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Entrevista à Gazeta do Povo

Guto Schiavetto defende enfrentamento à elite corrupta nas instituições e impeachment no STF

Candidato ao Senado pelo Missão, Guto Schiavetto defende o equilíbrio entre as instituições.
Candidato em São Paulo pelo Missão, Guto Schiavetto apresenta propostas para o Senado e defende mudanças institucionais, durante entrevista no Café com a Gazeta do Povo. (Foto: Reprodução/Youtube Gazeta do Povo)

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O candidato ao Senado pelo estado de São Paulo Guto Schiavetto (Missão) participou do programa Café com a Gazeta do Povo desta quinta-feira (3), dentro da série de entrevistas que o jornal está realizando neste período eleitoral.

Empresário e formado em Ciência da Computação pela PUC-SP, Schiavetto apresentou como prioridade a recuperação do equilíbrio institucional do país. Ao tratar da relação entre Congresso e Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu processos de impeachment contra ministros do Supremo.

"Pela independência da nossa candidatura e por não termos nenhum processo no STF, podemos assumir claramente que somos favoráveis ao impeachment de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes", afirmou. O candidato mencionou a decisão que restringiu, no início desta semana, a campanha de Renan Santos, candidato à Presidência da República pelo Missão.

Para Schiavetto, o episódio representa uma perseguição ao grupo político que representa. A posterior revogação das medidas, segundo Schiavetto, reforça a necessidade de reação dentro das instituições. "Não queremos enfrentar o STF como instituição, porque é uma instituição que deve ser respeitada. O que defendemos é o enfrentamento a uma elite corrupta que ocupa espaços nas instituições do nosso país", disse.

Guto Schiavetto critica direita paulista e destaca independência do Missão

Ao comparar a própria candidatura com outros nomes da direita paulista, Schiavetto destacou a independência em relação às forças políticas tradicionais. Na avaliação dele, parte dos nomes identificados com esse campo político adota comportamentos incompatíveis com o que se espera da direita.

"Nossa principal diferença é a independência. Na prática, vemos condutas que não esperamos de quem se apresenta como representante desse campo. Nós não temos essa experiência de mandato e não carregamos as mesmas marcas no histórico político", afirmou.

Questionado por sua passagem por partidos de espectro político oposto ao Missão, como o Rede Sustentabilidade, de centro-esquerda, Schiavetto contou que entrou no partido depois de defender o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). "Naquele momento, a Rede era uma das poucas opções que permitiam uma candidatura a vereador. Depois, percebi que o projeto havia afundado e que o partido tinha se tornado apenas um satélite do PT", justificou.

Ele afirmou ter encontrado no Missão liberdade para defender as próprias posições políticas. "Pela primeira vez, estou em uma legenda na qual me sinto à vontade para não precisar dizer amém a nenhum político", afirmou. "Temos um projeto político e um plano para o Brasil. Nunca ganhei dinheiro com política, sempre foi uma militância", complementou.

Candidato cobra mais representatividade de São Paulo no Senado

A representatividade de São Paulo também ocupou espaço central na fala do candidato ao Senado pelo Missão. Schiavetto criticou o modelo de distribuição de recursos entre os estados e citou a legislação de 1989, que criou o Fundo de Participação dos Estados (FPE).

Segundo ele, São Paulo possui um peso econômico superior ao retorno que recebe e vive "uma lacuna de representatividade". "O estado contribui com cerca de 40% de tudo o que é produzido no país, mas recebe aproximadamente 1% de retorno, por meio desse mecanismo", afirmou.

Schiavetto cobrou uma atuação mais firme dos senadores paulistas na discussão sobre o pacto federativo. "Não vemos senadores levantando a voz contra pactos federativos que se mostram ineficazes. A lei foi criada para combater desigualdades, mas demonstrou ser ineficaz", disse.

Guto Schiavetto cogita presidir Senado para restabelecer equilíbrio institucional

Se conquistar uma vaga como representante de São Paulo, Schiavetto declarou que pretende disputar a presidência do Senado. A intenção, segundo ele, faz parte da estratégia para ampliar a representação paulista e buscar o equilíbrio institucional que defende.

"Eu me colocaria para a disputa pela presidência do Senado, São Paulo precisa ser representado. Com Renan Santos como presidente, vamos precisar de uma retaguarda nesse objetivo de restabelecer o equilíbrio institucional que tanto falta e essa também é uma função do senador", afirmou.

