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John Walker Lindh, apelidado de "Talibã americano" foi solto em 23 de maio
John Walker Lindh, apelidado de “Talibã americano” foi solto em 23 de maio| Foto: AFP

Um tapa na cara das vítimas do 11 de Setembro. Assim definiu a libertação de John Walker Lindh, o ‘talibã americano’, Alison Spann, filha de um agente da CIA morto em uma rebelião envolvendo o ex-prisioneiro no Afeganistão. A frase está na carta que a jovem, uma jornalista que vive no Mississippi e tinha 9 anos quando perdeu o pai, escreveu para o presidente Donald Trump para protestar contra a libertação ocorrida nesta quinta-feira (25).

Lindh, de 38 anos, foi capturado quando lutava ao lado do Talibã no Afeganistão, em novembro de 2001. Ele foi solto após cumprir 17 anos no presídio de segurança máxima de Terre Haute, em Indiana. Alegando bom comportamento, o 'talibã americano' conseguiu reduzir 3 anos de sua sentença de 20 anos pela morte de Mike Spann durante um motim de prisioneiros no norte do Afeganistão, após ter sido interrogado por ele. Alison diz que seu pai foi o primeiro americano morto na guerra ao terror.

A libertação reacende memórias dos ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA, após o qual ele se tornou para muitos um dos rostos da ameaça extremista no país.

O presidente Donald Trump se mostrou "preocupado" com a libertação de Lindh. "Vamos vigiá-lo de perto", disse. "Se tivesse havido alguma forma de impedir isso (a libertação), teríamos feito em dois segundo". O secretário de Estado, Mike Pompeo, disse que a libertação é "inexplicável e irracional". "Pelo que entendo, ainda ameaça os EUA e continua comprometido com a mesma jihad à qual se uniu", disse Pompeo, que pediu a revisão da decisão.

Extremismo

Filho de um casal de classe média que vivia ao norte de São Francisco, na Califórnia, Lindh converteu-se ao islamismo aos 16 anos e viajou para o Iêmen, em 1998, para estudar árabe. Após voltar para casa por alguns meses, foi para o Paquistão estudar em uma escola religiosa.

Em meados de 2001, aparentemente atraído por histórias de maus-tratos aos afegãos, ele se juntou à luta do Talibã contra a Aliança do Norte - organização político-militar que unia diversos grupos islâmicos rivais contra o Talibã.

Depois de ser capturado, em 2001, Lindh foi detido com outros jihadistas em uma prisão perto de Mazar-e-Sharif. Ferido durante a rebelião que terminou com a morte de Spann, ele foi enviado de volta aos EUA para ser julgado. Em outubro de 2002, ele foi condenado a 20 anos de prisão.

Lindh agora deve cumprir três anos de liberação supervisionada, durante os quais ele não pode ter passaporte, usar a internet sem monitoramento, ver material extremista ou terrorista, comunicar-se com extremistas conhecidos ou conversar online em qualquer idioma que não o inglês sem aprovação prévia. Ele também deve passar por tratamento de saúde mental.

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