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O candidato derrotado à Presidência em 2018 pelo PT, Fernando Haddad.| Foto: Ricardo Stuckert

Em um recente debate no Manhattan Connection, saiu faísca entre Diogo Mainardi e Fernando Haddad, este considerado o pior prefeito da história de São Paulo (perdeu em todas as urnas na tentativa de reeleição). Infelizmente a moderação excessivamente tolerante do programa permitiu ao soi-disant alter ego de Lula um longo discurso político regado a alta taxa de demagogia.

Eu sou Diogo Mainardi naquele programa. Não retiro uma vírgula do que Mainardi falou. Não retiro quando ele afirma não entender o Haddad que se apresenta como candidato à Presidência da República, ao mesmo tempo em que defende a candidatura de Lula. Não retiro quando Mainardi diz não entender Haddad defendendo o combate à corrupção, ao tempo em que se “apresenta como poste de um corrupto”. Destaco ainda quando Mainardi relembra que Lula tinha R$ 40 milhões no “Departamento de Ações Estruturadas” (Mais conhecido como “Departamento de Propinas”) da construtora Odebrecht.

Eu, se estivesse no debate, relembraria que a condenação de Lula imposta por Moro, no caso do tríplex do Guarujá, foi confirmada pelo TRF4 e teve pena aumentada, o que põe por terra o argumento canalha (aparentemente adotado por boa parte do STF) da parcialidade do juiz de primeiro grau. O mesmo se repetiu no caso do sítio de Atibaia. Lembraria ao “poste” que, das 176 sentenças proferidas na 13.ª Vara de Curitiba (onde Moro era titular), apenas 5% foram reformadas em segunda instância para absolver; 3% foram reformadas para condenar réu absolvido; e 30% foram alteradas para agravar a sentença original daquela vara.

A absolvição de Lula, tão desejada pelo lulopetismo cego e por uma facção do STF, é um sinal negativo a ser enviado ao mundo

Falar em parcialidade diante destes números – que mostram que a 13.ª Vara sempre esteve muito aquém de ser dura em suas sentenças – é, aí sim, uma coisa muito tendenciosa, coisa muito canalha. E, quando se ouve isso de ministros do STF, a suspeita do cidadão de bem não cai sobre a 13.ª Vara nem sobre seu antigo titular, Sergio Moro; recai integramente sobre aqueles ministros que, sem concurso público para juiz, foram togados em gabinetes presidenciais suspeitos ou mesmo corruptos, e, assim, jogados de paraquedas na suprema corte. Isto eu diria a Haddad, se lá eu estivesse naquele debate.

Já a postura demagógica – fingindo-se de vítima – do tipo “paz e amor” assumida por Haddad não causa surpresas: ele apenas está mimetizando o Princeps Corruptorum, este, sim, o Grande Corrupto, Lula, desde que este ganhou as eleições em 2002. Lembram do “Lulinha Paz e Amor” imposto, na época, pelo marketing político regado a milhões de reais? Até nesta encenação de “Haddadinho Paz e Amor” Haddad foi Lula. Espero que o povo brasileiro, quando chegar a campanha eleitoral, saiba identificar a farsa e dar a resposta certa ao farsante.

Quanto à “absolvição” de Lula pelo STF – antecipada por Haddad –, esta é uma grande, dolorosa e trágica possibilidade para a cidadania honrada e para o Brasil como um todo, certamente com reflexos profundos até na economia, hoje muito estribada na confiança e na integridade moral do país.

Os abutres a favor da corrupção de alto coturno aproveitam o distanciamento social imposto pela pandemia para acelerar o processo de depravação do Brasil. Se fosse como 2013, quando não havia restrições para o povo ir às ruas, a situação seria outra. Foram aqueles movimentos de rua – quer queiram ou não os ministros – que forçaram o STF a retornar à antiga jurisprudência da prisão após condenação em segunda instância, ainda que tenha levado alguns anos.

Por conta daquele escritório de advocacia criminal (o STF) e do mais depravado estamento político entre as democracias ocidentais, a esperança de o Brasil entrar na OCDE corre sério risco de ir para o espaço. Para quem não lembra, ou não sabe, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico é um clube que reúne países de elevado PIB e alto IDH, concentrando cerca de 80% do comércio mundial – vejam como é importante entrar para aquele clube!

