Rodrigo Pastana, ex-executivo do Paraná Clube| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

O ex-diretor de futebol Rodrigo Pastana resolveu falar sobre a sua saída do Paraná Clube . O dirigente não resistiu à má campanha do Tricolor no Brasileirão, que está virtualmente rebaixado para a Série B.

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MATEMÁTICA Brasileirão: contas para título, Libertadores e rebaixamento

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Pastana ficou na Vila Capanema por um ano e 10 meses e foi responsável pela montagem do elenco que conquistou o acesso em 2017 após 10 anos disputando a Segundona.

Em entrevista à Gazeta do Povo, Pastana admitiu os erros na montagem do elenco em 2018, rebateu os críticos, falou sobre a relação com o empresário Carlos Werner e projetou o futuro do clube.

Veja a entrevista completa.

Como você recebeu a demissão e quando foi avisado da saída?

Logo após a derrota para o Grêmio conversei com o presidente [Leonardo Oliveira]. Ele optou pelo meu desligamento e eu encarei de forma natural. É até estranho falar isso, mas o que manda é o resultado. Entendi e o presidente sempre foi correto comigo.

No ano passado você foi o responsável pela montagem do time do acesso. Neste ano, o time não rendeu em nenhuma competição. O que aconteceu para a tamanha diferença de um ano para outro?

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Erros e acertos sempre acontecem. A grande diferença é o nível da competição. Na Série A você tem a disparidade infinitamente superior. Hoje eu sou o vilão assim como no passado fui o herói. Mas eu entendo tranquilamente. O torcedor é passional porque analisa o resultado e não a administração.

Acredita que você sai com a imagem queimada do clube?

As pessoas do clube sabem do meu trabalho. Tem muita gente que esquece. Mas no ano passado, na Copa do Brasil, se a gente não faz um gol aos 47’/2.º e se classifica contra o São Bento, não tinha dinheiro para pagar salário no dia seguinte. Não tinha dinheiro para pagar as refeições.

Quem viveu toda a dificuldade sabe que iríamos ter dificuldades neste ano. Não que a gente ia assumir ser rebaixado. Eu vinha gerindo clubes na Série B há sete temporadas. Tentaríamos fazer outro milagre na Série A e se não desse, alguém pagaria por isso. E eu sou o responsável pelo departamento de futebol.

Mas por que o nível de acerto foi tão baixo nas contratações? Você admite que errou na avaliação dos atletas?

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O orçamento sempre foi o grande problema nosso. Mesmo com o orçamento baixo, é claro que errei. A gente sempre erra. Achar que vai acertar sempre é para alguém que não vive o dia a dia do futebol.

Mesmo com a questão de orçamento, não era possível ter montado um elenco melhor? Tiveram jogadores que poderiam fazer a diferença que você deixou de contratar?

Claro que poderia ter sido melhor. Mas a folha salarial do Paraná é R$ 1,1 milhão por mês. Enquanto a outra equipe que gasta menos é o Ceará com R$ 3,4 milhões. E essa decisão de gastos foi feito no início. Não tem como mudar no meio do caminho. É uma decisão do clube, ele não pode se endividar. Perdemos vários jogadores para outros clubes pela questão salarial. Com atletas de Série A é assim que funciona.

Uma das maiores críticas ao seu trabalho neste ano é que você só sabe montar equipes que estão na Série B e não tem competência para fazer o mesmo na Série A. Como você enxerga estas críticas?

Como um completo absurdo de alguém que não entende nada de futebol. Querer que alguém tenha resultados com uma discrepância financeira desta. Só se a Globo ajudasse as equipes menores. É um absurdo o Paraná receber 26 milhões de cota de televisão e ter outras equipes que recebem mais de R$ 100 milhões.

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Durante o período que você trabalhou no Paraná, houve um racha político. O presidente Leonardo Oliveira e o empresário Carlos Werner, antigo investidor do clube, cortaram relações. Werner até pediu sua demissão em certo momento. A briga política te atrapalhou o Paraná?

Não, claro que não. Não tem como um racha politico influenciar na minha saída. O Werner não faz parte do clube. Ele é um mecenas, um aventureiro, que graças ao nosso trabalho saiu do clube. Mas jogar a culpa para nele agora seria no mínimo uma covardia minha.

Após a troca do comando técnico, o Paraná afundou de vez na tabela. Com o Claudinei Oliveira, o time só conquistou um ponto em oito jogos. Foi um erro demitir o Rogério Micale?

É muito fácil falar que foi qualquer decisão foi errada ou acertada depois que os resultados acontecem. Eu era o maior responsável pela decisão de trocar o técnico, mas foi uma decisão tomada em conjunto. Não vale agora fazer esta avaliação.

Existe a possibilidade de você voltar a trabalhar no Paraná em 2019? Voltaria ao clube se precisasse?

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Não! Assim como o presidente falou quando eu saí, acho que terminou um ciclo por enquanto. Não digo que não voltarei nunca mais. Mas agora o Paraná nomeou um cara muito bacana que é o Marcos para comandar. Ele vai poder tocar o departamento de futebol numa boa e o clube acertou na escolha. Torço muito para dê tudo certo.

Como você enxerga o ano de 2019 para o Paraná, provavelmente disputando com o clube na Série B?

Em um cenário bem melhor do que em 2017. No acesso, nossa receita era zero. Tudo o que entrava era bloqueado. Agora a receita vai ser maior. Ela já estipulada pelos novos contratos de televisão. Serão R$ 9 milhões distribuídos de forma igualitária para todos os clubes. A estrutura do clube é infinitamente melhor e as pessoas que trabalham lá têm muito mais experiência.

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