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Revisitadas em sequência, frases ditas por ministros e outros personagens ligados ao Supremo Tribunal Federal (STF) ajudam a compreender como a Corte chegou à mais grave crise de reputação de sua história — e ao cenário descrito pela revista britânica The Economist como “a tragédia brasileira”.
Conflagrada pelo debate interno se é capaz de redefinir o seu futuro, esse retrospecto ganha um novo peso. As declarações revelam a escalada de excessos, conflitos e politização que explica por que o saldo da crise pode levar à perda definitiva de confiança no STF quanto ao início da redenção.
Veja a seguir uma seleção de 15 destas muito ilustrativas frases.
“Liberdade de expressão não é liberdade de agressão.” — Alexandre de Moraes, 29/4/2022
A frase sintetizou a posição de Moraes sobre os limites constitucionais da liberdade de expressão. O princípio seria reiterado pelo ministro do STF em outras decisões envolvendo redes sociais e conteúdos digitais.
“Este é um caso excepcionalíssimo.” — Cármen Lúcia, 20/10/2022
A ministra do STF fez a declaração ao votar pela suspensão do documentário Quem mandou matar Jair Bolsonaro?, da Brasil Paralelo. A medida, adotada durante a campanha eleitoral, gerou debate sobre censura prévia.
“Não há como se contestar resultado democraticamente divulgado.” — Alexandre de Moraes, 3/11/2022
Então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Moraes declarou encerrado o processo eleitoral com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência e advertiu que contestações seriam investigadas.
“Perdeu, mané. Não amola.” — Luís Roberto Barroso, 15/11/2022
Em Nova York, o ministro Barroso respondeu assim a um manifestante que questionava o sistema eleitoral brasileiro. A frase ganhou repercussão pela informalidade e pelo tom adotado por um integrante da Suprema Corte.
“Use a sua criatividade... rsrsrs.” — Airton Vieira, 7/12/2022
O juiz auxiliar teria enviado a mensagem a Eduardo Tagliaferro, então chefe da área de combate à desinformação do TSE. O diálogo surgiu no contexto da busca de elementos contra publicações da Revista Oeste.
“Missão dada, missão cumprida.” — Benedito Gonçalves, 12/12/2022
Na diplomação de Lula, o então corregedor-geral eleitoral do TSE cochichou a frase a Alexandre de Moraes, captada por microfone aberto. O episódio gerou questionamentos sobre o significado da “missão” mencionada.
“Ainda tem muita gente para prender e muita multa para aplicar.” — Alexandre de Moraes, 14/12/2022
Em evento público, Moraes comparou as investigações brasileiras à reação dos Estados Unidos à ocupação do Capitólio. A declaração ocorreu semanas antes das invasões das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
“Nós derrotamos o bolsonarismo.” — Luís Roberto Barroso, 12/7/2023
No Congresso da UNE, Barroso afirmou que “nós derrotamos a censura, nós derrotamos a tortura, nós derrotamos o bolsonarismo”. A declaração provocou críticas por mostrar um lado após a derrota de um grupo político.
“Se hoje tivemos a eleição do presidente Lula, foi graças ao STF.” — Gilmar Mendes, 14/10/2023
No Fórum Internacional Esfera, em Paris, o ministro do STF atribuiu ao tribunal papel decisivo na “recuperação da autonomia” da política. A referência à eleição de Lula gerou críticas sobre a imparcialidade da Corte.
“No Brasil, as redes sociais só continuarão a operar se respeitarem a lei.” — Alexandre de Moraes, 8/1/2025
Em discurso no STF, Moraes advertiu as grandes plataformas digitais sobre o cumprimento das decisões e leis brasileiras. A declaração ocorreu em meio à disputa internacional sobre moderação e liberdade de expressão.
“Eventual rescisão (da colaboração) englobará inclusive a continuidade das investigações e responsabilização do pai do investigado, de sua esposa e de sua filha maior.” — Alexandre de Moraes, fevereiro de 2025
O ministro alertou o tenente-coronel Mauro Cid de que contradições na delação resultariam em prisão preventiva e perda de benefícios estendidos a familiares no acordo. “Moraes é a lei” disse Cid em áudio vazado.
“Eu sei que o senhor está preso, eu que decretei.” — Alexandre de Moraes, 10/6/2025
No interrogatório de Braga Netto, Moraes esclareceu que perguntava sobre uma eventual prisão anterior do general. Ao dizer que sabia obviamente da prisão atual porque a decretara, provocou risos durante a sessão.
“Estamos diante de uma incompetência absoluta (do STF), impassível de ser desprezada como vício ao processo.” — Luiz Fux, 10/9/2025
O ministro do STF sustentou que os réus do 8 de Janeiro não tinham prerrogativa de foro que justificasse o julgamento diretamente pelo tribunal. O argumento fundamentou seu voto pela anulação do processo. “Não se deve confundir papel de julgador com de agente político”, disse.
“Como estamos aí? Conseguimos bloquear a maldade e sacanagem?” — Daniel Vorcaro, 5/11/2025
Segundo relatório da Polícia Federal (PF) divulgado recentemente, o dono do Banco Master enviou a mensagem a Alexandre de Moraes. O diálogo ocorreu em meio a medidas que levariam depois a prisão de Vorcaro.
“A intimidação do Judiciário por meio do impeachment abusivo cria um ambiente de insegurança jurídica.” — Gilmar Mendes, 3/12/2025
Ao analisar regras para impeachment de ministros do STF, ele argumentou que o mecanismo não poderia ser usado para intimidar magistrados. Sua decisão alterou pontos centrais da Lei do Impeachment (1.079/1950).

Jornalista de política e economia com foco na cobertura do Congresso Nacional. Passou pelos jornais Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, Brasil Econômico, Correio Braziliense e A Tarde (BA). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




