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Sílvio Ribas

Sílvio Ribas

Crise institucional

Desde “perdeu, mané” até “conseguiu bloquear?”, a tragédia do STF em 15 frases

Aumento do IOF
Os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes fazem parte da ala do STF que atua ostensivamente para barrar impeachments de ministros da Corte. (Foto: Rosinei Coutinho/ STF)

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Revisitadas em sequência, frases ditas por ministros e outros personagens ligados ao Supremo Tribunal Federal (STF) ajudam a compreender como a Corte chegou à mais grave crise de reputação de sua história — e ao cenário descrito pela revista britânica The Economist como “a tragédia brasileira”.

Conflagrada pelo debate interno se é capaz de redefinir o seu futuro, esse retrospecto ganha um novo peso. As declarações revelam a escalada de excessos, conflitos e politização que explica por que o saldo da crise pode levar à perda definitiva de confiança no STF quanto ao início da redenção.

Veja a seguir uma seleção de 15 destas muito ilustrativas frases.

“Liberdade de expressão não é liberdade de agressão.” Alexandre de Moraes, 29/4/2022

A frase sintetizou a posição de Moraes sobre os limites constitucionais da liberdade de expressão. O princípio seria reiterado pelo ministro do STF em outras decisões envolvendo redes sociais e conteúdos digitais.

“Este é um caso excepcionalíssimo.” — Cármen Lúcia, 20/10/2022

A ministra do STF fez a declaração ao votar pela suspensão do documentário Quem mandou matar Jair Bolsonaro?, da Brasil Paralelo. A medida, adotada durante a campanha eleitoral, gerou debate sobre censura prévia.

“Não há como se contestar resultado democraticamente divulgado.” — Alexandre de Moraes, 3/11/2022

Então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Moraes declarou encerrado o processo eleitoral com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência e advertiu que contestações seriam investigadas.

“Perdeu, mané. Não amola.” — Luís Roberto Barroso, 15/11/2022

Em Nova York, o ministro Barroso respondeu assim a um manifestante que questionava o sistema eleitoral brasileiro. A frase ganhou repercussão pela informalidade e pelo tom adotado por um integrante da Suprema Corte.

“Use a sua criatividade... rsrsrs.” — Airton Vieira, 7/12/2022

O juiz auxiliar teria enviado a mensagem a Eduardo Tagliaferro, então chefe da área de combate à desinformação do TSE. O diálogo surgiu no contexto da busca de elementos contra publicações da Revista Oeste.

“Missão dada, missão cumprida.” — Benedito Gonçalves, 12/12/2022

Na diplomação de Lula, o então corregedor-geral eleitoral do TSE cochichou a frase a Alexandre de Moraes, captada por microfone aberto. O episódio gerou questionamentos sobre o significado da “missão” mencionada.

“Ainda tem muita gente para prender e muita multa para aplicar.” — Alexandre de Moraes, 14/12/2022

Em evento público, Moraes comparou as investigações brasileiras à reação dos Estados Unidos à ocupação do Capitólio. A declaração ocorreu semanas antes das invasões das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

“Nós derrotamos o bolsonarismo.” — Luís Roberto Barroso, 12/7/2023

No Congresso da UNE, Barroso afirmou que “nós derrotamos a censura, nós derrotamos a tortura, nós derrotamos o bolsonarismo”. A declaração provocou críticas por mostrar um lado após a derrota de um grupo político.

“Se hoje tivemos a eleição do presidente Lula, foi graças ao STF.” — Gilmar Mendes, 14/10/2023

No Fórum Internacional Esfera, em Paris, o ministro do STF atribuiu ao tribunal papel decisivo na “recuperação da autonomia” da política. A referência à eleição de Lula gerou críticas sobre a imparcialidade da Corte.

“No Brasil, as redes sociais só continuarão a operar se respeitarem a lei.” — Alexandre de Moraes, 8/1/2025

Em discurso no STF, Moraes advertiu as grandes plataformas digitais sobre o cumprimento das decisões e leis brasileiras. A declaração ocorreu em meio à disputa internacional sobre moderação e liberdade de expressão.

“Eventual rescisão (da colaboração) englobará inclusive a continuidade das investigações e responsabilização do pai do investigado, de sua esposa e de sua filha maior.” — Alexandre de Moraes, fevereiro de 2025

O ministro alertou o tenente-coronel Mauro Cid de que contradições na delação resultariam em prisão preventiva e perda de benefícios estendidos a familiares no acordo. “Moraes é a lei” disse Cid em áudio vazado.

“Eu sei que o senhor está preso, eu que decretei.” — Alexandre de Moraes, 10/6/2025

No interrogatório de Braga Netto, Moraes esclareceu que perguntava sobre uma eventual prisão anterior do general. Ao dizer que sabia obviamente da prisão atual porque a decretara, provocou risos durante a sessão.

“Estamos diante de uma incompetência absoluta (do STF), impassível de ser desprezada como vício ao processo.” — Luiz Fux, 10/9/2025

O ministro do STF sustentou que os réus do 8 de Janeiro não tinham prerrogativa de foro que justificasse o julgamento diretamente pelo tribunal. O argumento fundamentou seu voto pela anulação do processo. “Não se deve confundir papel de julgador com de agente político”, disse.

“Como estamos aí? Conseguimos bloquear a maldade e sacanagem?” — Daniel Vorcaro, 5/11/2025

Segundo relatório da Polícia Federal (PF) divulgado recentemente, o dono do Banco Master enviou a mensagem a Alexandre de Moraes. O diálogo ocorreu em meio a medidas que levariam depois a prisão de Vorcaro.

“A intimidação do Judiciário por meio do impeachment abusivo cria um ambiente de insegurança jurídica.” — Gilmar Mendes, 3/12/2025

Ao analisar regras para impeachment de ministros do STF, ele argumentou que o mecanismo não poderia ser usado para intimidar magistrados. Sua decisão alterou pontos centrais da Lei do Impeachment (1.079/1950).

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