i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Tendências mundiais

Caso dos estudantes desaparecidos causa nova revolta no México

  • PorPor RANDAL C. ARCHIBOLD
  • 24/11/2014 21:04
Protestos como o realizado na Cidade do México se espalharam pelo país todo depois da notícia de que os 43 estudantes desaparecidos passaram por uma batida policial | Tomas Bravo/reuters
Protestos como o realizado na Cidade do México se espalharam pelo país todo depois da notícia de que os 43 estudantes desaparecidos passaram por uma batida policial| Foto: Tomas Bravo/reuters

O destino de 43 estudantes que desapareceram e provavelmente foram mortos e queimados em setembro gerou fúria e indignação nos quatro cantos do México.

Milhares de pessoas, na maioria professores, alunos e jovens simpatizantes, lotaram as ruas da Cidade do México, bloqueando as principais vias de acesso da metrópole, além de incendiar a porta do Palácio Nacional, das sedes regionais dos partidos políticos e do prédio do Congresso Estadual de Guerrero, onde fica a faculdade em que estudavam os jovens.

As redes sociais ferveram com hashtags que incluiu #YaMeCansedelMiedo ("Estou cansado do medo"), em referência ao comentário do Promotor Geral, que interrompeu uma pergunta em entrevista coletiva sobre o caso dizendo "Ya me cansé" ("Estou cansado").

Muitos se perguntam se o presidente Enrique Peña Nieto apoiará a iniciativa de defesa da obediência à lei e do combate à corrupção e à impunidade.

O México já testemunhou convulsões sociais por causa de crimes sensacionalistas antes. Em 2011, insuflados pelo sequestro e morte do filho de um poeta, Javier Sicilia, milhares de manifestantes marcharam com faixas, sob a hashtag #HastaLaMadre ("Já chega!"), até que Felipe Calderón, então presidente, organizou uma reunião, em cadeia nacional de TV, com parentes de inúmeras vítimas de sequestro e assassinato durante a guerra às drogas de seu governo.

O resultado não foi além da criação de uma agência com poucos recursos para atender às necessidades das vítimas da violência.

Para Andrew Selee, acadêmico mexicano do Centro Internacional Woodrow Wilson, em Washington, áreas isoladas como Ciudad Juárez e Monterrey ganharam mais atenção depois das chacinas, o que resultou em queda da criminalidade, mas os políticos não conseguiram implantar medidas eficazes contra a corrupção.

"Os políticos de todos os partidos têm uma grande oportunidade de reforçar a transparência e combater a corrupção que eles tanto querem deixar para trás, mas a grande questão é se isso vai mesmo ocorrer", diz ele.

A tolerância geral à corrupção talvez explique a ausência de reação dos partidos de oposição à descoberta da residência de US$7 milhões que a mulher do presidente está comprando, a crédito, de uma empresa cujo dono levou licitações polpudas de construção no estado do México na época em que Peña Nieto era governador.

O dono da casa também tem uma empresa parceira de um consórcio liderado pelos chineses na disputa da instalação do trem-bala, que Peña Nieto cancelou abruptamente, depois de surgirem reclamações da falta de transparência do processo de licitação.

Porém, os relatos chocantes sobre os estudantes de Iguala – que, segundo as autoridades federais foram detidos pela polícia local por ordem do prefeito, entregues a uma gangue, mortos e incinerados – mexem com a frustração e a revolta que o público há muito sente em relação aos políticos corruptos e à polícia.

E está se espalhando em setores geralmente calmos – como os participantes da conferência dos bispos católicos e o Chefe de Justiça do Supremo Tribunal.

O analista político Alfonso Zárate diz: "Acho encorajador o fato de as vozes inconformadas estarem se multiplicando. Há muito tempo a corrupção é vista como um lubrificante que humaniza o poder; essa visão cínica impediu que fosse encarada como o verdadeiro câncer que é – e que já virou metástase e se espalhou por todos os setores".

Juan Francisco Torres Landa, da Mexico Unido Contra la Delincuencia, grupo cívico que já organizou protestos, mas desistiu de fazê-lo, comenta: "Agora estamos questionando qual a nossa expectativa em relação ao governo. Não queremos que os políticos saibam que não estamos satisfeitos e não façam nada; nosso objetivo é vê-los em ação, em busca de resultados específicos".

Os eventos em Iguala desacreditaram o Partido da Revolução Democrática, de esquerda, conhecido como PRD, que geralmente é rápido em condenar a corrupção do partido de Peña Nieto, o Revoluccionário Institucional, pois tanto o prefeito de Iguala como o ex-governador do estado são afiliados a ele.

Na direita, o Partido da Ação Nacional também tem que lidar com o fardo do papel de seu garoto-propaganda, Calderón, na guerra contra o tráfico, além da corrupção entre integrantes antigos e atuais.

"Os partidos políticos estão paralisados. A frustração social está crescendo e é expressa pacificamente pela maioria, mas o poder político ainda não se transformou", afirma Ernesto López Portillo, diretor do Insyde, instituto de pesquisas da Cidade do México que há muito defende melhor treinamento e definição de responsabilidades para as polícias municipais e estaduais.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Política de Privacidade.