
Em um ano marcado pelo fim da exigência do ineditismo como critério de seleção, o 44.º Festival de Brasília dividiu seus principais prêmios de forma salomônica entre um filme totalmente novo e outro já exibido anteriormente. Na cerimônia de entrega, ocorrida na segunda-feira à noite, foram cinco troféus Candango para o novíssimo Hoje, de Tata Amaral, e outros cinco para Meu País, de André Ristum, que já fora apresentado no Festival de Paulínia, em julho, de onde saiu sem prêmio nenhum.
Hoje sagrou-se como melhor longa e embolsou R$ 250 mil. Sua trama revisita a ditadura militar sob o olhar de uma mulher que acaba de comprar um apartamento com a indenização do companheiro dado como morto durante o regime.
"Vamos usar todas as nossas forças para que a Comissão da Verdade se efetive e consiga contar nossa história com dignidade e respeito. Que nunca mais haja tortura no nosso país", afirmou Tata Amaral no discurso de premiação, referindo-se ao órgão que investigará abusos ocorridos durante a ditadura.
O filme ganhou também nas categorias de direção de arte, fotografia e roteiro. Houve ainda o prêmio de melhor atriz para Denise Fraga, que, conhecida por seus papéis cômicos, agradeceu à cineasta pela oportunidade de viver um personagem dramático complexo.
Já Meu País foi tido como melhor filme pelo júri popular e levou os prêmios de montagem, trilha sonora e direção. O fato surpreendeu o próprio Ristum, que estreia em longas com esse título. Rodrigo Santoro foi escolhido melhor ator pelo mesmo filme. Quando seu nome foi anunciado, houve um princípio de vaia, logo abortada.







