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Startup de inteligência artificial brasileira fatura R$ 1 milhão no primeiro ano e abre filial nos EUA

Considerada o principal player de inteligência artificial do Brasil, a startup brasileira faturou mais de R$ 1 milhão no primeiro ano

  • Carol Nery Especial para a Gazeta do Povo
Um dos fundadores e CEO da Nexo AI, Diego Figueiredo. | Marcelo Pereira/M11 Photos
Um dos fundadores e CEO da Nexo AI, Diego Figueiredo. Marcelo Pereira/M11 Photos
 
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Fundada há menos de dois anos, a Nexo AI é reconhecida como o principal player brasileiro de inteligência artificial (IA), com o desenvolvimento de soluções criativas para grandes empresas. A startup utiliza ferramentas não somente de IA, mas de Internet das Coisas (IoT), Blockchain, Machine e Deep Learning e já atendeu companhia como Volkswagen, Bayer, Forbes e Brastemp. Nascida com investimento próprio de R$ 50 mil dos sócios Diego Figueredo e Luiz Carvalho, a Nexo AI caminha em um processo acelerado de crescimento. Parceira da IBM, Microsoft e Amazon, e sócia em Joint Venture com a Bullet e a Ogilvy, a empresa faturou R$ 1 milhão em 2017, seu primeiro ano de atuação, e deve terminar o ano de 2018 com um crescimento superior a 300%, ultrapassando a casa dos R$ 3 milhões. Há quatro meses a empresa abriu uma filial em Nova York, nos EUA, e já tem contrato com nomes como a Máquina Cohn & Wolfe, uma das maiores agências de comunicação do mundo.

A justifica para tanto destaque foi o investimento em soluções mais complexas, afirma o CEO da Nexo AI, Diego Figueredo. “A maior parte das startups que estavam surgindo estavam muito focadas em assistentes virtuais. Temos como diferencial um processo criativo muito forte e as agências entenderam isso”, diz. O executivo cita como exemplo o projeto desenvolvido em parceria com a agência Ogilvy Brasil para a Forbes. Construído por meio de ferramenta de AI, o personagem Sr. Ricky Brasil é uma personificação da corrupção no país. O robô recebeu não somente uma forma física, mas características de personalidade e é capaz de responder a perguntas como “O senhor acha que pobreza e corrupção no Brasil, tem alguma relação?”, feita pelo diretor executivo do Transparência Internacional Brasil, Bruno Brandão, ou “O senhor não tem medo de ser preso?”, feita pelo editor da Forbes, Alexandre Mercki, e que fazem parte do videocase do projeto.

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O processamento das respostas tem como base entrevistas e depoimentos de mais de 150 condenados em operações da Polícia Federal nos últimos anos, como Mensalão e Lava Jato. Os dados foram inseridos ao sistema e, com o cruzamento do conteúdo, a ferramenta de inteligência artificial aponta o retrato da “personificação da corrupção” no Brasil. O Sr. Ricky Brasil, que tem os trejeitos, aparência física, linguagem e pensa como um corrupto, conquistou ouro e bronze no festival de Cannes desse ano, maior e mais importante do segmento da publicidade no mundo. Mas a Nexo AI ganhou visibilidade mesmo ao participar do Think 2018, em abril, em Las Vegas, evento promovido pela IBM, onde recebeu o prêmio como principal parceiro inovador da IBM na América Latina. “Havia 30 mil pessoas entre parceiros globais e clientes da IBM. Ganhamos bastante destaque e começamos a ser buscados por empresas de lá. Foi devido a tantas abordagens que decidimos estruturar uma operação nos EUA.”

Apesar de o mercado norte-americano ser muito mais maduro que o do Brasil, ainda há grande potencial de crescimento, na avaliação de Figueredo, por isso o investimento no país. “Além disso, temos o diferencial de desenvolver projetos e soluções customizadas para cada cliente a nosso favor. A maior parte das empresas que vendem soluções de AI não constrói do zero, mas sim utiliza soluções existentes de fabricantes como IBM, Oracle, Microsoft, Google e Amazon, e as entregam prontas. Elas suportam essas soluções, dão manutenção e fazem toda a parte comercial. A Nexo AI constrói essa solução do zero. Com a velocidade dos negócios hoje, não entendemos que as empresas tenham que se adaptar a soluções, mas sim atender às necessidades e objetivos de negócio específicos da empresa.”

