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Athletico, Coritiba e Paraná vivem um 2019 bastante distinto. Enquanto o Furacão foi eliminado da Libertadores, campeão da Levain Cup, disputa a Série A e está nas semifinais da Copa do Brasil, Coxa e Tricolor têm neste momento o mesmo número de pontos na tabela da Série B, ocupando a 6.ª e a 7.ª posição, respectivamente, com 23 pontos cada.

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E as duas equipes têm o mesmo objetivo: o acesso à elite do futebol brasileiro. A principal barreira para isso não é nenhum time que esteja acima da tabela, mas sim o fator psicológico.

"A pressão para a classificação, que é o caso no Coritiba e no Paraná, não é tarefa fácil. Temos que lembrar que os campeonatos por pontos corridos são disputas de regularidade. A estratégia é diferente, todos os jogos têm o mesmo peso", afirma o psicólogo Gilberto Gaertner, especialista em psicologia esportiva.

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"Não iniciar bem as disputas implica em ter que correr atrás de resultados na fase final da competição, o que eleva a temperatura e a pressão sobre os jogadores, comissão técnica e o próprio clube", resume.

Cobranças no Alto da Glória

No ano passado, o Coritiba terminou a Série B na 10.ª posição, irritando a torcida, que queria o acesso já no primeiro ano após a queda. Como a volta à elite não veio, a cobrança foi transferida para 2019 e isso acabou se refletindo no desempenho irregular da equipe nas primeiras rodadas da competição.

TABELA: confira a classificação e os próximos jogos da Série B

"Trabalhar sob cobrança intensa pode elevar o nível de ansiedade e estresse e afetar o desempenho físico, técnico e cognitivo", diz Gaertner. Nas últimas rodadas, o time demonstrou capacidade de reação, depois que o treinador Umberto Louzer admitiu que teriam que usar o fator psicológico para sair daquela situação. Já são cinco jogos de invencibilidade e a confiança retomada.

"O fator emocional é muito importante nesses momentos. Os jogos da Série B são de muita dificuldade e eu acredito muito na força mental e muitas vezes os jogos serão decididos pelo poder mental", disse o treinador. A reação coxa-branca veio depois da partida contra o São Bento, vencida por 3 x 0 pelo Coritiba. "O grupo está unido, está fechado", revelou o meia Juan Alano.

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Próximos jogos do Coritiba

  • Coritiba x Figueirense - 10/8 - 16h30 - Couto Pereira
  • Coritiba x Brasil-RS - 13/8 - 21h30 - Couto Pereira
  • Oeste x Coritiba - 19/8 - 20h - Arena Barueri
  • Bragantino x Coritiba - 22/8 - Nabi Abi Chedid

Bloqueio mental na Vila Capanema

O momento é oposto ao do Paraná, que está há três jogos sem vencer. O técnico Matheus Costa surpreendeu ao afirmar depois da derrota para o Sport na Vila Capanema que o time tem um "bloqueio mental", por não conseguir executar o que é treinado.

TABELA: confira a classificação e os próximos jogos da Série B

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“Quando a gente peca nessas finalizações, é um bloqueio mental", disse Matheus. “Tem atletas que ainda não estão correspondendo em jogo o que estão mostrando em treino. Talvez isso seja um lado emocional. É trabalhar isso bem forte para que eles consigam ter esse desempenho nos 90 minutos”, completou.

"Treinar bem sistematicamente e não conseguir transferir para os jogos o que foi desenvolvido nos treinos é um sinal de que a pressão e as cobranças externas e internas estão interferindo no rendimento. Caso típico de necessidade do desenvolvimento de um trabalho de controle emocional e otimização de foco", afirma Gaertner.

O psicólogo ainda lembra que esse não é um trabalho que se resolva apenas com uma conversa motivacional, é de longo prazo.

"A preparação de alto nível no futebol é muito exigente e demanda o desenvolvimento de inúmeras competências e habilidades físicas, técnicas, táticas e psicológicas. O calendário do futebol brasileiro também é extremamente exigente para os atletas e clubes que participam de muitas competições simultaneamente," diz.

Próximos jogos do Paraná

  • Vitória x Paraná - 10/8, 19h
  • São Bento x Paraná - 17/08, 11h
  • Paraná x Atlético-GO - 20/8, 20h30
  • Paraná x Criciúma - 24/8, 11h
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A reviravolta do Athletico

O calendário do Athletico tem sido o mais desafiador entre os times paranaenses em 2019, com disputas do Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores.

Lidar com derrotas nessas situações pode ser complicado, por isso a conquista da Levain Cup depois da vitória sobre o Shonan Bellmare, poucos dias depois da eliminação para o Boca Junior, foi fundamental.

TABELA: confira a classificação e os próximos jogos do Brasileirão
TABELA: veja o chaveamento completo do mata-mata da Libertadores

"Não dá tempo de chorar e fazer luto pela derrota, pois o foco já é transferido automaticamente para o próximo compromisso e suas demandas. É evidente que todos gostariam de avançar na Libertadores, mas tem que pensar que fez ótima campanha, lançou e amadureceu jogadores novos, e acabou perdendo para uma equipe de tradição como o Boca", diz Gaertner, que era psicólogo do clube em 2005, quando o Athletico chegou ao vice campeonato continental.

O psicólogo também já trabalhou com Paraná e Coritiba. Hoje presta serviços para a seleção brasileira de vôlei masculino e já acompanhou os times brasileiros em muitas conquistas nas últimas décadas. Gilberto acredita que uma boa preparação psicológica é aliada do esporte e isso pode ser o diferencial para o que o segundo semestre dos clubes paranaenses seja mais tranquilo.

"Ainda temos tempo hábil para as equipes desenvolverem um bom trabalho neste segundo semestre; o Athletico se consolidando internacionalmente, o Coritiba, o Paraná e o Londrina consolidando seu acesso à Série A, e ainda o Operário buscando se manter e se firmar na série B", concluiu.

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Próximos jogos do Athletico

  • Botafogo x Athletico - 11/8 - 16h - Brasileirão
  • Grêmio x Athletico - 14/8 - 21h30 - Copa do Brasil
  • Athletico x Atlético-MG - 18/8 - 16h - Brasileirão
  • Athletico x São Paulo - 21/8 - 19h15 - Brasileirão