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Foto de arquivo tirada em 30 de maio de 2019 mostra torres de vigia em uma instalação de alta segurança perto do que se acredita ser um campo de reeducação onde minorias étnicas muçulmanas estão detidas, nos arredores de Hotan, na região noroeste de Xinjiang da China| Foto: GREG BAKER/AFP

Duas organizações da minoria uigur apresentaram uma queixa contra a China no Tribunal Internacional Penal (TPI), alegando crimes contra a humanidade e repressão a minorias. Trata-se da primeira vez que membros do grupo de minoria muçulmana tentam responsabilizar o governo chinês por políticas repressivas, informou a NBC News.

Os uigures são um grupo minoritário muçulmano de 11 milhões de pessoas que vive principalmente na região de Xinjiang, no noroeste da China, segundo a BBC.

“Eu não vi [nada], mas pude ouvir os gritos insuportáveis vindos dos dois lados do corredor”, disse Mamattursun Omer, um uigur cujo relato sobre sua detenção em Xinjiang é um dos muitos que a NBC informou estarem incluídos na queixa ao TPI. “Eles deveriam ser punidos pelos crimes que cometeram contra nós. É minha responsabilidade dar meu testemunho”.

A queixa traz, especificamente, que a China reforçou o controle de natalidade, realizou atos de vigilância em massa e cometeu massacres contra a população uigur na região de Xinjiang. A Associated Press detalhou as práticas chinesas de políticas forçadas de controle de natalidade em Xinjiang em uma matéria publicada em junho, na qual se refere às políticas como “genocídio demográfico”.

Diversos documentos internos do governo chinês, vazados em 2019 e publicados pelo New York Times, expõem as políticas de encarceramento em massa promovidas pela China em Xinjiang. E centenas de testemunhos de uigures que fugiram da China foram publicados em fevereiro pela Anistia Internacional. Além dos abusos sofridos em território chinês, eles dizem que o governo comunista os persegue após sua fuga.

Em julho, o Departamento de Estado dos EUA impôs sanções a vários funcionários do Partido Comunista Chinês devido ao tratamento dado pelo governo aos uigures. O órgão condenou, especificamente, o “trabalho forçado, a detenção em massa arbitrária, o controle populacional forçado e tentativas de apagar sua cultura e fé muçulmana”.

“Os Estados Unidos estão agindo hoje contra os horríveis abusos sistemáticos [praticados] em Xinjiang e conclamam todas as nações que compartilham de nossas preocupações sobre os ataques do Partido Comunista Chinês aos direitos humanos e liberdades fundamentais a se unirem a nós na condenação desse comportamento”, disse o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo.

O embaixador da China no Reino Unido, Liu Xiaoming, negou repetidamente as acusações de repressão dos uigures chineses em uma entrevista em julho à BBC. “Não existe a chamada ‘restrição da população’. Não existe o chamado 'aborto forçado' e assim por diante”, afirmou.

Xiamoing alegou que a população uigur dobrou. As estatísticas do governo de Xinjiang, porém, mostram que a população realmente despencou, informou a Associated Press.

O aumento da conscientização sobre os abusos do governo chinês contra os uigures colocou os holofotes nas corporações americanas que não condenaram as políticas de Pequim. Tanto a NBA quanto a Disney possuem interesses comerciais significativos na China, mas ainda não condenaram as atitudes do governo chinês pelos maus tratos aos uigures.

* Thomas Catenacci é membro do The Daily Caller News Foundation.

© 2020 Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês.

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