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Ex-boleiros

Depois do futebol, o legítimo ‘pão de batata’

Rodrigo Batata, 35 anos, administra agora a panificadora da família. Torta de ricota, receita da tia, é o golaço da vez

Rodrigo Batata atende cliente na panificadora Ninele, no Santa Quitéria. Ex-meia agora é balconista | Andre Rodrigues/ Gazeta do Povo
Rodrigo Batata atende cliente na panificadora Ninele, no Santa Quitéria. Ex-meia agora é balconista (Foto: Andre Rodrigues/ Gazeta do Povo)
O camisa 10 Rodrigo Batata em lance pelo Malutrom contra o Atlético |

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O camisa 10 Rodrigo Batata em lance pelo Malutrom contra o Atlético

Há pelo menos três anos, a Padaria Ninele, no bairro Santa Quitéria, recebe, além dos clientes ávidos pelo pão quentinho de cada dia, os que vão em busca de aconselhamento. Não chega a ser uma peregrinação, mas, não raro, há quem queira saber a opinião de quem está do outro lado do balcão sobre o potencial futebolístico de seus rebentos.

Isso porque um dos atendentes é Rodrigo Batata, meia do Coritiba entre 2004 e 2006, e que há três anos se divide entre o posto de gerente/caixa da panificadora da família e as tentativas de esticar – não como a profissão principal – um pouco mais a carreira de jogador.

"Os pais vêm perguntar se os filhos levam jeito para o futebol, que conselho eu daria. Sempre digo para conciliar a bola e os estudos", diz o ex-jogador de 35 anos, que estudou até concluir o ensino médio.

Em 2009, defendeu o Pa­raná na Série Ouro do futsal paranaense, percorrendo o caminho inverso que fez na adolescência, quando trocou as quadras pelo campo das categorias de base do Tricolor. O retorno ao futsal coincidiu com o período em que voltou a ajudar a mãe, Dona Eunice, no empreendimento familiar.

Na época, ainda tinha esperança de voltar a jogar nos gramados. De lá para cá, defendeu o CRB, de Alagoas, em 2010, e, no ano passado, fez os cinco últimos jogos do Campeonato Catarinense pelo Concórdia, mas não conseguiu livrar o time do rebaixamento e, este ano, disputou a Suburbana pelo Urano.

Casado e com duas filhas (Raphaella, 4 meses, e Sophia, 8 anos), Batata diz ainda sonhar com um cargo no mundo da bola. "Quem sabe mexer com [negociação] de jogadores, algum posto em comissão técnica", diz, mirando-se nos exemplos dos ex-companheiros de campo, como Lipatin (empresário de atletas), Marquinhos Santos (técnico do Coritiba) e Tcheco (auxiliar técnico do Coritiba).

Porém, se não der, tudo bem...

O ex-meia também projeta a reforma da padaria da família, que desde a inauguração, em 1988, poucas mudanças sofreu.

Por enquanto, reveza-se com a mãe no atendimento do estabelecimento. Ela, pela manhã; ele, à tarde. Rodrigo conhece bem o trabalho; quando pequeno, teve de aprender as artes da panificação para substituir, junto ao forno, algum funcionário faltoso.

"Agora, fico mais aqui, no atendimento, faço o controle dos produtos, recebo os fornecedores", conta ele, que gerencia sete funcionários e conta, ocasionalmente, com a ajuda das irmãs para dar conta de vender, em média, 1,8 mil pães por dia.

"Depois do pão, o que mais vende é a torta de ricota, receita de uma tia. Nem eu entendo porque a receita faz tanto sucesso, mas vem gente até do Boqueirão para comprar", conta, enquanto retribui o cumprimento de um motorista que passava em frente ao comércio durante a entrevista. Era Ricardinho, ex-técnico paranista. "Jogamos futsal juntos na infância", conta.

Do futebol, conta ter boas lembranças – poucas coisas o desagradaram. Conheceu o Japão, onde jogou em 95, emprestado pelo Paraná. "Até podia ter ficado mais tempo lá, tinha uma boa proposta, mas, aqui no Brasil, o clube não aceitou a proposta."

Defendeu o PSG, na França (1996), Voltou em 1999, onde jogou por quatro anos – e foi campeão do módulo verde e branco da Copa João Have­­lange (2000) pelo Malu­­trom. Jogou também pelo Porti­­monense, de Portugal (2002), e o Puebla, do México (2004).

"Não ganhei muito dinheiro com o futebol, mas aprendi muita coisa de outras culturas. Se precisar falar francês, inglês, espanhol. não passo vergonha, não", diverte-se.

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