Após cinco dias sem os carros-fortes das empresas de transportes de valores fazerem o abastecimento a agências bancárias, começaram a faltar cédulas em caixas-eletrônicos internos de diversos bancos do Paraná, nesta sexta-feira (5). Nos terminais externos situados em próprios públicos, shoppings ou lojas a reposição do dinheiro pode ser feita única e exclusivamente pelas empresas especializadas e, por isso, já não há disponibilidade para saques. O abastecimento aos bancos foi interrompido na segunda-feira (1º), quando os vigilantes de transportes de valores iniciaram uma greve, reivindicando melhores salários e condições de trabalho.
Os caixas-eletrônicos situados dentro dos bancos estavam sendo abastecidos pelos próprios funcionários, com o dinheiro da movimentação das agências. Entretanto, como o volume de saques em dinheiro é maior que o de depósitos e de entrada física de dinheiro, o número de cédulas não está sendo suficiente para manter o giro. A situação é agravada pela chegada do quinto dia útil do mês, data em que grande parte dos trabalhadores e pensionistas recebem seus pagamentos.
Os planos de contingência implantados por alguns bancos como limitação do valor dos saques e redução do número de terminais eletrônicos disponíveis já não estão sendo suficientes diante da demanda. Por meio de sua assessoria de imprensa, o Banco do Brasil informou que as agências já estão sentindo o impacto da falta de abastecimento. O HSBC informou que vai intensificar as medidas de precaução para minimizar a escassez de cédulas. A Caixa Econômica Federal reconheceu haver apenas "problemas pontuais" em algumas agências de maior movimento, mas acrescentou que vai continuar com o plano de contingência.
Transtornos e filas
Por volta das 15h40, na sala de atendimento da Caixa Econômica Federal, situada à Travessa Oliveira Belo, Centro de Curitiba, todos os nove terminais-eletrônicos estavam sem cédulas e os usuários não conseguiam sacar. Não havia nenhum agente orientando os clientes. Na agência da Caixa, na Praça Carlos Gomes, também no Centro, os funcionários justificavam uma pane temporária no sistema, mas na metade dos vinte caixas-eletrônicos, havia uma placa indicando que não havia cédulas disponíveis.
Só nesta sexta-feira, a recepcionista Renata Gabardo (26) foi a três agências e em nenhuma delas conseguiu receber o dinheiro referente ao pagamento de pensão alimentícia de sua filha. "Já são quase 4 horas e, pelo jeito, não vou conseguir sacar. Vai ficar difícil passar o final de semana sem esse dinheiro", disse.
Na agência do Banco do Brasil, na Praça Carlos Gomes, Centro, dos dez caixas-eletrônicos, apenas dois operavam com disponibilidade para saques. Mas quem precisou do dinheiro, teve que esperar, em média, 25 minutos nas filas.
O gerente de logística, Rodrigo Palhano, também enfrentou transtornos para sacar. Depois de uma tentativa frustrada em uma agência, ele se dirigiu a outra, onde, após cerca de 30 minutos, conseguiu sacar. "Como usuário, eu acho essa situação toda muito ruim", disse. Na agência do Unibanco em que ele conseguiu o dinheiro só havia um dos cinco terminais-eletrônicos com cédulas disponíveis.







