i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Artigo

Geração de energia: liberdade para todos ou para poucos?

  • PorEduardo Hahn de Castro
  • 04/12/2019 17:29
Geração de energia: liberdade para todos ou para poucos?
| Foto: Marcos Tavares/Thapcom

Desde o princípio, estamos sempre em busca da nossa liberdade, seja no mercado de trabalho, seja na vida pessoal, seja dentro da nossa rotina. Com a energia isso não é diferente. A liberdade impulsiona o mercado a procurar a sua ótima solução, seja na questão de preço, investimento, opção de fornecedor ou tipo de contrato.

O setor de energia vem há tempos tentando se libertar de suas próprias amarras. A primeira foi a quebra do monopólio da cadeia de geração, transmissão e distribuição. Grandes projetos e grandes usinas hoje vivem um livre mercado, liberal, incentivado pela expansão do mercado livre. Mas esse ainda é um mercado para poucos. Somente grandes consumidores (com demanda mínima de 500 kW) podem ter acesso a esse mercado em que se contrata energia diretamente da “fonte”, sem o intermediário (a distribuidora) no meio.

A geração distribuída veio para mudar esse mercado. Ofereceu oportunidades de investimento para investidores que jamais imaginaram poder investir em energia; permitiu o surgimento de empresas de energia que antigamente não teriam condições de concorrer com grandes grupos econômicos; permitiu que clientes que nunca tiveram opção pudessem comprar seu próprio gerador, ou instalar e até mesmo contratar energia diretamente de uma usina, seja ela uma fazenda solar, uma planta eólica, de biomassa, hidráulica ou de cogeração.

Podíamos; talvez não possamos mais.

Até agora, quem gera a própria energia recebe como crédito 100% do excedente gerado e que é lançado na rede. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) quer rever esse porcentual e vinha conduzindo bem o processo regulatório revisório, mas, aos 45 minutos do segundo tempo, alterou todas as propostas e premissas que estavam sobre a mesa, querendo retirar mais de dois terços desse crédito. A Aneel está, assim, equiparando pequenas usinas de geração distribuída a grandes projetos, o que não é razoável, pois nunca será factível competir com o ganho de escala e as diferentes premissas de comercialização.

Enquanto há técnica e transparência, existe confiança. Nesse caso, a questão virou política, reação da mudança de comportamento da Aneel. Comentários como “essa casa não se submete a fake news” e “se o usuário não quiser, ele que opere off-grid (desconectado da rede)” fizeram parte da fala dos diretores na reunião pautada por uma das questões mais sensíveis nos últimos anos dentro do setor de energia.

As mudanças abruptas e a imprevisibilidade no setor de energia repetem fatos recentes. Em 2012, a então presidente Dilma Rousseff promulgou a MP 579, rompendo diversos contratos. A promessa de redução de 20% nas contas de energia feita na sua campanha presidencial se tornou aumento de 50% desde 2014. Vale ressaltar que temos diversas componentes dentro da conta de energia; a MP 579 não foi o único fator para o aumento, mas foi o que teve mais impacto. Imagine o empresário brasileiro, que normalmente tem a energia elétrica como terceiro maior custo fixo no seu negócio, ao ver o custo da sua energia dobrar entre 2004 e 2019 na Copel, atingindo às vezes múltiplos do IPCA, a inflação oficial, referência de mercado.

A Aneel tem livre arbítrio para realizar mudanças e adequações nas suas próprias resoluções normativas, mas espera-se um mínimo de previsibilidade quanto aos seus ritos regulatórios e sensatez na escolha adotada, seja no porcentual que será tirado de quem decidiu gerar a sua própria energia, seja na inexistência de um período de transição, aniquilando diversas empresas e empregos que foram criados. Em um setor tão essencial e estratégico, a segurança jurídica e a previsibilidade são premissa básica para a subsistência de toda a cadeia, seja para a implantação de novas fábricas de equipamentos, na rede de distribuição, para empresas de projetos, desenvolvimento e instalação.

Antigamente, atuar no mercado de energia era privilégio de grandes e poucos. Empresas estatais como Copel, Cemig, Eletrobrás e Chesf detinham o monopólio e o know how para atuar no setor. Hoje, o privilégio é de todos. Vivemos, finalmente, a liberdade. Mas corram, pois a liberdade desse mercado tão rico e promissor pode estar com os dias contados.

A geração de energia, afinal, é um mercado para todos ou para poucos?

Eduardo Hahn de Castro, engenheiro civil, mestre em Planejamento Estratégico com MBA em Setor Elétrico, é CEO da Argon Energia.

2 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 2 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.

  • M

    Marcos eisenschlag

    ± 39 dias

    "O Estado deve ser pequeno para que voce possa controla-lo e nao grande para que possa controlar a todos" Ronald Reagan.

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

  • T

    Thiago

    ± 39 dias

    Excelente artigo! Meus cumprimentos ao autor!

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

Fim dos comentários.