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Universidade de Harvard põe à venda suas fazendas no Brasil

Nova política da instituição é colocar menos dinheiro em investimentos lastreados em recursos naturais, como fazendas de pinus e eucalipto espalhadas pela América do Sul

Jonathan Campos/Gazeta do Povo Universidade americana tem milhares de hectares de floresta plantada na América do Sul, as mais valiosas no Brasil | Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Universidade americana tem milhares de hectares de floresta plantada na América do Sul, as mais valiosas no Brasil

  • The Washington Post

A Universidade de Harvard está tentando se desfazer de parte de seus ativos no setor florestal da América do Sul, incluindo extensas áreas no Brasil, numa política de colocar menos dinheiro em investimentos lastreados em recursos naturais.

A Harvard Management Co. (HMC) tem procurado investidores interessados em adquirir participações minoritárias, ou mesmo majoritárias, oferecendo cerca de US$ 700 milhões em negócios que envolvem fazendas no Brasil, no Uruguai e na Argentina.

Segundo fontes do mercado financeiro, o fundo de investimentos de Harvard, que tem uma carteira de US$ 37 bilhões, contratou em fevereiro o executivo Jonathan Prather junto ao Perella Weinberg Partners Group. Contatado, o grupo Perella Weinberg não quis comentar.

A mudança no rumo dos negócios na América do Sul é o mais recente passo na revisão dos investimentos de Harvard iniciada em 2016, quando a escola da Ivy League contratou Narv Narvekar, da Universidade de Columbia, para o cargo de diretor de investimentos. Desde então, Narvekar cortou o número de funcionários quase pela metade, fechou fundos de hedge internos, demitiu gerentes financeiros e vendeu mais de US$ 2 trilhões de fundos imobiliários e de investimentos.

Narvekar está reformulando a estratégia de investir em recursos naturais, uma grande aposta de seus antecessores que inicialmente produziu retornos sólidos, mas agora mostra-se infrutífera. No ano passado, Harvard viu o valor de seu portfólio encolher US$ 1,1 bilhão (reduzido a US$ 2,9 bilhões), numa conta que inclui a saída de um projeto agrícola no Brasil onde foram investidos pelo menos US$ 150 milhões.

Efeito de longo prazo

O portfólio “levará vários anos para ser reposicionado”, escreveu Narvekar em um relatório de setembro, acrescentando que “embora a maioria dos ativos permaneça atraente, alguns têm desafios bastante sérios”.

O executivo começou a se desfazer de propriedades no ano passado, quando vendeu uma fazenda de leite na Nova Zelândia com 5.500 vacas para a empresa de private equity KKR & Co. por US$ 70 milhões. Também passou adiante uma plantação de eucalipto no Uruguai, por US$ 120 milhões, para a seguradora Liberty Mutual.

O portfólio ainda é extenso, e inclui fazendas no Brasil, Austrália e África do Sul, assim como vinhedos na Califórnia e florestas plantadas no Leste Europeu, América Central e América do Sul – segundo registros contábeis oficiais.

Arquivo

Harvard é a mais antiga universidade dos Estados  Unidos

Os investimentos que Narvekar herdou foram feitos diretamente pela universidade, em vez de carteira de terceiros, como é mais comum entre as instituições de ensino. Harvard ainda tem uma equipe que supervisiona a carteira de investimentos, liderada por Colin Butterfield, contratado em 2016 junto à Radar S.A., uma gestora brasileira de propriedades agrícolas alavancada pelo fundo de pensão TIAA.

“Para melhor atender Harvard, o HMC assumirá um nível de risco apropriado para Harvard”, escreveu Narvekar em um relatório de janeiro de 2017. “Nossos retornos, no final, seguirão pelo caminho que escolhermos e não pelo caminho de qualquer outra dotação específica, que pode ter uma abordagem e tolerância diferentes ao risco “.

As operações florestais à venda no Brasil, Argentina e Uruguai consistem em plantações de eucalipto, teca e pinus. As fazendas estão em nome de empresas locais e são administradas de forma independente. As propriedades mais valiosas estão no Uruguai e no Brasil.

A universidade também possui florestas no Chile, Colômbia, Equador, Nicarágua, Panamá e Peru. Mas, segundo fontes ouvidas pela reportagem, essas propriedades não estão à venda no momento.

Ganhos menores

Os retornos dos investimentos na base florestal arrefeceram na última década na medida em que o crescimento da China desacelerou e mercados emergentes, como o Brasil, enfrentaram turbulências. Um índice do setor madeireiro dos EUA mostra ganhos irregulares desde o final da recessão, em 2009, que tinha sido antecedida por lucros de dois dígitos, devido ao boom no setor imobiliário.

Ainda assim, alguns investidores veem oportunidade. O Rohatyn Group adquiriu no ano passado uma carteira de US $ 2,1 bilhões da GMO, administradora de recursos de Boston cujo co-fundador, Jeremy Grantham, é um entusiasta de investimentos na agricultura de mercados emergentes. Nicolas Rohatyn, o CEO da empresa, disse semana passada numa conferência do setor madeireiro em Nova York que estava à procura de mais ativos.

A Liberty Mutual também se movimenta neste setor. No ano passado a seguradora contratou Qinhai Xia, da Harvard Management, como diretora de investimentos agrícolas e florestais. Xia reporta-se a Avtar Vasu, outro que havia sido contratado junto à Harvard Management em 2016. Nenhum deles retornou contatos para falar sobre o assunto.

Outro player novo nos investimentos em fazendas e florestas é a Folium Capital, lançada no ano passado por Andrew Wiltshire, Alvaro Aguirre e Oliver Grantham. Os três deixaram a Harvard Management em 2015, depois de liderar as decisões de investimento que agora são revisadas. Oliver é filho de Jeremy Grantham.

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