo” na economia. Desta vez, a ordem mundial é diferente. Estamos diante de uma crise de saúde global com o rápido avanço do coronavírus. Países como Espanha, Itália, Argentina e Canadá fechando suas fronteiras. Companhias aéreas restritas de voar por períodos determinados ou até indeterminados, proibindo o ir e vir dos cidadãos com único objetivo: conter o vírus que assombra o mundo neste momento.

A preocupação é tanta que mesmo no campo econômico não temos mais referências. Bancos Centrais de parte do mundo como EUA, Nova Zelândia, Chile optaram por cortar juros em reuniões extraordinárias. Aqui no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) decide sobre a Selic na quarta feira (18), mas há quem diga que a antecipação também é possível. Apenas se discute a magnitude do corte que virá. Para adicionar ainda mais dramaticidade a tudo isso, disputas entre Arábia Saudita e Rússia (dois dos principais produtores de petróleo do mundo) derrubam o preço da commodity. Há pontos positivos e negativos neste último fato, mas diante da situação atual, acaba pendendo somente para o pior.

Com o cenário descrito acima, o que estamos vendo é uma das quedas mais rápidas e agudas da história da bolsa nacional. As incertezas quanto a possibilidade real de recessão em boa parte do mundo trazem perspectivas nebulosas no curto prazo. Alguns indicadores econômicos da China, recém divulgados, mostraram o tamanho do estrago já produzido. Agora temos que aguardar as próximas semanas, com os dados do Brasil e de alguns dos países desenvolvidos. O certo é que o tempo não volta e o isolamento das populações de alguns países está produzindo efeitos catastróficos para as economias. Portanto, como as bolsas antecipam estes movimentos, as ações tem sofrido consideravelmente.

Não há um setor sequer que não esteja sendo penalizado neste momento no Brasil. Aqueles mais ligados a eventos, aéreas, consumo e commodities tem "apanhado" consistentemente. Há quem diga, entre os quais eu me incluo, que alguns ativos estão em momentos que podem nos dar uma oportunidade de ouro visando o longo prazo, mas isso apenas o tempo dirá.

Mesmo no mercado de renda fixa vemos irracionalidades. Há uma divergência de opinião grande entre os agentes do mercado, mas grande parte acredita que a Selic poderá recuar para baixo dos 3% ainda em 2020. Os que são contrários a esta tese o são porque não acreditam que, derrubando a taxa de juros, veremos recuperação ou estagnação da economia local em função de estes repasses não chegarem à ponta, ou seja, a pessoa física. Além disso, acreditam, que quanto mais baixa a Selic, mais desvalorizada ficará nossa moeda ante o dólar.

Para o médio prazo, as expectativas são diferentes e há a justificativa de que uma Selic baixa irá criar inflação no período e portanto, os juros poderiam subir rapidamente em 2021. Dessa forma, o que chamamos de juros longos apresentam alta no mercado nestes últimos dias. Sendo assim, já conseguimos visualizar CDBs pagando mais 10% ao ano para um prazo de 5 a 6 anos nas plataformas digitais de investimento.

Com todo este cenário, os títulos do Tesouro Direto também perderam sua referência. Os ativos indexados a inflação (IPCA) e prefixados deixaram de ser negociados por horas, sendo interrompidos a fim de estabelecer uma ordem para que pudessem voltar a sua normalidade. É algo comum, antes que sejam realizados questionamentos. Sempre que passamos por momentos de grande turbulência, o Tesouro Nacional opta por agir desta forma.

Portanto, neste momento é importante manter a calma e aguardar que toda esta irracionalidade que estamos vivenciando nos mercados passe. Vai passar, só nos resta saber quando.

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