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Série B

Fim do exílio coxa provoca saudosismo em “viajantes”

Torcedores que se deslocavam com frequência a Joinville levam para o retorno ao Couto Pereira uma saga apaixonada para ver o Coritiba

O alviverde Nelson Ubiratan Baptista Júnior, com a imagem da Arena Joinville ao fundo, se desdobrou para ver o Coritiba em Santa Catarina | Daniel Castellano / Gazeta do Povo
O alviverde Nelson Ubiratan Baptista Júnior, com a imagem da Arena Joinville ao fundo, se desdobrou para ver o Coritiba em Santa Catarina (Foto: Daniel Castellano / Gazeta do Povo)

A média de público do Alviverde em Joinville não foi das melhores. Em dez jogos, o Coxa levou a Arena Joinville 33.156 – 3.315 torcedores/partida. Mas as histórias que os torcedores terão para contar refletem com rara perfeição o efeito que o futebol tem na vida dos aficionados.

Para o torcedor coritibano que resolveu acompanhar e apoiar a equipe em um dos piores momentos da história do clube, os 120 quilômetros até a cidade catarinense não chegaram nem perto de virar empecilho. Tampouco a fa­­mília, o trabalho, ou o dinheiro conseguiram efeito semelhante.

A cada partida do que o clube mandava na cidade catarinense, uma pequena caravana improvisada pegava a BR-376. Em vans, carros, se reconheciam apenas pela camisa do clube, nos postos de gasolina ou no espetinho em frente do estádio, uma das poucas opções de comida na volta da Are­­na.

"Ficamos até amigos do ‘tiozi­­nho’. Já que era a única coisa que tinha para comer na volta e barato", lembra o empresário Ro­­­­­­­­drigo Papov, que assistiu no­­ves dos dez jogos em Santa Ca­­tarina. "Minha filha nasceu sá­­ba­do, no domingo foi o dia das mães. Mas na terça não aguentei e me mandei para Joinville com os amigos para acompanhar o Coxa contra o América-MG [na se­­gunda rodada]."

Papov perdeu apenas o duelo com o Duque de Caxias, na 16.ª rodada. O voo de São Paulo a Curi­­tiba atrasou. O torcedor chegou em casa correndo, mas já havia perdido a carona.

Normalmente, no período de exílio, às terças-feiras exigiram bastante dos fãs. Desculpas no emprego, agrados antecipados para as namoradas. Nos jogos às 21 horas, a viagem começava às 17 horas. Mas quando o confronto começava às 19h30, o movimento da rodovia aumentava lá pelas 15 horas.

"Saíamos mais cedo para dar tempo de tomar uma cervejinha. Na volta, normalmente chegávamos em Curitiba lá pela 1, 2 da manhã", lembra Daniel Zanuzzo.

Para ele o deslocamente mais emocionante foi contra o Duque de Caxias. O grupo quase não chegou a tempo no jogo, o Coxa perdeu, e a van que tinham alugado ainda bateu na volta. Ninguém ficou machucado, e o fato virou piada à espera do resgate, tomando uma cerveja na beira da estrada.

Caso ainda mais curioso, no entanto, foi o de Nelson Ubiratan Baptista Júnior. Semanalmente ele tinha de conciliar as partidas do Coxa com o campeonato de pô­quer que disputava no mesmo dia de boa parte dos jogos: terça-feira.

"Consegui ir a sete jogos. Para isso deixei alguns encontros de pôquer de lado. Como estava em segundo lugar, fui administrando. No fim, tive de faltar três partidas do Coxa. Mas, ao menos, ganhei nas cartas", conta. Ele não revela o valor do prêmio, mas garante que pagou os gastos com as viagens – em média, R$ 50 por jogo, afinal, quase todos eram sócios.

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