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Jogos Militares

Intensivão transforma atletas em soldados

Competidores de elite fazem curso no Exército e na Marinha para defenderem o país na competição de 2011 no Rio de Janeiro

A lutadora e candidata a sargento temporário Natália Falavigna admitiu ter ficado apreensiva com a aula de sobrevivência na selva | Jorge Silva Rodrigues/ Comissão Desportiva do Exército
A lutadora e candidata a sargento temporário Natália Falavigna admitiu ter ficado apreensiva com a aula de sobrevivência na selva (Foto: Jorge Silva Rodrigues/ Comissão Desportiva do Exército)

Às 6h20, antes do café da manhã, eles têm de estar com a cama feita, arrumados e alinhados por altura. É o primeiro de tantos compromissos no dia e qualquer deslize está sujeito a reprimenda. Uma barba malfeita, cabelos desalinhados, uniforme incompleto e um pe­­queno atraso não são tolerados.

E não importa o status. Cam­­peões mundiais, pan-americanos, medalhistas olímpicos e atletas conhecidos incorporaram neste mês a austera rotina de um quartel. Alojamentos com 30 beliches, almoço em refeitório, exercícios puxados e aulas. Um intensivão militar.

Na próxima semana, quando se formarem sargentos temporários, terão no currículo o programa básico de um oficial, uma pa­­­tente do Exército, o direito de com­­petir pelas Forças Armadas Brasileiras e mais disciplina.

São 72 atletas que nos últimos dias dividiram os treinos na Escola de Educação Física do Exército (Exefex), no Rio de Janeiro, com aulas de marcha, tiro, hierarquia militar e até sobrevivência na selva. O foco é a realização dos Jogos Mundiais Militares, em 2011, no Rio de Janeiro. A competição inédita no país foi promovida a categoria de grande evento e usada para reforçar a campanha do Brasil para receber os Jogos Olím­­picos de 2016.

Serão aproximadamente 4.900 atletas e 1.800 delegados de mais de 100 países, disputando 20 modalidades. O Brasil de­­verá participar com 250 atletas e estará representado em todos os esportes.

Entre eles devem estar os novos recrutas paranaenses Ju­­raci Moreira, do triatlo, e Natália Falavigna, do tae kwon do. Se dominar os golpes não é problema, imaginar as atividades na mata, marcadas para essa semana, causou apreensão à lutadora. Para Juraci, um dia no quartel foi até mais cansativo do que percorrer os 1,5 km de natação, 40 km de bicicleta e 10 km de corrida do triatlo.

"Ninguém sabia direito o que esperar e foi muito puxado. Fo­­mos tratados como qualquer soldado, sem privilégios e com bastante cobrança. Vi muita gente levando dura. Quem chegou com cabelo comprido foi direto para a barbearia. Mas será muito especial e mais uma oportunidade de defender o Brasil", contou Juraci.

"Meu irmão foi dispensado do serviço militar e eu, a filha mulher, estou realizando o sonho do meu pai", contou Natália, filha de militar e que recebeu algumas dicas paternas.

A maioria dos atletas-milicos escapou de ser incorporada à época do alistamento. Outros realizam antigo desejo. "Foi emocionante quando soube que havia sido selecionado, porque era um so­­nho de criança. Meus quatro irmãos serviram. Isso aqui é um aprendizado importante", explicou Vicente Lenílson no alistamento.

Também participam atletas como Tiago Camilo, Flávio Canto e Leandro Guilheiro, do judô, e Keila Costa, do salto em distância. Em junho, 101 atletas se formaram marinheiros para disputarem o Mundial. Entre eles Ketelyn Quadros (judô) e o Diogo Silva (tae kwon do).

A exigência é participar de todas as competições das forças armadas. Em troca, recebem todos os benefícios da patente, com ajuda de custo entre R$ 1,2 mil a R$ 2 mil, vale-transporte, refeição, assistência médica e odontológica.

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