| Foto: Arquivo da família/

Quando o ginecologista e obstetra Francisco Bujardão Martins – falecido em fevereiro aos 77 anos – chegou ao município da Lapa, em 1970, havia apenas um médico e uma parteira atuantes para todas as gestantes da cidade. Todos os partos realizados eram naturais, já que não havia centro cirúrgico na Maternidade Municipal Humberto Carrano, hospital recém-inaugurado onde ele atuava. Porém, essa realidade não demoraria muito a mudar, em grande parte por causa do empenho de Francisco em incentivar melhorias no sistema de saúde local.

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O plano de promover mais infraestrutura aos serviços médicos às gestantes veio dele e do também médico Darcy Costa, já falecido. Antigos colegas de turma da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde Francisco se formou em 1968, os dois se uniram em prol da mobilização por melhorias na maternidade. Assim, ainda em 1970, foi realizada a primeira cesariana da Lapa.

Com o decorrer do tempo, houve a chegada de um anestesista para a maternidade, acompanhamento mais acurado às gestantes, com pré-natal e ultrassonografia. Além disso, na parte de ginecologia, começaram a ser realizados exames preventivos do câncer de colo de útero. Essas e outras modernizações necessárias à cidade marcaram o pioneirismo do médico, que atuava como diretor clínico da maternidade.

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Apesar de ter nascido em São Paulo, no município de Garça, e de ter crescido em cidades como Bela Vista do Paraíso, Santa Mariana e Jacarezinho, se considerava um lapeano, já que passou quase meio século na cidade histórica. Em 1996, ganhou o título de cidadão honorário da Lapa, pelos serviços prestados.

Após a formatura em Curitiba – onde cursou mais de um ano de Odontologia, curso que abandonou pela Medicina –, atuou por algum tempo em Kaloré e Jaguapitã, no Paraná, antes de se mudar em definitivo para a Lapa. Solteiro, passou três anos literalmente morando na maternidade, até se casar com Aliciene Rosa de Castro Martins, em 1973.

Seu trabalho, além de reconhecido oficialmente, por meio das condecorações municipais que recebeu, era também lembrado nas ruas. Comum que mulheres da cidade chegassem para ele em um passeio pelas calçadas lapeadas com homens barbados ao lado e apontassem: “Olha doutor, você que fez o parto dele”.

“Os traços mais marcantes dele eram o amor pela medicina e a dedicação à família. Ele contava que chegou a doar do próprio sangue para uma paciente que precisava naquele instante”, lembra o filho, Francisco Bajurdão Martins Junior. A dedicação ao trabalho de médico não cessou mesmo após a aposentadoria, pois ele continuou auxiliando nos partos cirúrgicos, prestando serviços para a prefeitura e atuando como diretor clínico da maternidade.

Deixa esposa, duas filhas, um filho e quatro netos.

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