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O avanço das investigações do escândalo Master sobre o então líder do governo no Senado Jaques Wagner (PT-BA) e a sua “República da Bahia” se tornou o mais crítico teste para a campanha à reeleição do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), com potencial de arrasar o futuro de seu partido.
Wagner anunciou na quarta-feira (24) que pediu licença da liderança, após longa reunião com o velho amigo Lula. A decisão tomada “em comum acordo” ocorreu no rastro da operação da Polícia Federal (PF) que apura vantagens indevidas recebidas pelo senador em troca de favores ao Master.
Enquanto analistas e setores da imprensa se espantam com a resistência de Wagner em largar o posto de confiança de Lula e, assim, estancar o desgaste político sobre o presidente, crescia um temor no entorno de ambos muito além do aspecto reputacional, centrado no eventual rompimento dos dois.
O eventual fim de quase 50 anos da parceria Lula-Wagner os colocaria na mesma crise insolúvel. A lembrança é a de Antônio Palocci, ex-ministro forte na primeira gestão petista, chamado de irmão pelo presidente. Virou inimigo ao revelar propina de R$ 300 milhões à “alma mais honesta” do país. O desmonte da Lava Jato acabou anulando o efeito devastador dessa delação.
Lula e Jaques Wagner compartilham mesmo desafio: seguir no jogo eleitoral
As reações públicas de Lula e de Jaques Wagner diante do cenário aberto pela operação Compliance Zero, da PF, revelam crescente tensão política. A entrevista concedida pelo senador à Rede Bandeirantes, na qual resistiu a deixar o cargo, foi vista como sinal de desconforto e de ameaça ao presidente da República.
Diante dos riscos colocados sobre a sua candidatura à reeleição ao Senado e sobre o seu futuro político, o construtor e capitão do maior e mais longevo bastião petista do país, cujo grupo está completando 20 anos à frente do poder na Bahia, colocou as cartas na mesa. Mas também precisou negociar.
A ascensão de Wagner ao governo baiano em 2006 inaugurou nova fase na história política do estado. Desde então, o PT manteve sequência de vitórias que tornou a Bahia o seu principal reduto eleitoral no país, garantindo votos locais e nacionais e uma influência ininterrupta sobre o Palácio de Ondina.
Esse protagonismo conferiu ao senador posição singular dentro da legenda. Mais do que velho aliado de Lula, Wagner tornou-se um dos arquitetos do projeto petista no Nordeste e uma das principais pontes entre o presidente, governadores, parlamentares e lideranças partidárias espalhadas pelo país.
Relação antiga entre Lula e Jaques Wagner abriga toda a história do PT
A proximidade do senador com Lula é antiga e notória. Chamado de Galego pelo presidente, ele integrou governos petistas e participou de momentos decisivos da legenda. Por isso, uma eventual ruptura entre ambos teria dimensão muito maior do que o simples divórcio entre correligionários.
A situação tornou-se mais delicada porque o próprio PT rachou entre a ala que fazia a defesa política do senador e a que cobrava afastamento imediato de sua presença tóxica. O espaço conquistado por Jaques Wagner e pelo ministro Rui Costa (Casas Civil) no Planalto ensejou rivais e ressentimentos.
Nesse cenário, Lula optou por repetir método adotado em crises anteriores envolvendo aliados importantes, evitando afastamentos precipitados e tentando moderar desgastes antes de tomar decisões que aprofundem divisões internas ou levem a novas crises. O drama, contudo, não acabou.
Ao longo dos anos, Lula rompeu com aliados históricos, resgatando uns e banindo outros para sempre. A volta ao núcleo petista depende menos da gravidade das crises e mais da lealdade ao presidente. Quem rompe é afastado; quem preserva o silêncio ou recompõe pontes recupera espaço.
Esse padrão marcou casos de Palocci, Cristovam Buarque e Heloísa Helena, que se tornaram críticos do petismo, enquanto Marina Silva, Marta Suplicy e José Dirceu voltaram ao entorno de Lula. Delúbio Soares é o mártir da fidelidade absoluta: após anos de ostracismo, voltou a ser prestigiado.









