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Em uma tentativa de amenizar as desavenças entre os membros do Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira, na abertura do Foro de Governadores e Prefeitos do Mercosul, o reconhecimento das diferenças entre os países da América do Sul como caminho para efetivar a integração do bloco. Antes disso, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse, ao chegar ao Rio, que era preciso 'descontaminar o Mercosul do neoliberalismo'.

- Nossa integração só se dará se tivermos disposição política de compreender que somos diferentes, que vivemos em Estados e países diferentes, com realidades diferentes, e precisamos aceitar o parceiro como ele é, não tentar fazer o parceiro ser como a gente. Assim não dá certo - disse Lula.

Em entrevista após seu discurso na abertura do evento, Lula disse ainda que não considerou radicais os discursos feitos por seu colega venezuelano Hugo Chávez depois que ele tomou posse de seu segundo mandato e declarou que que não está preocupado com o socialismo no século 22. Chávez afirmou na Venezuela que instalaria o "socialismo do século 21" em seu país. Ao chegar ao Rio, Chávez disse ainda que o

- Não vejo declarações radicais. O Chávez fez um dscurso para o seu povo. Não vejo problema nisso, não. Aliás, eu vou almoçar com ele agora - brincou Lula.

Não há motivos para preocupações

Para Lula, não há motivos para preocupações com as políticas de cada país da América Latina. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que abriu a Cúpula do Mercosul, destacou a importância da entrada da Venezuela no bloco.

- Não me preocupou o (socialismo) do século 19 e nem me preocupa o do século 22. É preciso compreender que cada país tem o direito de fazer o discurso que melhor entender. Se nós fizermos pelos nossos países e respeitarmos a soberania de cada país, estamos tranqüilos na América do Sul. A América do Sul tem a compreensão hoje exata de que, ou crescemos politicamente, amadurecemos rapidamente e paramos com os problemas menores que cada um de nós têm, ou vamos terminar os mandatos sem conseguir consagrar a integração. Muito mais do que nós, a França e a Alemanha tinham problemas porque a Alemanha quase dizima a França e eles se juntaram para fazer a integração da Europa - afirmou o presidente.

No discurso na abertura do evento, o presidente acrescentou que os governantes da região precisam entender que é necessário também atender aos interesses de outros países. Lula considera extremamente importante a mudança do perfil ideológico que a América Latina teria sofrido nos últimos anos.

- Os empresários sabem fazer o seu trabalho. Os governantes é que precisam evoluir e saber que temos de atender aos interesses de outros países, em vez de achar que só os nossos interesses têm de ser atendidos. Como estou convencido de que se cada um de nós fizer uma reflexão do que aconteceu na América Latina nos séculos 20 e 19, vamos ter a compreensão de que precisamos fazer um século 21 diferente daqueles. Os governantes já são diferentes. A América Latina mudou substancialmente e está mudando o seu perfil ideológico, o que é extremamente importante. Agora, entre ganhar eleições e conseguir colocar em prática os nossos sonhos, que são os sonhos da maioria do povo, é um desafio. Deus me deu o direito de ganhar as eleições. Agora quero que ele me dê a grandeza para fazer as coisas que precisam ser feitas para o Brasil e para a integração da América do Sul - afirmou Lula.

Lula acredita que a decisão de investir na integração do continente e no Mercosul foi correta.

Amorim destacou a entrada da Venezuela

- Estou convencido que se olharmos para a balança comercial dos países da América do Sul vocês vão ver que foi acertada a nossa decisão de acreditar na integração e fortalecer o Mercosul. Não resolvemos todos os problemas, porque temos problemas de assimetrias entre os países e de desigualdades muito fortes nas economias entre os países. E a minha tese é que os países mais fortes têm que ser mais generosos de ter políticas para ajudar os países mais pobres. Foi assim que a União Européia conseguiu ajudar o desenvolvimento da Espanha, de Portugal e da Grécia. Este é o gesto que os países maiores têm de fazer. A segunda coisa é que a integração tem de ser total: ela tem de ser cultural, política, econômica, social - explicou.

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