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PSDB Doria
Ala do PSDB ligada ao governador gaúcho Eduardo Leite pressiona contra candidatura de João Doria ao Palácio do Planalto| Foto: George Gianni/PSDB

Uma ala do PSDB ligada ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ampliou a pressão contra a pré-candidatura do governador de São Paulo, João Doria, ao Palácio do Planalto. Doria venceu as prévias do partido contra Leite, mas a viabilidade da candidatura vem sendo questionada devido ao baixo desempenho do tucano nas pesquisas.

Levantamento do instituto Quaest, divulgado nesta quarta-feira (9), mostra Doria com 2% das intenções de voto. O tucano aparece atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45%, do presidente Jair Bolsonaro (PL), com 23%, e dos ex-ministros Sergio Moro (Podemos) e Ciro Gomes (PDT), que somam 7%, cada.

Em um jantar realizado nesta terça-feira (8), em Brasília, nomes como Eduardo Leite e os senadores Tasso Jereissati (CE) e José Aníbal (SP) defenderam um eventual desembarque do PSDB, caso Doria não melhore seu desempenho nas pesquisas até meados de março. Leite, por exemplo, tem convite para se filiar ao PSD, do ex-ministro Gilberto Kassab, e se lançar na disputa pelo Planalto.

"Além do baixo desempenho nas pesquisas, o que mais preocupa os líderes do partido é a altíssima e persistente rejeição que o candidato escolhido tem, inclusive no seu estado, a 45 dias de deixar o mandato", afirmou Leite depois do encontro.

Além destes caciques, o jantar contou com a presença de integrantes da bancada do PSDB na Câmara, entre eles o deputado Aécio Neves (MG), um dos principais desafetos de Doria no ninho tucano. De acordo com essa ala, o partido pode perder metade da bancada de 32 deputados durante a janela partidária, que será aberta em março. Os parlamentares temem que a rejeição de Doria prejudique a reeleição da bancada.

Simone Tebet vira aposta de grupo rival de Doria no PSDB 

Como contrapartida ao nome de João Doria, a ala contrária ao tucano defende que o partido embarque na candidatura da senadora Simone Tebet (MDB) ao Palácio do Planalto. Apesar de estar numericamente atrás de Doria nas pesquisas, os adversários do pré-candidato tucano acreditam que a emedebista tem uma rejeição menor e um potencial maior de crescimento. No último levantamento Quaest, Tebet somou 1% das intenções de voto.

De acordo com a pesquisa Quaest, 61% dos entrevistados responderam que "conhecem e não votariam" em João Doria, enquanto outros 23% disseram que "não conhecem" o governador tucano. Já sobre a senadora Simone Tebet, 18% disseram que "conhecem e não votariam", enquanto 76% disseram "não conhecer" a emedebista.

Recentemente, os senadores Tasso Jereissati e José Aníbal se reuniram com o ex-presidente Michel Temer (MDB). Na conversa, ambos ressaltaram o potencial eleitoral da senadora emedebista. "Estamos entusiasmados com a candidatura da Simone. Ela é um nome que tem baixa rejeição e espaço aberto para crescer nas pesquisas eleitorais", argumenta Aníbal.

A senadora mantém proximidade com Doria e não descarta uma eventual composição com o governador paulista antes do registro das candidaturas. No entanto, a parlamentar tem reforçado que não aceitaria ser vice de um outro candidato. "Não tenho plano B, não sou candidata a vice", afirmou ela nesta semana.

Doria classifica movimento como "jantar de derrotados" 

Em reação, o governador João Doria classificou o jantar dos seus adversários em Brasília como um encontro de "derrotados".

"Foi um jantar de derrotados, com todo respeito. Todos eles foram derrotados nas prévias. Eu tive, circunstancialmente, uma vitória nas prévias do PSDB, mas tive a grandeza de cumprimentar o Eduardo Leite e todos aqueles que o apoiaram de maneira educada. Não me parece que cinco pessoas sentadas num jantar possam representar o PSDB. O PSDB é maior do que cinco pessoas que ali representavam derrotados", disse Doria em entrevista a Rádio Eldorado.

Sobre o seu desempenho nas pesquisas, o tucano argumentou que a população ainda não está envolvida nas eleições. Para o pré-candidato, isso deve ocorrer apenas em agosto, com as candidaturas oficializadas e a campanha na rua.

"As pesquisas de agora são meros retratos pontuais e circunstanciais que não refletem uma realidade que será sim apontada pela população mais próxima do processo eleitoral. As pessoas agora estão preocupadas com a sua saúde, com o seu emprego, com seu salário e com comida no prato. Não estão preocupadas com eleição", completou.

Escalado por Doria para trabalhar como aglutinador de forças dentro do partido, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, reforçou a legitimidade da pré-candidatura do governador paulista. "Na política tudo tem um tempo. É legítimo solicitar desempenho de qualquer candidatura, mas, para que haja credibilidade nesses propósitos, o tempo precisa ser respeitado. Não é o momento para essa cobrança", afirmou Araújo.

O mesmo movimento foi acompanhado pelos aliados de Doria dentro do PSDB, que classificaram o encontro da ala de oposição como uma tentativa de "golpe". "A conspiração do grupo de perdedores contra o vencedor das prévias e candidato à Presidência do Brasil pelo PSDB, João Doria, demonstra que a derrota lhes subiu à cabeça. É uma tentativa amadora de golpe", afirmou o presidente da Assembleia de São Paulo, deputado Carlão Pignatari (PSDB).

Na mesma linha, o deputado estadual Cauê Macris (PSDB-SP) classificou os opositores como "rebeldes". "Os rebeldes do PSDB, partido que tem a democracia em seu nome, precisam urgentemente entender que não há hipótese de segundo turno das prévias", completou.

Metodologia de pesquisa citada na reportagem 

A pesquisa do Instituto Quaest, encomendada pelo Banco Genial, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR- 08857/2022. O levantamento ouviu, de forma presencial, 2 mil eleitores entre os dias 3 e 6 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos; e o nível de confiança é de 95%.

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