Com a retirada desse aviso de infração, os curitibanos estariam criando um novo hábito: o de comprar mais crédito nos aplicativos para evitar multas.| Foto: Foto: Hully Paiva/SMCS
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Em Curitiba, os aplicativos de estacionamento substituem os talões do EstaR há quase dois anos. Desde 11 de maio de 2020, a compra de bloquinhos foi completamente substituída pela aquisição de crédito em aplicativos de celular. Também mudou a forma de arrecadação da prefeitura com multas e os "avisos de infração" de trânsito.

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Os avisos de infração permitiam que o motorista evitasse a multa de trânsito comprando um talão de EstaR. Comprava-se um talão e uma folha era devolvida como forma de regularizar o estacionamento irregular. A prática fez parte da cultura de trânsito de Curitiba por duas décadas.

No entanto, a Secretaria Municipal de Defesa Social e Trânsito (Setran) observou que o sistema deixou de ser educativo e passou a ser uma prática comum: era confortável estacionar de forma irregular, podendo facilmente comprar um bloquinho de estacionamento para regularizar a situação.

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Portanto, com a retirada desse aviso de infração, os curitibanos estariam criando um novo hábito: o de manterem-se sempre providos de créditos nos aplicativos de celular, para evitar multa.

De acordo com os números enviados pela Setran e pela Urbs, os gastos com multas e compras de talões por parte dos curitibanos se mantiveram praticamente estáveis de 2018 para cá. A diferença é que, como não há mais bloquinhos vendidos nas lotéricas, o que era arrecadado via Caixa Econômica passou a ser recebido diretamente pela Urbs.

Segundo o diretor administrativo e financeiro da Urbanização de Curitiba, Pedro Romanel, "os valores são repassados ao Fundo Municipal de Apoio ao Deficiente (FMAD), parte para custear a plataforma digital, os aplicativos e o custo da operação (agentes), e outra parte fica com a URBS". Ele também informa que houve uma receita bruta de R$ 40 milhões proveniente do EstaR entre março de 2020 e março de 2022, da qual a Urbs obteve R$ 14 milhões, a maior parte em 2021.

Como foi a arrecadação em Curitiba nos últimos anos

Em 2018, Curitiba recebeu R$ 11.927.905,00 em pagamento de multas pelo estacionamento inadequado (Esses valores se referem às multas pagas, não às multas aplicadas. Isso porque nem sempre o pagamento acontece no mesmo ano, além dos casos de condutores que não pagam a multa) e arrecadou mais R$ 9.938.526,00 com vendas de bloquinhos através dos avisos de infração. Em 2019, a arrecadação foi de R$ 10.162.831,25 por multas e de R$ 8.942.817,00 com vendas de talões.

Os números de 2020 fogem da média devido ao início da pandemia de coronavírus. Foi o último ano de aviso de infração com venda de talões, em paralelo ao início da utilização dos aplicativos. O município recebeu R$ 3.822.395,34 em multas pagas. R$ 2.625.753,00 em venda de bloquinhos e cerca de R$ 2 milhões em compra de crédito para o aplicativo.

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Já em 2021, quando o comércio e outras atividades voltaram a funcionar normalmente, foram R$ 8.863.163,82 arrecadados por Curitiba em multas. E outros cerca de 10 milhões em créditos adicionados ao aplicativo, que não foram necessariamente expirados no ano passado.

Aplicativo pode começar a reduzir quantidade de multas

Com a facilidade de renovar o estacionamento em apenas um clique, o aplicativo pode ainda ter contribuído para uma pequena diminuição de multas pagas em Curitiba entre 2018 e 2021. Afinal, a arrecadação caiu de R$ 11.927.905,00 em 2018 para R$ 8.863.163,82 em 2021.

Apesar de o curitibano gastar menos com multas do EstaR, não houve diminuição da arrecadação municipal, já que a venda de créditos nos aplicativos tem sido ligeiramente maior hoje do que costumava ser a venda de blocos.

A facilidade de atualizar o estacionamento no aplicativo caminha junto com a necessidade de usar cada vez mais os estacionamentos pagos na capital paranaense. De acordo com a Urbs, eles começam a se estender a parques e terminais. "Já foi implementado por meio do Smart Park no Jardim Botânico e outros parques ainda estão sendo estudados. Nos terminais, há necessidade de verificar se existe espaço de propriedade da Urbs ou do Município de Curitiba para que eventualmente seja implementado", explica Romanel.