Publicidade
Sílvio Ribas

Sílvio Ribas

Eleições 2026

O que os símbolos e slogans dos candidatos à Presidência buscam induzir nos eleitores

A discussão sobre o acessório vai além da aparência: o principal critério previsto nas regras eleitorais é a possibilidade de o eleitor reconhecer o candidato.
A discussão sobre o chapéu de Lula vai além da aparência: o principal critério previsto nas regras eleitorais é a possibilidade de o eleitor reconhecer o candidato. (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

Ouça este conteúdo

A campanha presidencial trouxe slogans, cores e símbolos da propaganda dos candidatos, com materiais, vídeos e jingles, tudo com o objetivo de colar na mente e no coração do eleitor aquilo que o marketing político considera essencial. Investidas e análises se resumem em poucas palavras e imagens.

Na busca do quarto mandato, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou “O Brasil pronto para mais”, que produziu ruídos. O slogan alia continuidade e futuro, sugerindo reconhecimento de entregas sem o tom de retrospectiva. A oposição agregou ao fim da frase "miséria, corrupção, insegurança e censura."

Em sua sétima candidatura presidencial, Lula aparecerá na urna de chapéu, além de terno azul e gravata. Incorporado à rotina após a retirada de uma lesão de pele no couro cabeludo, o acessório passou a ser visto como uma estratégia eleitoral, como elemento de identificação imediata do petista.

Embora funcional, como protetor contra raios solares, o chapéu ganha inevitável dimensão política. A repetição do acessório pode reforçar visualmente a idade e a condição de saúde de Lula, emitindo sinal negativo ao eleitor quando sua campanha precisa projetar disposição e capacidade para mais quatro anos.

Campanha procura mostrar Flávio Bolsonaro como líder de movimento

Flávio Bolsonaro (PL) escolheu “O Brasil vai vencer”, frase que transforma otimismo em eixo da campanha. O marketing explora fortemente a letra V em verde e amarelo, destacada no nome do senador e conectada a “vencer” e “vitória”. A esquerda quer ligar o V ao sobrenome de Daniel Vorcaro.

A construção traz o desafio de mostrar Flávio como herdeiro político de Jair Bolsonaro, mas sem fazer dele só uma extensão do pai. Por isso, o primeiro nome ganha relevância gráfica. Ao mesmo tempo, as cores nacionais preservam elo emocional com o eleitor fiel ao ex-presidente desde 2018.

A estratégia é radicalmente distinta da petista. Lula quer convencer o eleitor de que pode oferecer algo novo após cinco mandatos do PT. Flávio necessita provar o inverso, se apresentando como o líder da continuidade de um movimento político, mas com personalidade e projeto próprios para o país.

Ronaldo Caiado (PSD) busca se posicionar como alternativa à polarização. O conceito “Muito a mostrar e nada a esconder” explora sua trajetória e sua gestão em Goiás e permite dupla mensagem. Evoca realizações e sugere contraste ético com adversários atingidos por controvérsias e investigações.

Nomes fora da polarização se mostram como ruptura ou alternativa segura

Em paralelo, Caiado lançou o bordão “Nem A, nem B, C de Caiado”. A peça explicita ainda mais a estratégia de ocupar um espaço fora da polarização entre Lula e Bolsonaro, embora reproduza a mesma fórmula “Nem A, nem B. C de Ciro”, usada por Ciro Gomes na campanha presidencial de 2018.

As mensagens são complementares. Uma visa dar densidade administrativa e credibilidade pessoal; a outra procura facilitar a memorização do nome do candidato. Caiado precisa crescer para ameaçar os líderes. Ser visto como alternativa viável é mais importante do que disputar a liderança.

Renan Santos, por sua vez, leva à eleição a estética criada pelo Movimento Brasil Livre (MBL). “O Futuro Será Glorioso” projeta candidatura voltada para mudança geracional, enquanto bordões agressivos como “Prendeu, matou” reforçam o mote de ruptura, sobretudo na segurança pública.

O Missão depende das redes sociais. As cores amarelo, preto e branco, a linguagem provocadora e a disposição para produzir controvérsias miram aproximá-lo dos jovens. Sem estrutura partidária e exposição convencional, miram converter repercussão digital em reconhecimento eleitoral.

Entrada de Pablo Marçal desafia o marketing dos demais presidenciáveis

Romeu Zema (Novo), que se notabilizou na pré-campanha com sua série animada “Os Intocáveis”, com críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), lançou o lema “O Brasil primeiro”, se associando ao discurso liberal na economia, à redução do Estado e à sua gestão em Minas Gerais.

Pablo Marçal (PRTB) entrou de forma inesperada na corrida presidencial, após obter decisão judicial que regularizou provisoriamente sua filiação. O empresário registrou a candidatura, mas ainda depende do aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre sua atual condição de inelegibilidade.

Marçal iniciou a campanha ligando sua imagem à promessa de prosperidade. A mensagem de que sua eleição faria o Brasil correr o “risco” de se tornar a nação mais próspera até 2030 sintetiza a estratégia. Sua entrada tende a introduzir uma variável nova nas campanhas adversárias.

Para especialistas, as mensagens têm alvos claros. Lula sinaliza renovação na continuidade; Flávio, vitória e sucessão; Caiado, experiência e opção; Renan, ruptura e futuro; Zema, gestão e liberalismo econômico; e Marçal, mentalidade próspera. Tudo para responder às suas virtudes e fragilidades.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.