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Reeleito

Após reeleição, Obama volta a encarar desafios

Depois da vitória sobre Mitt Romney, presidente volta a Washington para enfrentar desafios econômicos urgentes, uma iminente batalha fiscal e um Congresso dividido, que pode barrar suas iniciativas

Barack Obama com a família no aeroporto de Chicago após vitória na eleição dos EUA | AFP PHOTO/Jewel Samad
Barack Obama com a família no aeroporto de Chicago após vitória na eleição dos EUA (Foto: AFP PHOTO/Jewel Samad)

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a Washington nesta quarta-feira (7) sem muito tempo para saborear sua vitória eleitoral, já que terá de enfrentar desafios econômicos urgentes, uma iminente batalha fiscal e um Congresso ainda dividido, capaz de bloquear cada iniciativa sua.

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Obama derrotou o desafiante republicano Mitt Romney na votação de terça-feira (6) e usou o discurso da vitória, diante de uma entusiasmada multidão em Chicago, para adotar um tom conciliador.

Mas, à luz fria da manhã seguinte à jornada eleitoral, ficou claro que, embora os eleitores tenham garantido um segundo mandato a Obama, o presidente terá dificuldades para traduzir isso em força política para impor sua pauta.

Sua preocupação mais imediata será confrontar o "abismo fiscal" de aumentos tributários automáticos e cortes de gastos, medidas que podem interromper a trajetória de recuperação da economia, e os mercados financeiros globais refletiam isso nesta quarta-feira, quando Wall Street operava em clima de desânimo pós-eleitoral.

Os norte-americanos preferiram conservar o "status quo" de um governo dividido em Washington. O Partido Democrata manteve a maioria no Senado, mas a oposição republicana conseguiu novamente formar maioria na Câmara, o que lhe dará poderes para barrar iniciativas do presidente em qualquer tema, de impostos a reforma da imigração.

Essa é a realidade política que Obama encontrará quando voltar a Washington, na noite desta quarta-feira, após obter sobre Romney uma vitória bem mais apertada do que na sua histórica eleição como primeiro presidente negro do país há quatro anos.

Mas isso não o impediu de se deleitar com o resultado eleitoral junto com milhares de admiradores, já na madrugada desta quarta-feira em Chicago, cidade onde fez carreira política.

"Vocês votaram por ação, não pela política de sempre", disse Obama, propondo acordos bipartidários para reduzir o déficit, reformar o código tributário e as leis de imigração e diminuir a dependência do petróleo importado.

Os problemas que importunaram o primeiro mandato de Obama, lançando uma longa sombra sobre as promessas eleitorais de mudança e esperança feitas em 2008, ainda estão diante dele.

O presidente precisa resolver déficits anuais de 1 trilhão de dólares, domar uma dívida nacional de 16 trilhões de dólares, reformar custosos programas sociais e lidar com a divisão do Congresso.

O foco mais urgente de Obama e dos parlamentares será resolver o "abismo fiscal", que ameaça tirar cerca de 600 bilhões de dólares da economia por causa do aumento de impostos e cortes de gastos. Economistas alertam que isso empurraria o país para uma recessão e que só um acordo com o Congresso impedirá que as medidas entrem em vigor automaticamente.

O presidente da Câmara, o republicano John Boehner, disse que vai divulgar nota sobre o assunto nesta quarta-feira, citando "a necessidade de que ambos os partidos encontrem um terreno comum e deem passos juntos para ajudar nossa economia a crescer e a gerar empregos, o que é crítico para resolver nossa dívida."

A preocupação com os problemas fiscais dos Estados Unidos contribuíram para que os investidores buscassem ativos mais seguros nesta quarta-feira, causando uma queda global nas bolsas de valores.

Os três principais índices mercantis do país registraram baixas superiores a 2 por cento no final da manhã, sendo que o Dow Jones caiu quase 300 pontos. As preocupações com a zona do euro também contribuíram para a tendência.

Obama deve lançar nos próximos dias uma proposta para resolver a crise fiscal, mas Boehner já deixou claro que manterá sua oposição a qualquer aumento tributário para os norte-americanos mais ricos, como exige o presidente.

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