Ele citou outros senadores como exemplos de parlamentares que, na sua avaliação, enfrentam forte resistência dentro da Casa. "Vejo senadores como Esperidião Amin (PP) e Alessandro Vieira (MDB), que parecem lutar contra uma corrente muito forte dentro do Senado. Isso me encoraja e reforça minha vontade de disputar a presidência da Casa", disse.

Alcolumbre é criticado por barrar votação ao impeachment de Moraes

A atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), também foi alvo de críticas. Guto Schiavetto questionou a condução dos pedidos de impeachment contra ministros do STF.

Schiavetto também questionou a influência do presidente do Senado sobre decisões que, segundo ele, afetam todo o país.

"O pedido de impeachment de Alexandre de Moraes é uma demanda do povo brasileiro, não de um ente federativo. Uma pessoa eleita pelo Amapá não pode decidir sozinha o futuro do país”, declarou.

Facções criminosas exigem reação do governo, segundo Schiavetto

Na segurança pública, Schiavetto apontou as facções criminosas, principalmente o PCC (Primeiro Comando da Capital), como o problema mais graves do país. "Precisamos criar mecanismos que acelerem a recuperação dos territórios e deem sustentação à nossa ideia do 'Direito Penal do Inimigo', com julgamentos mais rápidos e punições rigorosas", afirmou.

A proposta integra o chamado "Livro Amarelo", documento que reúne as propostas do partido Missão para o país. O candidato afirmou que o crime ocupa regiões com leis próprias, com uma "espécie de novo Estado dentro de determinados espaços geográficos".

"Existe uma economia controlada pelo crime, pelo tribunal do crime e com regras próprias. Quando essa ordem criminosa se estabelece em regiões do território nacional, o Estado precisa recuperar esse território", disse.

Marina e Tebet viram alvo de críticas por palanque para Lula

As candidaturas de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) ao Senado por São Paulo também foram criticadas durante a entrevista do candidato à Gazeta do Povo. Na avaliação de Schiavetto, as duas candidatas atuam somente como palanque para o presidente Lula no estado.

Sobre sua própria preferência nas urnas, Schiavetto afirmou que pretende votar apenas nele mesmo e que anulará o segundo voto. Ele chegou a citar o candidato ao Senado pelo PL Guilherme Derrite, afirmando admirar a trajetória dele como secretário da Segurança Pública de São Paulo. Porém, criticou as alianças políticas do deputado federal.

"Admiro o Derrite pela trajetória na segurança, mas não concordo com quem ele está aliado. Eu não daria meu voto de confiança para as figuras que estão aí, meu voto será no meu número e anularei meu segundo voto", afirmou.

As respostas de Guto Schiavetto ao pinga-fogo do Café com a Gazeta

No fim da entrevista, Guto Schiavetto foi questionado se é "a favor" ou "contra" temas políticos e sociais, e a opinar em poucas palavras sobre alguns temas. As respostas foram:

  • Bets: "Contra"
  • Voto impresso: "A favor"
  • Legalização do aborto: "Contra"
  • Câmeras no uniforme do policial: "A favor"
  • Redução da maioridade penal: "A favor"
  • Fim do foro privilegiado: "A favor"
  • Audiência de custódia: "Contra"
  • Escala 6x1: "Contra"
  • Escola cívico-militar: "A favor"
  • Impeachment de ministros do STF: "Muito a favor"
  • Teto de gastos: "A favor"
  • Um grande político brasileiro: "Renan Santos"
  • Lula é: "Abjeto"
  • Jair Bolsonaro é: "Comum"
  • Davi Alcolumbre: "Péssimo"
  • André Mendonça: "Razoável"
  • Alexandre de Moraes: "Corrupto"
  • 8 de Janeiro foi: "Triste"

Ao final da entrevista, Guto Schiavetto reforçou que pretende chegar ao Senado como uma voz contra o desequilíbrio entre as instituições. Ele também buscou se apresentar como um representante próximo da realidade do eleitor.

Schiavetto disse que é um comerciante comum e que está cansado da elevada carga de impostos. Segundo ele, a experiência no setor privado ajuda a entender as dificuldades enfrentadas por quem trabalha e produz no país.

Gazeta do Povo realiza série de entrevistas

A Gazeta do Povo promove, no seu canal do YouTube, uma série de entrevistas com candidatos ao Senado nos estados do Paraná e de São Paulo. São convidados todos os candidatos cujos partidos contam com representatividade mínima no Congresso Nacional.

As entrevistas têm duração de 45 minutos e são realizadas ao vivo, no horário das 9h15 às 10h, dentro do programa Café com a Gazeta do Povo.

As entrevistas são veiculadas no canal da Gazeta do Povo no YouTube e no site do jornal.

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