Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Greve dos Vigilantes

Justiça determina que carros-fortes voltem a abastecer os bancos

Transportadoras que estavam sendo acusadas de locaute voltarão ao trabalho, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Sindicato terá que liberar 40% dos funcionários das empresas que estavam em greve

Após o quinto dia de paralisação, os carros-fortes das empresas de transportes de valores devem voltar a abastecer as agências bancárias do Paraná, enfraquecendo a greve dos vigilantes. No início da noite desta sexta-feira (5), a vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR), desembargadora Rosemarie Diedrichs Pimpão, determinou que as transportadoras Prosegur Brasil S.A. e Brink’s Segurança e Transporte de Valores Ltda coloquem seus caminhões de volta ao trabalho, sob pena de multa diária de R$ 100 mil, para cada empresa. Ambas as transportadoras haviam fechado acordo com seus funcionários, que abandonaram a greve, mas estavam sendo acusadas de locaute, a chamada "greve dos empregadores".

A desembargadora também determinou que o Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana (Sindivigilantes) disponibilize, de imediato, 40% dos funcionários das outras duas transportadoras – Proforte S.A e Transbank S.A. – para retornarem ao trabalho. Todos os funcionários dessas empresas ainda permaneciam paralisados e a determinação enfraquece o movimento grevista. "Pretendemos continuar com nossas reivindicações, mas a decisão da Justiça praticamente põe fim à greve, que perde a força", reconheceu o presidente do Sindivigilantes, João Soares.

As decisões passam a valer a partir do momento em que as empresas e os sindicatos forem comunicados oficialmente, o que só deve ocorrer na segunda-feira.

A greve dos vigilantes de transporte de valores foi iniciada na segunda-feira (1º), interrompendo o fornecimento de cédulas a agências bancárias e a caixas eletrônicos do Paraná. Nesta sexta-feira, os bancos começaram a sofrer o impacto do falta de abastecimento e foi registrada escassez de papel moeda em alguns terminais.

Locaute

Na quarta-feira (3), em audiência conciliatória realizada no TRT-PR, funcionários da Brink’s e da Prosegur optaram por aceitar a proposta patronal e racharam a greve. Apesar do acordo, as duas empresas não puseram os carros-fortes nas ruas e foram acusadas de locaute, prática vedada pela legislação brasileira e que configura crime.

Na manhã desta sexta-feira, oficiais de justiça foram destacados às empresas, para constatar se havia irregularidade. Segundo o Sindivigilantes, que apresentou a denúncia, os funcionários da Brink’s e da Prosegur estariam no pátio das empresas, uniformizados, prontos para o trabalho, mas as empresas não liberavam os carros-fortes, o que configuraria o locaute.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Prosegur comunicou que a empresa ainda não havia voltado a abastecer os caixas eletrônicos por temer que seus colaboradores sofressem represálias. "A empresa esclarece que está tomando todas as medidas legais e necessárias para que possa rapidamente retomar suas atividades normais", consta da nota. A reportagem não conseguiu contato com representantes da Brink’s.

Apesar do enfraquecimento do movimento grevista, o Sinvigilantes continua com suas reivindicações: aumento salarial real de 8%, mais correções pelo INPC, além de vale alimentação no valor de R$ 15,00. O maior proposta apresentada pelas empresas foi de reajuste real de 1%, mais correções pelo INPC, e vale também no valor de R$ 15.

A Gazeta do Povo tentou ouvir o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Valores do Estado do Paraná, Gerson Benedito Pires, que representa as empresas do setor, mas não conseguiu contato.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.