Milton Mendes começou bem no comando do Atlético. | Felipe Rosa/Tribuna do Paraná
Milton Mendes começou bem no comando do Atlético.| Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Um jogador sorridente, obstinado e cheio de apelidos. Como treinador, juntou amigos, mas também desafetos. Esse é Milton Mendes, atual comandante do Atlético, líder do Brasileirão após seis rodadas.

Uma trajetória que começou na casa do maior rival e foi moldada em clubes nanicos de Portugal.

A curta carreira como atleta no Brasil começou justamente em Curitiba. Em 1985, defendendo o Vasco, Mendes fez a primeira partida como profissional diante do Coritiba, no Couto Pereira. Ele era a terceira opção da lateral-direita, mas ganhou a posição porque o titular Edevaldo estava na seleção e o reserva Heitor, machucado.

“Era um bom lateral. Um líder também, falava muito. Mostrava que podia ser um bom treinador. Nas palestras fazia boas intervenções”, conta Antônio Lopes, que comandou Milton Mendes na equipe carioca.

No time cruzmaltino, o técnico atleticano trabalhou com outras figuras conhecidas. Romário, por exemplo, estava no início de carreira. Já Roberto Dinamite e Roberto Costa eram consagrados. “O Milton era um cara muito correto, parceiro, alegre, amigão”, diz Costa, goleiro vascaíno.

O outro clube que Mendes defendeu no país foi o Criciúma. No Tigre, logo virou titular. “Ele namorava a filha do diretor de futebol. Aí fica mais fácil jogar”, brinca o ex-jogador Sarandi, amigo de Mendes até hoje.

Apelidado de “Cebolinha” no Atlético, por causa de seu cabelo, o comandante rubro-negro colecionou pelo menos outros dois apelidos ao longo da carreira.“Ele parecia o Pinduca. Magrinho, carinha fina, mas tinha muita disposição”, lembra Roberto Costa.

Ainda como jogador, os cabelos – na época mais longos – renderam para Mendes o título de “MacGyver”, famoso personagem da série de ação dos anos 80, Profissão Perigo.

As passagens por Vasco e Criciúma somaram apenas três anos, de 85 a 87. Depois disso, ele foi para Portugal, onde defendeu oito times até pendurar as chuteiras em 2000. Rodou pelo segundo escalão lusitano.

A carreira de treinador também começou no país europeu, no pequeno Machico, com sede na Ilha da Madeira, frequentador da quarta divisão lusa.

O atual comandante rubro-negro passou ainda pelo Catar entre 2008 e 2013. Lá teve um desentendimento justamente com o seu primeiro treinador no Vasco, Edu Antunes, irmão de Zico.

“Eu não quero falar sobre esse personagem. Ele causou um aborrecimento muito grande a mim e ao Zico quando estávamos lá [em 2013]”, disse, sem querer revelar o motivo do rancor. “Ele sabe o que fez”, despistou.

O retorno ao Brasil ocorreu no ano passado e o ápice está sendo desfrutado no Atlético. Desacreditado, conduziu o time à liderança nesta reta inicial do Brasileiro.

“Ele sempre buscou os objetivos dele, nunca desanimando. Estou muito feliz pelo sucesso na carreira dele”, celebra Roberto Costa, que também defendeu o Atlético nos anos 80.

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