Sem resposta, sem verba e com risco de encerrar as atividades. Dessa forma, segue o principal centro de treinamento da ginástica artística do Paraná.
O Cegin (Centro de Excelência em Ginástica) ainda não recebeu a notificação oficial da Confederação Brasileira (CBG) de que não contará mais com os R$ 437 mil anuais de patrocínio da Caixa Econômica Federal (CEF) para bancar o projeto Clube Caixa, que lapida talentos da modalidade para o alto rendimento.
Em entrevista à Gazeta do Povo, a presidente da CBG, Maria Luciene Resende, confirmou que a Cegin não receberá mais o valor pago, até então, pela Caixa Econômica Federal (CEF), patrocinadora da confederação. A justificativa é que não é possível destinar a verba a um clube privado. Mas, mesmo após 50 minutos de entrevista, não respondeu se a prerrogativa é decisão da própria CBG ou um pedido do patrocinador.
O departamento de marketing da Caixa, por sua vez, informou que é responsabilidade do patrocinado definir a aplicação dos valores liberados. O contrato para o biênio 2011-2012 é de R$ 9,5 milhões e foi assinado em 28 de fevereiro. Desse valor, segundo Luciene, serão repassados ao Paraná R$ 169 mil neste ano, para a manutenção dos três Centros de Ex celência voltados à iniciação esportiva de crianças e formação da base de ginastas. São R$ 125 mil à ginástica artística em geral e R$ 22 mil para a ginástica artística em Toledo. Outros R$ 22 mil vão para a ginástica rítmica na capital.
"Não houve corte de recursos. Apenas apresentamos [à Caixa] os projetos da Confederação e os das federações. Foi aprovado o montante apresentado pela CBG, com valores para contemplar apenas o planejamento estabelecido pela Confederação", afirma Luciene, em resposta à presidente da Federação Paranaense de Ginástica (FPRG) e ex-presidente da CBG, Vicélia Florenzano, que disse achar que o corte foi obra da confederação.
Mesmo sem a verba, os treinos seguem no Clube Caixa. Entre as atletas, estão quatro ginastas da seleção brasileira, Harumy de Freitas, Priscila Coelho, Bruna Leal e Ethiene Franco. "Se acontecer de não conseguirmos o dinheiro [com um novo patrocinador], não teremos outra saída. Teremos de fechar", afirma a diretora técnica da FPRG, Eliane Martins.
Ela reclama abertamente do descaso da CBG. "Até agora não fomos comunicadas oficialmente e, se não fosse pela nossa pesquisa na Caixa, estaríamos na ilusão de receber. Nem mesmo depois da reportagem [publicada pela Gazeta do Povo no dia 6/3, em que anunciava a perda do patrocínio da Cegin], entraram em contato. Se dependesse deles, ainda estaríamos nos iludindo, esperando esse montante", diz.