E preza muito, a OCDE, pelo combate real à corrupção. Pode-se afirmar que o Brasil já esteve bem mais perto de entrar para a OCDE do que agora, graças, entre outros fatores, à elevada reputação de combate ao crime institucional que a Lava Jato deu ao país. Não é apenas no tratamento ao meio ambiente que o Brasil é observado internacionalmente; a percepção de combate real à corrupção é tão ou mais importante para a aceitação do Brasil na OCDE e na comunidade internacional como um todo. A absolvição de Lula, tão desejada pelo lulopetismo cego e por uma facção do STF, é um sinal negativo a ser enviado ao mundo e pode, como o maltrato ao meio ambiente, produzir grandes danos ao Brasil diante da comunidade internacional e da OCDE, em particular.

Como falou recentemente Caio Coppolla na CNN, o STF transformou-se na maior “banca de advocacia criminal” do Brasil. Isto aconteceu sob a égide de Gilmar Mendes e a associação de Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello (que se aposentou muito tarde), Rosa Weber e, agora, o ministro que Bolsonaro pôs no lugar de Celso de Mello, a “nulidade” jurídica (ainda segundo Coppolla) Kassio Nunes Marques.

Com a indicação de Kassio, Bolsonaro conseguiu, segundo J.R. Guzzo, um feito antes impensável: tornar o STF ainda pior do que já era. Foi esta turma do STF (Guzzo a chama de “facção-pró-crime”) que, agindo como advogados dos piores criminosos do Brasil, pôs por terra a jurisprudência que permitia a prisão após condenação em segunda instância. A criminalidade nacional de alto coturno deve estar infinitamente grata àqueles advogados, transfigurados em magistrados (que nunca o foram) do STF.

Não é verdade o que falou Haddad sobre Moro naquele Manhattan Connection. Sergio Moro, nos Estados Unidos, não estaria preso, como ele levianamente afirmou. Ele é tido como herói por lá, tanto que foi contratado por uma empresa de consultoria norte-americana muito bem reputada no setor, a Alvarez & Marsal, como sócio-diretor. Só recebe tão honroso contrato uma pessoa de máxima competência e reconhecida honradez. Daquela turma do STF de que falei acima, a que pretende inocentar Lula pela farsa da falsa suspeição de Moro, eu duvido que um único ministro receba convite semelhante após a aposentadoria.

O Brasil atual, com seu inqualificável estamento político, com sua corte suprema transformada em banca de advocacia de bandidos de colarinho branco, é de tirar a esperança dos brasileiros de bem

Se me fosse dada a oportunidade de falar naquele Manhattan Connection, eu diria a Haddad quem certamente estaria atrás das grades nos Estados Unidos, hoje e talvez para o resto de suas vidas: Lula, José Dirceu, Antonio Palocci e vários outros políticos e empresários associados aos três; o ministro do STF conhecido na planilha da Odebrecht como o “amigo do amigo do meu pai”; além de, talvez, um ou outro notório sócio daquele escritório de advocacia criminal de que falou Caio Coppolla.

O Brasil atual, com seu inqualificável estamento político, com sua corte suprema transformada em banca de advocacia de bandidos de colarinho branco, é de tirar a esperança dos brasileiros de bem. O Brasil atual cansa e desanima, porque bate na honra e ampara a desonra de forma ostensiva e inapelável ao cidadão comum. É difícil residir no Brasil ante este quadro de horrores. Se houvesse um botão para apertar e fugir deste real teatro do absurdo, confesso que o apertaria. Ainda assim, ante tal impossibilidade, espero que durante as eleições de 2022 informações como as aqui expostas alertem os eleitores: nem o criminoso Lula, em pessoa ou através de seu alter ego Haddad, nem o Bolsonaro do Centrão, nem o Centrão de Bolsonaro. Que o eleitor brasileiro aprenda que não deve haver patife de estimação para cultuar.

José J. de Espíndola é engenheiro mecânico, mestre em Ciências em Engenharia, doutor (Ph.D.) pela Universidade de Southampton (Inglaterra), doutor “honoris causa” pela UFPR e professor titular aposentado da UFSC.

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