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A campanha presidencial trouxe slogans, cores e símbolos da propaganda dos candidatos, com materiais, vídeos e jingles, tudo com o objetivo de colar na mente e no coração do eleitor aquilo que o marketing político considera essencial. Investidas e análises se resumem em poucas palavras e imagens.
Na busca do quarto mandato, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou “O Brasil pronto para mais”, que produziu ruídos. O slogan alia continuidade e futuro, sugerindo reconhecimento de entregas sem o tom de retrospectiva. A oposição agregou ao fim da frase "miséria, corrupção, insegurança e censura."
Em sua sétima candidatura presidencial, Lula aparecerá na urna de chapéu, além de terno azul e gravata. Incorporado à rotina após a retirada de uma lesão de pele no couro cabeludo, o acessório passou a ser visto como uma estratégia eleitoral, como elemento de identificação imediata do petista.
Embora funcional, como protetor contra raios solares, o chapéu ganha inevitável dimensão política. A repetição do acessório pode reforçar visualmente a idade e a condição de saúde de Lula, emitindo sinal negativo ao eleitor quando sua campanha precisa projetar disposição e capacidade para mais quatro anos.
Campanha procura mostrar Flávio Bolsonaro como líder de movimento
Já Flávio Bolsonaro (PL) escolheu “O Brasil vai vencer”, frase que transforma otimismo em eixo da campanha. O marketing explora fortemente a letra V em verde e amarelo, destacada no nome do senador e conectada a “vencer” e “vitória”. A esquerda quer ligar o V ao sobrenome de Daniel Vorcaro.
A construção traz o desafio de mostrar Flávio como herdeiro político de Jair Bolsonaro, mas sem fazer dele só uma extensão do pai. Por isso, o primeiro nome ganha relevância gráfica. Ao mesmo tempo, as cores nacionais preservam elo emocional com o eleitor fiel ao ex-presidente desde 2018.
A estratégia é radicalmente distinta da petista. Lula quer convencer o eleitor de que pode oferecer algo novo após cinco mandatos do PT. Flávio necessita provar o inverso, se apresentando como o líder da continuidade de um movimento político, mas com personalidade e projeto próprios para o país.
Ronaldo Caiado (PSD) busca se posicionar como alternativa à polarização. O conceito “Muito a mostrar e nada a esconder” explora sua trajetória e sua gestão em Goiás e permite dupla mensagem. Evoca realizações e sugere contraste ético com adversários atingidos por controvérsias e investigações.
Nomes fora da polarização se mostram como ruptura ou alternativa segura
Em paralelo, Caiado lançou o bordão “Nem A, nem B, C de Caiado”. A peça explicita ainda mais a estratégia de ocupar um espaço fora da polarização entre Lula e Bolsonaro, embora reproduza a mesma fórmula “Nem A, nem B. C de Ciro”, usada por Ciro Gomes na campanha presidencial de 2018.
As mensagens são complementares. Uma visa dar densidade administrativa e credibilidade pessoal; a outra procura facilitar a memorização do nome do candidato. Caiado precisa crescer para ameaçar os líderes. Ser visto como alternativa viável é mais importante do que disputar a liderança.
Renan Santos, por sua vez, leva à eleição a estética criada pelo Movimento Brasil Livre (MBL). “O Futuro Será Glorioso” projeta candidatura voltada para mudança geracional, enquanto bordões agressivos como “Prendeu, matou” reforçam o mote de ruptura, sobretudo na segurança pública.
O Missão depende das redes sociais. As cores amarelo, preto e branco, a linguagem provocadora e a disposição para produzir controvérsias miram aproximá-lo dos jovens. Sem estrutura partidária e exposição convencional, miram converter repercussão digital em reconhecimento eleitoral.
Entrada de Pablo Marçal desafia o marketing dos demais presidenciáveis
Romeu Zema (Novo), que se notabilizou na pré-campanha com sua série animada “Os Intocáveis”, com críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), lançou o lema “O Brasil primeiro”, se associando ao discurso liberal na economia, à redução do Estado e à sua gestão em Minas Gerais.
Pablo Marçal (PRTB) entrou de forma inesperada na corrida presidencial, após obter decisão judicial que regularizou provisoriamente sua filiação. O empresário registrou a candidatura, mas ainda depende do aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre sua atual condição de inelegibilidade.
Marçal iniciou a campanha ligando sua imagem à promessa de prosperidade. A mensagem de que sua eleição faria o Brasil correr o “risco” de se tornar a nação mais próspera até 2030 sintetiza a estratégia. Sua entrada tende a introduzir uma variável nova nas campanhas adversárias.
Para especialistas, as mensagens têm alvos claros. Lula sinaliza renovação na continuidade; Flávio, vitória e sucessão; Caiado, experiência e opção; Renan, ruptura e futuro; Zema, gestão e liberalismo econômico; e Marçal, mentalidade próspera. Tudo para responder às suas virtudes e fragilidades.

Jornalista de política e economia com foco na cobertura do Congresso Nacional. Passou pelos jornais Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, Brasil Econômico, Correio Braziliense e A Tarde (BA). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




