O embaixador russo na ONU, Vassili Nebenzia, voltou a negar a intenção de uma invasão da Ucrânia: “Vocês estão quase pedindo por isso, vocês querem que isso aconteça”| Foto: EFE/EPA/JASON SZENES
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Estados Unidos e Rússia voltaram a discutir a crise da concentração de tropas russas na fronteira com a Ucrânia, desta vez no Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas a exemplo das conversas anteriores entre os dois países sobre o assunto, não houve avanço nas negociações.

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Nesta segunda-feira (31), as divergências entre Washington e Moscou começaram antes mesmo dos pronunciamentos em Nova York, na votação para decidir se a reunião convocada pelos americanos seria aberta, o que foi aprovado por dez votos a dois. Apenas Rússia e China votaram contra; Índia, Gabão e Quênia se abstiveram.

O embaixador russo na ONU, Vassili Nebenzia, voltou a reiterar o argumento de Moscou de que a Rússia visa apenas a autodefesa e não pretende atacar a Ucrânia, e acusou o Ocidente de aumentar as tensões.

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“Vocês estão quase pedindo por isso (uma invasão da Ucrânia), vocês querem que isso aconteça. Vocês estão esperando que isso aconteça, como se quisessem transformar suas palavras em realidade. Isso apesar do fato de que estamos constantemente rejeitando essas alegações e de que nenhuma ameaça de uma invasão planejada na Ucrânia saiu da boca de qualquer político ou figura pública russa durante todo esse período”, afirmou Nebenzia.

O embaixador acrescentou que os Estados Unidos foram os responsáveis pela deposição em 2014 do governo ucraniano então pró-Moscou, o que, segundo Nebenzia, levou ao poder “nacionalistas, radicais, russófobos e nazistas puros”.

Já a embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, alegou que as tentativas de desestabilização no leste europeu partem exclusivamente do Kremlin.

“Continuamos esperando que a Rússia escolha o caminho da diplomacia ao invés do caminho do conflito na Ucrânia. Mas não podemos apenas 'esperar para ver'. É crucial que este conselho aborde o risco que esse comportamento agressivo e desestabilizador representa para todo o mundo”, disse. A reunião terminou sem que nenhum compromisso fosse assinado.

Nesta terça-feira (1º), o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, e o secretário de Estado americano, Antony Blinken, que já se reuniram em Genebra na semana retrasada para discutir a crise, conversarão novamente por telefone.

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Será o primeiro debate entre ambos após os Estados Unidos responderem por escrito (na semana passada) a demandas da Rússia para que desmobilize suas tropas na fronteira com a Ucrânia, como um veto permanente à entrada da Ucrânia na Otan, a aliança militar do Ocidente, e que esta retorne às posições anteriores a 1997, quando vários países do antigo bloco comunista começaram a entrar no grupo.

Na resposta, Washington alegou que a Otan manterá sua política de “portas abertas” e não negará a entrada de nenhum país. Nesta segunda-feira, os americanos confirmaram que os russos enviaram uma resposta também por escrito ao documento.

Os Estados Unidos e o Reino Unido anunciaram que preparam sanções contra aliados próximos do presidente russo, Vladimir Putin, caso a Ucrânia seja invadida. Essas medidas incluiriam congelamento de ativos e proibições de viagens a esses países. Sanções também seriam impostas a empresas ligadas ao Kremlin.

Entretanto, Washington e Londres preferiram não adiantar nesta segunda-feira quais pessoas e empresas seriam alvos dessas sanções. Punições pessoais contra Putin também estão sendo consideradas pelos americanos.

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]
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