Enquanto os millennials veem o socialismo com bons olhos, historiadores aproveitam para pintar uma história colorida do nefasto império soviético.| Foto: Pixabay

O colapso do Muro de Berlim, há 30 anos, foi um dos momentos mais importantes da história.

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Ele representou o último suspiro de um regime fracassado que destruiu a vida de milhões de pessoas e um recomeço para muitas pessoas que passaram gerações oprimidas pelo comunismo.

Foi uma vitória da liberdade sobre o autoritarismo, uma vitória para os Estados Unidos e seus aliados na antiga batalha por manter viva a chama da liberdade em meio à ameaça eterna das trevas.

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Mas... calma, diz o Daily Beast. No Dia dos Veteranos, o veículo de esquerda publicou um artigo dizendo que “boa parte do que aprendemos na escola sobre a luta entre os EUA e a URSS estava errada”.

Esse é o caso mais recente de todo um gênero de apologia ao regime soviético e ao comunismo. Afinal, o New York Times dedicou toda uma seção de seu site a artigos sobre a revolução comunista na Rússia, entre eles um texto que falava de Vladimir Lênin como um ambientalista e outro exaltando a vida sexual das mulheres no socialismo.

Mas nenhum mencionava o acobertamento dos crimes dos soviéticos nos anos 1930 por parte do repórter ganhador do Prêmio Pulitzer Walter Duranty.

O artigo do Daily Beast foi escrito por Brian T. Brown, autor do livro “Someone Is Out to Get Us: A Not So Brief History of Cold War Paranoia and Madness” [Alguém está à espreita: uma história nem tão breve assim da paranoia e loucura da guerra fria]. Brown tenta convencer o leitor de que, apesar de tudo o que você já ouviu, a União Soviética não era tão ruim assim e, quando agia mal, a culpa era dos Estados Unidos.

Talvez seja o caso de desprezar uma apologia tão absurda e pretensiosa da União Soviética. Mas, como uma pesquisa recente demonstrou, cada vez mais norte-americanos dizer preferir o socialismo e comunismo ao capitalismo.

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A pesquisa, conduzida pela Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo, descobriu que “15% dos millennials acham que o mundo seria melhor se a União Soviética ainda existisse”. Impressionantes 75% desconhecia a aliança entre nazistas e soviéticos no início da Segunda Guerra Mundial. E “57% dos millennials (em comparação com 94% da chamada Geração Silenciosa) acreditam que a Declaração da Independência é mais eficaz na garantia da liberdade e da igualdade do que o Manifesto Comunista”.

Antigamente, quase todos os norte-americanos ririam da propaganda pró-soviética, chamando-a de uma tentativa constrangedora de relevar um regime assassinado. Hoje não mais.

Parece que os jovens norte-americanos hoje são mais receptivos às ideias comunistas e não têm aquela sensação de “patriotismo esclarecido” que lhes permitiria enxergar em meio às mentiras. Hoje, as mentiras precisam ser ativamente enfrentadas.

Mitos e mais mitos

Os Estados Unidos, de acordo com Brown, deram início à Guerra Fria ao jogarem as bombas atômicas sobre o Japão e a impedirem os soviéticos de participar na invasão àquele país.

Parece que Brown está sugerindo que os Estados Unidos foram os agressores por criarem obstáculos à conquista soviética.

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E será que os cidadãos japoneses preferiam viver sob os soviéticos a viver sob os Estados Unidos?

Levando em conta as condições da Alemanha Oriental quando da queda do Muro de Berlim (e as condições dos norte-coreanos em comparação com os sul-coreanos hoje em dia), essa não parece uma pergunta difícil de responder.

Brown sugere ainda que a União Soviética não era tão ruim assim, ignorando completamente os assassinatos e a prisão de milhões de prisioneiros políticos no Arquipélago Gulag.

“Nosso inimigo, o chamado império do mal, era na verdade um exemplo da nossa imaginação”, escreve ele. “Na verdade, as pessoas que controlavam o Kremlin eram assustadoras fraudes governando um Estado fundamentalmente falho, sempre à beira do colapso”.

Isso é simplesmente falso. Por mais desolado que o povo estivesse sob o domínio soviético ao fim de seu reinado de 70 anos, a URSS ainda assim conseguiu criar um enorme e poderoso Estado militar.

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Ele também sugere que os Estados Unidos deveriam ter prestado mais homenagens à URSS depois da Segunda Guerra Mundial. Sem dúvida a URSS sofreu imensamente para fugir da conquista pela Alemanha nazista. Mas Brown diz que transformamos os soviéticos em inimigos em vez de “acolhê-los” depois da guerra.

Isso é ignorar o fato de que os soviéticos entraram na guerra ao lado de Adolf Hitler, conquistando alegremente seus vizinhos da Europa Oriental, lutando contra os alemães somente depois de traídos.

Quando a guerra terminou, a União Soviética então absorveu os países que tinha “libertado”, escondendo-os por trás da cortina de ferro do governo tirânico.

A pergunta real é: como teria sido uma vitória total dos soviéticos depois da Segunda Guerra Mundial, sem a presença dos Estados Unidos?

A União Soviética não deveria receber agradecimentos; ela deveria ser condenada por ter partido para cima da Europa como conquistadora, não como libertadora.

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Brown conclui que “a rivalidade da Guerra Fria foi na verdade um desperdício de dinheiro e de vidas com o intuito de promover uma disputa inerentemente enviesada com um resultado predeterminado”.

Na verdade, a assimetria do conflito se devia ao fato de um sistema se basear numa ideologia má e falha e o outro se mostrar como o bastião da liberdade que gera uma prosperidade notável.

Além disso, a União Soviética estava enfraquecida pelo fato de os Estados Unidos, liderando uma coalizão de povos livres, ter passado toda uma geração equilibrando seu poder ao redor do mundo. Seu colapso estava longe de ser inevitável. Isso foi um feito e tanto.

O cerne da questão

O revisionismo desse artigo impensado e factualmente fraco é horrível. Mais pernicioso ainda é o objetivo maior do autor: menosprezar tanto o mal inegável da União Soviética quanto o papel indispensável dos Estados Unidos em sua destruição.

Como escrevi em meu livro “The War on History: The Conspiracy to Rewrite America’s Past” [A guerra na história: a conspiração para reescrever o passado dos Estados Unidos], há uma tentativa orquestrada de se minar o “século americano” — isto é, a vitória norte-americana no cenário internacional que levou à derrota da Alemanha nazista e da União soviética, tiranias-gêmeas que ameaçaram lançar o mundo numa era de trevas.

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Por isso é que temos de continuar reforçando as lições da nossa história e da história de fracasso do comunismo.

Se não, o mal que nossos pais e avós derrotaram pode em breve ressurgir diante de nós e de nossos filhos.

A liberdade, afinal, nunca está a mais de uma geração da extinção.

Jarrett Stepman é colaborador do The Daily Signal e coapresentador do podcast The Right Side of History.

© 2019 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês
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