Brasileiros que viajaram ao exterior pela Varig continuam enfrentando dificuldades para conseguir voltar para casa, apesar do plano de emergência montado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para trazer os passageiros de volta ao país. A TAM deixou de endossar bilhetes da Varig em Paris, Nova York e Miami na última sexta-feira.

A decisão da TAM é válida mesmo que haja assento disponível na aeronave. A companhia alegou que não recebeu pagamento, no valor de US$ 1,5 milhão, pelo embarque dos usuários da Varig do exterior.

Passageiros que tentam o endosso de bilhetes Varig em outras companhias estrangeiras também encontram dificuldades. O brasileiro Antonio Marcos Marcon, que mora em Munique, na Alemanha, tenta sem sucesso desde sexta-feira embarcar de volta ao Brasil o filho Lucas, de nove anos, que foi visitá-lo.

Marcon disse que o filho já está perdendo aulas no colégio aqui no Brasil, onde mora com a mãe. Ele conta que uma central de atendimento terceirizada da Varig na Alemanha, já o mandou três vezes ao aeroporto para trocar o bilhete, já que o vôo da empresa foi cancelado, em três outras companhias, que não endossaram o bilhete.

O brasileiro já tentou embarcar na Lufthansa, Alitalia e TAP, que elegam não ter lugares disponíveis nos vôos. Marcon disse que só conseguiu uma promessa de que poderia embarcar no próximo dia 14.

- É uma hipocrisia afirmar que as outras companhias aéreas estão aceitando os bilhetes Varig. Eles simplesmente propõem ao passageiro datas irreais a custos absurdos - afirmou Marcon, que disse que já pensa em comprar outra passagem para que o filho não perca mais aulas no colégio.

A brasileira Anusa Medeiros, que foi fazer um curso de alemão com duração de dois meses, é outra que tenta voltar ao Brasil a partir de Munique. Ela tinha uma passagem da Varig marcada para voltar à Manaus no último dia 21, mas não consegue embarcar em outra companhia, desde que os vôos da Varig da Alemanha foram cancelados.

A Varig foi expulsa em junho da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata, na sigla em inglês), uma espécie de câmara de compensação entre companhias aéreas. Com isso, as negociações sobre compensação de assento de passageiros da Varig em vôos internacionais vinham sendo feitas diretamente entre as companhias.

Nesta terça-feira, reprresentantes da Varig e dos trabalhadores realizam reunião de tentativa de concialiação no Ministério Público do Trabalho.

Por entender que existe risco de prejuízo aos trabalhadores, a Justiça do Rio bloqueou nesta segunda-feira US$ 75 milhões da Varig para garantir o pagamento de salários atrasados e verbas rescisórias dos funcionários demitidos pela companhia. O dinheiro fora depositado pela Volo do Brasil, logo depois da compra da Varig em leilão, e serviria para financiar novos investimentos. Apesar da vitória, os sindicatos não descartam o início de novas paralisações ainda nesta terça-feira.

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