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Nome da tatuadora curitibana em avião da companhia Vueling
Tatuadora curitibana foi homenageada e teve nome gravado em avião| Foto: Nathan Walkowiak/ Flickr

A carreira da tatuadora Flavia Carvalho, de 34 anos, decolou mais do que ela mesmo imaginava. Responsável pelo projeto "A pele da flor", que usa tatuagem para minimizar dores e traumas marcados na pele de mulheres vítimas de violência, a curitibana foi surpreendida ao ver seu nome "batizar" um dos aviões da companhia espanhola Vueling como parte de uma ação da empresa para homenagear histórias de heróis anônimos ao redor do mundo.

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Há dois anos o nome de Flavia - a única brasileira contemplada pela campanha - circula pelos céus da Europa inscrito na lataria de uma aeronave Airbus A321 operada pela companhia. Mas a tatuadora só ficou sabendo que o projeto realmente tinha se concretizado no ano passado, ao ser procurada por um fotógrafo português que fez imagens do avião. "Em meados de 2015, a empresa me procurou para falar do projeto, o que já foi uma surpresa, mas eu nunca cheguei a receber fotos da aeronave, nada. Mas, no ano passado, um fotógrafo de Lisboa entrou em contato comigo e disse 'olha! Achei um avião com seu nome'", relembra.

A campanha "Histórias que merecem um avião" foi lançada pela Vueling em 2015 com a intenção de encontrar pessoas ou organizações protagonistas de trabalhos inspiradores. Companhia de baixo custo que faz mais de cem voos diários entre vários países europeus, a a ideia da empresa era justamente levar o nome destes heróis mundo afora e disseminar o que de melhor eles sabiam fazer.

Para chegar aos 13 nomes finais, a ação mobilizou as redes sociais e, até hoje, Flavia não tem ideia de quem a inscreveu. "Eu não sei quem me inscreveu. Na época [da campanha] o meu projeto teve grande repercussão internacional porque o El País [versão espanhola] fez uma reportagem, e várias pessoas do mundo entraram em contato comigo para me parabenizar. E acho que foi uma dessas meninas que me procurou que me inscreveu", palpita a curitibana.

Flavia só soube que seu nome constava entre os finalistas quando recebeu uma ligação de uma funcionária da empresa. Em espanhol, o diálogo fluiu truncado e a tatuadora não chegou a compreender a dimensão da empreitada. Só teve noção do tamanho da homenagem quando um trabalhador brasileiro da empresa começou a conduzir os trâmites. "Eu tive que mandar uma carta autorizando o uso do meu nome e as fotos, eles me escreveram de volta parabenizando mais uma vez meu trabalho, mas até o fotógrafo de Portugal me procurar nunca mais tive informação do que aconteceu, se aconteceu. Mas depois disso, eu comecei a procurar e vi até um vídeo que mostra meu avião pousando em Paris", brinca a tatuadora.

Mão amiga

Os traços desenhados em detalhes mínimos por Flavia já cobriram sinais que retratam a violência e sofrimento carregados por mulheres em quase 200 corpos diferentes.

Inicialmente voltado para vítimas de violência doméstica e mulheres submetidas a procedimentos de mastectomia - retirada do seio durante tratamentos contra câncer de mama –, o projeto se expandiu em 2017 e passou a atender também vítimas de automutilação. "Há uns dois anos, em um Setembro Amarelo, eu fiz uma campanha para atender mulheres automutiladas. Apareceram tantos casos, relacionados com violência psicológica e abuso sexual na infância, que eu abracei a causa e acabei mantendo", conta.

Na campanha idealizada pela Vueling, Flavia dividiu a lista dos selecionados com ideias diferentes, mas nem por isso menos importantes. Em outros aviões, foram colocados nomes de pessoas engajadas em causas como atendimento a crianças com câncer, soropositivos, moradores em situação de rua e proteção animal. Todos grandiosos dentro de suas propostas.

Apesar de a tatuadora não saber por quanto tempo mais seu nome vai continuar sobrevoando os céus da Europa, ela tem certeza de que a homenagem vai marcar para sempre a história da sua vida. "O nome no avião é o de menos. Na verdade o que vale é o meu trabalho, um projeto a favor da mulher, feminista, brasileiro, receber esse reconhecimento", avalia. "Eu sempre digo que o meu projeto é de formiguinha, mas é uma coisa que precisa ser feita na luta contra a violência contra a mulher", finaliza.

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