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O mercado dos EUA oferece ainda uma melhor mão-de-obra de IA, principalmente de cientistas de dados, que não se consegue com facilidade no Brasil, comenta Figueredo. “Apesar de a mão-de-obra ser muito mais cara que no Brasil, conseguimos nos destacar na construção de soluções muito mais complexas do que temos visto aqui no país. Montamos um time para atender aos projetos tanto no Brasil como nos EUA. Já temos projetos fechados de clientes que começaram no Brasil e foram para os EUA, assim como empresas locais.” A Nexo AI tem mais de 30 colaboradores e está instalada no coworking We Work, tanto na sede de São Paulo, como de Nova York. A estimativa é que a operação nos EUA aumente o faturamento da startup em cerca de 40% em 2019. “Queremos causar transformações tão impactantes no restante do mundo quanto as que estamos provocando no Brasil.”

Um dos cases de grande destaque da Nexo AI pode ser conferido recentemente na Febraban, durante o lançamento do caminhão 100% elétrico e-Delivery, da Volkswagen. Figueredo conta que a Nexo AI teve total liberdade criativa para desenvolver o projeto e foi à campo conhecer seu alvo. A empresa conversou com o público caminhoneiro em postos de gasolina, concessionárias e oficinas, para entender qual a relação deles com o produto em questão. “Percebemos que o caminhoneiro tem uma relação com o caminhão como se fosse um membro da família e passa mais tempo com o veículo do que em casa. Não faria sentido colocar um totem para intermediar a comunicação entre o caminhoneiro e o e-Delivery. Era preciso por o caminhão para conversar de fato com o caminhoneiro, em uma relação muito mais próxima e íntima, da mesma forma que tem com um membro da família. Foi aí que fizemos o caminhão falar, por meio de IA e IoT.”

O sucesso foi tamanho, relata o CEO da Nexo AI, que os visitantes pediram para a Volkswagen adotar a solução. “Temos visto algumas iniciativas da Volks, começando em carros de passeio, como é o caso do Virtus, e em breve devemos ver esse tipo de tecnologia nos caminhões da marca.”

Break -even no primeiro mês

A Nexo AI atingiu o break-even – ou seja, quando deixa de perder dinheiro e passa a ganhar, equilibrando despesa e receita – logo no primeiro mês, ao fechar o primeiro contrato com a Conecte. Com lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2019 no Brasil e nos EUA, a Nexo AI está desenvolvendo um produto para a área de recrutamento e seleção, no qual está automatizando todo o processo e construindo o algoritmo de recomendação do candidato para a vaga.

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O match acontece após análise das informações online sobre o candidato e a empresa, como fit cultural, valores e necessidades, resultando na contratação de melhores funcionários, redução de turnover e aumento da assertividade e produtividade. “Fizemos os testes e o resultado foi surpreendente. Esse lançamento deve ajudar a alavancar muito nossa operação nos EUA, para que a Nexo AI se torne conhecida no mercado. Pelas nossas projeções este produto nos trará um potencial de faturamento em 2019 que representará quase que nosso faturamento inteiro de 2018 em projetos.”

Outro projeto que está por vir para “revolucionar o mercado de marketing” no próximo ano, nas palavras de Figueredo, é uma plataforma que faz a análise da empresa online. Está sendo desenvolvido para a plataforma Connection - AI, dos sócios Paula Gertrudes e Marcus Boaiz. A ideia é entender como essa empresa é vendida na mídia e o que as pessoas falam sobre ela, fazer um mapeamento da personalidade online da empresa e identificar qual é a celebridade ou influenciador digital que tem a maior sinergia com a empresa, para que possa representar e estrelar uma campanha publicitária para a marca.

Planos para 2019 não incluem processos de M&A

A startup já iniciou os planos para 2019, com a implantação da Nexo Consultoria. Ela é voltada a empresas que queiram desenvolver projetos inovadores, mas não sabem em que investir. A maioria das empresas está ciente da necessidade de apostar em tecnologia, mas não tem ideia de como usá-la para de fato obter maior receita e eficiência e reduzir custos, segundo Figueredo. “A consultoria permite fazer esse direcionamento, alinhar tecnologias com estratégias e objetivos de negócio das empresas. Os projetos são cada vez mais robustos e conseguimos ser muito mais assertivos dessa forma, porque passamos a entender de maneira muito mais profunda os processos das empresas, para identificar todas as oportunidades de inovação.”

A Nexo AI nunca recebeu investimento externo e os planos para 2019 passam longe desta intenção. Pelo menos pelos próximos dois anos, Figueredo acredita que a startup tem muito o que crescer e uma cultura de liberdade a ser mais explorada. “Recebemos várias propostas de grandes grupos desde o final do ano passado, mas optamos pelas joint ventures, para que possamos construir parcerias sólidas e somente lá na frente, inclusive junto a essas empresas, fazer processos de M&A [fusões e aquisições]. Se fizermos isso agora, ainda no início e com novas estratégias para 2019, essa liberdade que temos hoje de caminharmos para onde achamos que devemos será totalmente engessada.”

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