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Rolimã: diversão à moda antiga ainda vive em Curitiba

Brincadeira que envolve pais e filhos desde a confecção do carrinho até a descida em alta velocidade ainda tem seu espaço na capital

  • André Rogal, especial para a Gazeta do Povo
Ronaldo Kapriec e seu filho Giohn brincando com carrinho de rolimã nas ruas do bairro da Caximba | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Ronaldo Kapriec e seu filho Giohn brincando com carrinho de rolimã nas ruas do bairro da Caximba Albari Rosa/Gazeta do Povo
 
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Ainda há quem acredite que a simplicidade é o principal ingrediente para levar uma vida divertida e saudável, principalmente no que diz respeito às brincadeiras entre pais e filhos. Em Curitiba, algumas famílias se inspiram em jogos e brinquedos do passado para entreter e ensinar os pequenos a adotar um estilo de vida mais lúdico e ao ar livre. Dentro deste contexto, uma das atividades que possibilita essa integração entre adultos e as crianças é a corrida com o carrinho de rolimã.

A brincadeira era muito comum em vários lugares da cidade até algumas décadas atrás. Basicamente, as crianças montavam, com a ajuda dos pais, pequenos veículos de madeira, para descer e aproveitar a velocidade de ladeiras e ruas íngremes em Curitiba. Depois da intensa urbanização pela qual os bairros passaram e o aumento do trânsito, os praticantes começaram a se reunir no Parque São Lourenço, que, desde a década de 1970, tem a pista mais famosa da cidade para o carrinho de rolimã.

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Ronaldo Kapriec e seu filho Giohn brincando com carrinho de rolimã nas ruas do bairro da Caximba em Curitiba; Ronaldo e a esposa incentivam o filho a se divertir com brincadeiras dos tempos antigos Albari Rosa/Gazeta do Povo

O local continua muito requisitado, tanto que um festival em homenagem às brincadeiras nostálgicas e ao carrinho de rolimã chamado de “Jogos de Piá” foi realizado no primeiro domingo de julho. Mais do que relembrar uma atividade tão comum para os curitibanos nascidos algumas décadas atrás, o carrinho de rolimã no São Lourenço foi uma oportunidade de fortalecer os laços entre pais e filhos por meio da brincadeira ao ar livre. Para muitas famílias, foi a primeira oportunidade de levar os pequenos para conhecer a atividade, ou, para aqueles que já praticavam, confraternizar com outras pessoas que também mantêm a tradição, longe de qualquer instrumento tecnológico.

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Do lado das crianças, não faltava ansiedade e expectativa para encarar a descida. Já os adultos deixavam a nostalgia tomar conta e caminhavam com um leve sorriso de canto de rosto por lembrar o passado e também por ver os filhos animados em brincar da mesma forma que faziam quando tinham aquela mesma idade.

Incentivo às brincadeiras e simplicidade

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Albari Rosa/Gazeta do Povo

Ronaldo Kapriech, com a esposa, Geisana Mainardes, apresentou a brincadeira da sua infância ao filho, Giohn Kapriech. A família que mora na Caximba, no extremo sul da cidade, foi até o São Lourenço aproveitar a pista própria para rolimã. A principal motivação deles era apresentar um estilo de vida mais lúdico e saudável para o menino, de apenas sete anos.

“Para as crianças, rolimã é diferente. Eles estão acostumados muito com a rotina de tecnologia, celular e tudo mais. No nosso tempo rolimã era muito comum, ninguém dava uma importância maior. Agora vejo uma oportunidade de se divertir e também unir a família, por causa do passeio e da brincadeira”, conta Ronaldo.

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No fim das contas, o carrinho de rolimã também serviu como pano de fundo para um estilo de vida mais descontraído e livre dos imediatismos e da tecnologia. A família de Ronaldo, por exemplo, aproveitou este contexto para incentivar o filho a fazer mais atividades ao ar livre e exercitar a paciência.

“No passado, a preocupação dos adultos era de que as crianças não ficassem o tempo todo na rua, hoje é totalmente o oposto. As crianças ficam muito dentro de casa, não saem muito com os amigos, ficam sempre no celular. Sem contar que hoje é mais perigoso para uma criança ficar do lado de fora. Então tudo o que incentive essa interação e estar ao ar livre é ótimo”, acrescenta Geisana.

No caso do rolimã, a descida com o carrinho é só uma parte do processo. Não existe uma regra ou consenso especifico de como cada brinquedo deve ser, então pais e filhos usam a criatividade na hora de colocar a mão na massa. O próprio exercício de lidar com a madeira, e ver aquilo se transformando no veículo, faz parte da brincadeira.

É nesta hora que Ronaldo leva o filho para um cantinho da casa onde os dois começam todo o serviço manual que antecede as descidas. Lá dentro, não há nada além de madeira, ferramentas, materiais de solda e do companheirismo entre a família.

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“No nosso tempo, meu pai até ajudava a gente a fazer, mas era de uma forma mais despreparada, por assim dizer. A gente mesmo acabava improvisando, fazia de qualquer jeito e se quebrava todo. Hoje tenho a sorte de ter um amigo que é artista plástico e me dá umas dicas na hora de projetar um carrinho mais seguro, mas a hora da execução é toda nossa. Meu filho me ajuda, está sempre alcançando os materiais, se interessando para ver como é que faz até ficar pronto. É bonito de ver. O carrinho que fizemos foi preparado para descermos juntos, eu atrás, de copiloto, acho que esse aqui vai durar bastante”.

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Albari Rosa/Gazeta do Povo

Assim como Ronaldo, muitos outros pais também desceram junto com os filhos, em carrinhos preparados para duas pessoas. A maior parte das crianças que compareceram ao parque tinha pouca idade, no máximo 10 anos. Mesmo assim, os pequenos superavam a ansiedade de descer a pista, alguns deles, pela primeira vez. Depois disso, não paravam mais de querer descer até que os pais não aguentassem mais. Alguns adultos aproveitaram o embalo para também se sentir como crianças. A cena era de muitos tombos e carrinhos quebrando, muitas fotos e gargalhadas da família.

Nada de competição

Costumeiramente, os praticantes mais assíduos do carrinho de rolimã frequentam o parque São Lourenço aos finais de semana. A pista é considerada de média dificuldade, mas, apesar disso, a maioria das pessoas que praticam vai com o intuito de se divertir, sem disputas de corridas, por exemplo. Basta o tempo estar bom e a pista seca, para que os praticantes comecem a se agrupar no topo do parque. Mais do que reunir os fãs do carrinho de rolimã, é um ponto de encontro para todos os adeptos de uma vida mais despojada e cheia de adrenalina.

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